<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259</id><updated>2012-02-15T23:45:49.487-02:00</updated><category term='Linhas Tortas'/><category term='sociedade'/><category term='política'/><category term='natureza'/><category term='poemas'/><category term='imprensa'/><category term='ceticismo'/><category term='Caos (e com sequência)'/><category term='Os Escolhidos'/><category term='imagens'/><category term='cinema'/><category term='textos'/><category term='sentimentos'/><category term='tecnologia'/><category term='ciência'/><category term='música'/><category term='comportamento'/><category term='Esboço da Criação'/><category term='jogos'/><category term='Vácuo'/><title type='text'>Do Limbo</title><subtitle type='html'>Sociedade, ceticismo, artes, política, sentimentos... Tudo à esquerda.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>41</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-8760719512807410065</id><published>2012-01-09T14:34:00.000-02:00</published><updated>2012-02-09T00:03:21.157-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>Epílogo - No qual Alceu, finalmente, encontra Deus (ou se dá conta de que já o havia encontrado)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html"&gt;Prólogo&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html"&gt;Parte I&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html"&gt;Parte II&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html"&gt;Parte III&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html"&gt;Parte IV&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html"&gt;Parte V&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html"&gt;Parte VI&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html"&gt;Parte VII&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html"&gt;Epílogo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuridão completa. Alceu não podia enxergar absolutamente nada. Nada sentia. Frio, calor, conforto, incômodo. Nada. Também nada ouvia. Era como se a única coisa existente fossem seus pensamentos. Não sabia o que fazer para restabelecer a normalidade. A situação parecia estender-se por dias. Não conseguia ter uma boa noção do tempo. Aflito, pôs-se a refletir. Tudo aquilo de que se lembrava teria realmente acontecido em algum momento? A conversa com o bispo, a escada e mais nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pequeno ponto de luz pareceu piscar ao longe. Não estava certo do que tinha avistado. Em dado momento, a sensação repetiu-se, porém era como se uma voz lhe falasse. Não sabia se realmente tinha ouvido algo ou se era o próprio pensamento. Tanto que não conseguia identificar se tinha sido um som grave ou agudo, belo ou perturbador. Parecia mesmo a consciência a manifestar-se. A voz, então, repetiu a mensagem, mas esta não era linear. Parecia mais um fluxo de ideias, ora sequenciais, outrora sobrepostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Grande erro... Alceu... Hora do encontro... Aqui estou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu ignorava, pois considerava que era apenas o próprio pensamento fora de controle. Mas as palavras e expressões insistiam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou Deus... Encontro... Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, Alceu respondeu, mas não podia falar, pois era como se não tivesse corpo. A resposta também fluía na forma de pensamentos, com certa de dificuldade no início:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os humanos... Eles encontraram inúmeras evidências de um processo que, após bilhões de anos, resultou no surgimento de incontáveis espécies de seres vivos. Trata-se da... É a evolução... A seleção natural como principal mecanismo... O cérebro humano, com sua capacidade de raciocínio e consciência, é resultado desse longo processo, que está longe de ser mero fruto do acaso. Esse processo... Ele é praticamente um fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ideias iam organizando-se de modo difícil, mas ele ia acostumando-se lentamente à situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A sobrevivência dos seres mais aptos e a consequente transmissão de seu material genético aos descendentes, de acordo com suas características e as condições ambientais, está longe de ser um processo meramente aleatório. A aleatoriedade está apenas nas mutações e recombinações, mas estas ocorrem aos montes no decorrer de longos períodos de tempo. Sozinhas, talvez não levassem a grandes coisas, mas submetidas a um processo natural de seleção, porém não aleatório, pois se baseia na sobrevivência e reprodução dos seres mais adaptados ao ambiente, entre outros fatores, culminaram em tantas formas de vida. Isso significa que a única forma de mente racional e consciente que conhecemos, como a que habita o cérebro de cada ser humano, é consequência desse processo. Para aceitar a existência de Deus, é preciso lidar com a ideia de que existe uma mente racional primordial, semelhante às mentes humanas, mas que independe do único processo capaz de produzir mentes que conhecemos. É uma ideia realmente difícil, pois parece que as mentes são resultado de um processo complicado, extremamente demorado e, acima de tudo, natural. Como pode uma mente com características semelhantes e até mais poderosa existir antes desse processo, independente dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A alma... A alma diferencia os humanos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que Alceu respondeu, organizando ideias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não há lugar para a alma. Cada animal é da mesma espécie que seus pais. A evolução se dá lentamente, ao longo de muitos e muitos anos... Como determinar quem foi o primeiro homem? Qual foi o primeiro animal a nascer com alma? Deus teria decidido injetar almas na espécie humana em algum momento? Onde estavam as almas antes do aparecimento da vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Em um auditório quase lotado, no qual estavam presentes professores, estudantes e visitantes, o evento transcorria normalmente. A maioria do público demonstrava grande interesse pelo debate entre os convidados. Alceu acabara de levantar-se de sua cadeira e dirigir-se ao púlpito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acredita-se que a alma represente a essência de cada indivíduo e que ela seja responsável, inclusive, por sua personalidade. No entanto, é bem possível que isso não seja verdade. As memórias, as opiniões, os sentimentos, enfim, a personalidade, parecem ser reflexos da estrutura cerebral e suas complexas reações químicas. O que chamam de alma não deve existir de verdade, mas apenas como um conceito, uma representação do que há de essencial em cada sujeito. Conhecemos vários casos de pessoas que se envolveram em acidentes ou desenvolveram doenças que afetaram o cérebro. Em muitos desses casos, a personalidade da vítima alterou-se drasticamente. As preferências e o comportamento mudaram. Memórias foram perdidas. Os familiares viam-se diante de uma pessoa rude, mas que costumava ser dócil, ou vice-versa. Que passou a odiar coisas que antes amava. Temos também os medicamentos, que ajudam tanta gente a enfrentar momentos difíceis, de ansiedade ou tristeza, através da interferência na química cerebral. Remédios que podem auxiliar na manutenção de estados de alegria e tranquilidade para aqueles que atravessam períodos turbulentos. E não nos esqueçamos dos efeitos de algumas substâncias ilícitas, um misto de euforia e depressão, utilizados como válvula de escape por boa parcela da população. Em todos esses casos, o cérebro é a chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- O sentido da vida... - disse a voz da escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu refletiu, como se respondesse à provocação, a partir daquela espécie de limbo em que se encontrava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade... Se a vida não é obra de um criador, provavelmente não possui um sentido objetivo... Um sentido absoluto... Mas qual é o problema? Não existe nada que determine que algum sentido intrínseco deva existir. Cada um pode dar a sua própria vida o sentido que quiser. Mais de um sentido, aliás. E, se achar que escolheu o sentido errado, pode mudar e escolher outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A vida é, primordialmente, uma consequência que temos o direito e, em minha opinião, o dever de desfrutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O sentido da vida... - repetiu a voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O sentido da vida é para frente... - pensou Alceu - Para frente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na plateia, a esposa Elza, os irmãos Caio e Ricardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os supostos milagres cujos relatos conhecemos costumam estar distantes, temporal e geograficamente. - proferia o arquiteto - Não há nenhum caso bem documentado de alguma ocorrência que tenha desrespeitado as leis da física. Cânceres regridem. Acidentes têm sobreviventes. São coisas que acontecem. Acontecem a religiosos e a ateus. Mas vamos assumir, por um momento, que milagres, isto é, acontecimentos realmente extraordinários e inexplicáveis, aconteçam. Na verdade, eles acontecem mesmo, pois não temos resposta para tudo. Um grande erro dos teístas está em atribuir automaticamente esses acontecimentos a um ser superior que teria criado o universo. Por que fazem isso? Por que dão esse salto ilógico e injustificado? Se você não conhece a causa de algum evento, isso significa que é obra de Deus? Não seria melhor que você simplesmente admitisse que desconhece as causas? Se você nem conseguiu provar que esse ser chamado Deus existe, então não pode atribuir feitos a ele e ainda querer que todos aceitem. É importante questionar também a postura de atribuir o que acontece de bom a Deus e o que acontece de ruim ao acaso, infelizes coincidências, o demônio ou ao mistério divino, que não poderia ser conhecido pelos humanos, mas que conduziria a humanidade pelo melhor caminho possível. Ora, ora! Ateus e religiosos podem salvar-se de acidentes. E são muitos os casos em que as orações não surtem efeito algum sobre os enfermos. O efeito placebo é velho conhecido da ciência, obrigatoriamente empregado nos testes de medicamentos. E é bem provável que não exista essa bobagem que tanto repetem, a respeito de um momento predeterminado para a morte. A não ser que estejamos falando de algo natural, tal qual costumo dizer, de modo superficial: qualquer incidente parece ter sido determinado pelos acontecimentos anteriores. Como não se pode mudar o passado e não se conhece tudo o que ocorre ou ocorrerá no universo, então estamos diante de inúmeros incidentes inevitáveis. Se uma pessoa envolve-se em algum tipo de acidente, o que determinará sua sobrevivência são os detalhes físicos do imprevisto: o amortecimento por algum obstáculo, a velocidade, a altura em que se encontrava, as partes do corpo atingidas, entre outros, todos determinados pelas circunstâncias do próprio acidente e por fatos ocorridos anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;No corredor do hospital, o médico dizia a Elza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele está inconsciente, pode ficar assim por semanas, mas há chances de recuperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lágrimas desciam pelo rosto da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No estado atual, ele pode ter alguns sonhos. Não é possível determinar se haverá perda de memória. - concluiu o profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um dos debatedores perguntou a Alceu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se o criador for dotado de energias? E se você estiver errado ao considerar que não existe tempo infinito no passado? Deus pode ter organizado um estado de caos que existia anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mediador autorizou a resposta, que veio após um gole de água:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se a matéria estivesse congelada em um estado de eterno presente? E se Deus for uma inteligência embutida no próprio universo? E se ele não precisar do tempo? E se... E se? Você está apenas esforçando-se para acreditar! Está fazendo o máximo para adaptar sua teoria às contestações que vão surgindo, a fim de conseguir continuar acreditando! Até quando agirá desse modo? Essas suposições não são suficientes para validar e comprovar uma ideia. O fato é que não há evidências que nos permitam ter certeza a respeito da existência de um ser superior! E, como a existência desse ser está longe de ser evidente, a única postura aceitável nesta questão é a dúvida e a contínua investigação. Aproveito para pedir-lhe que reflita sobre as perguntas que fez. Procure por mais informações a respeito da relação entre matéria, energia, espaço e tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Travou-se uma breve discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já que está falando sobre ciência, responda-me: você não percebe que a teoria evolucionista entre em choque com a Segunda Lei da Termodinâmica? Em sistemas fechados, toda a energia se degrada até que seja atingido um estado desordenado, chamado de “morte térmica”. Frente a isso, como o “sistema evolucionário” pôde produzir formas ordenadas de vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um gole de água e, em seguida, a resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O planeta Terra não é um sistema isolado. Ele faz parte de um sistema maior, o sistema solar, que, por sua vez, integra algo ainda maior, o universo. Todos esses sistemas caminham para a “morte térmica”, inclusive o universo em sua totalidade, mas, enquanto esse momento não chega, ocorrem trocas de energia entre os sistemas. Desde sua formação, nosso planeta e seus sistemas naturais possuem uma fonte constante de energia: o sol. Trata-se de uma fonte esgotável, e seu fim representará, muito provavelmente, a morte de todos os sistemas que dela dependem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Em meio ao nada, a misteriosa voz continuava a desafiar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda ousa negar minha existência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamentos fluíam como resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O ateu cético não nega diretamente a existência de Deus, e sim a crença cega em sua existência. Ele vê o teísta a afirmar que existe um ser superior, baseado em uma fraca argumentação, sem apresentar evidências suficientes. Então, ele contesta... Por quê? Não posso manter essa mesma crença... Não consigo... Não há motivos, a não ser uma questionável tentativa de enganar a mim mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um espaço para perguntas foi aberto antes do intervalo. Da plateia, um dos estudantes dirigiu uma interrogação a Alceu, a respeito de um sentimento pessoal que lhe daria a certeza da existência de divindades. Ele respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala como se possuísse um sentido extra que os céticos não possuiriam, o qual chama de “fé”, que lhe permitiria perceber um mundo espiritual. Em primeiro lugar, devo perguntar-lhe: como você pode ter certeza de que sua percepção do mundo espiritual é confiável? Sabemos que as percepções do mundo físico estão longe de serem dignas de confiança irrestrita. Mas irei considerar que você esteja falando a verdade, isto é, que realmente acredite no que disse. É claro que não conseguirá demonstrar nada a esse respeito. Da minha parte, tenho o direito de duvidar. Por experiência, sei que até mesmo outros teístas estranhariam sua afirmação. Não entendo por que um criador faria com que algumas de suas criaturas fossem privadas desse sentido. E continuo achando que “fé”, no sentido religioso, é uma palavra que designa a crença de que algo é verdade, mesmo que não haja provas suficientes ou mecanismos de verificação. O importante, no entanto, é que, se você não usar esse “sentido extra” para cometer abusos contra outras pessoas ou para tentar interferir em suas vidas contra a vontade delas, tudo bem. O máximo que me permito fazer é dizer-lhe: seja feliz com sua fé! Seria muito bom se tivéssemos um pouco mais de tempo, para que você nos explicasse melhor o funcionamento de seu sexto sentido e o modo como as informações são captadas. Será que tudo o que você ouviu na igreja ou leu na Bíblia não acaba por influenciar sua percepção? Por que as pessoas de outras partes do planeta ou de outras denominações religiosas, que afirmam possuir esse mesmo tipo de sentido, percebem mundos espirituais diferentes daquele que você capta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Elza, Ricardo e o pai aguardavam emocionados no saguão do hospital. A mãe falecera seis anos antes. Quando Caio surgiu, trazendo Alceu em uma cadeira de rodas, a esposa não se conteve. Correu até o marido e deu-lhe um forte abraço, aos prantos. Ricardo e o pai sorriram, entusiasmados. Em seguida, pouco antes de entrarem no automóvel, Alceu perguntou ao irmão caçula:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estarei recuperado no dia do debate? Gostaria muito de participar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A situação é um tanto delicada, mas, segundo os prognósticos médicos, há chances de que você se recupere bem. - respondeu Caio, feliz - Procure evitar os excessos. Devemos ficar todos atentos a qualquer sinal de alteração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais tempo permanecia naquela situação, mais parecia que a estranha voz e os próprios pensamentos iam fundindo-se em uma única linha de raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O mais importante é definir o que é Deus... É perigoso tratar desse conceito sem antes defini-lo com objetividade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ideias não paravam de fluir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguns dizem que Deus é uma espécie de força maior que regula as leis do universo. Outros afirmam que ele é um ser inteligente, capaz de observar os seres humanos e até de intervir por eles. E há uma gama enorme de definições diferentes. Entretanto, o uso de uma mesma palavra para tratar de conceitos tão distintos gera grande confusão. Muitos tentam demonstrar a necessidade da existência de um ser criador ou organizador e acham que, desse modo, já estariam automaticamente demonstrando a existência do deus da mitologia cristã ou de qualquer outra mitologia específica. Por isso, todos aqueles que pretendem referir-se a um mistério universal devem evitar a utilização da palavra “Deus”, a fim de produzir uma exposição de ideias mais honesta, sem nenhuma apelação para tentativas de convencimento através de mal entendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Elza ainda estava impressionada com a recuperação do marido. O ocorrido sempre lhe voltava à mente, enquanto o observava sobre o palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Passei por uma experiência de quase morte recentemente. Lembro-me de túneis, luzes, da sensação de estar fora do corpo e até de um encontro com uma consciência superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risos na plateia e entre alguns dos debatedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É fascinante, mas não nos deixemos enganar. Experimentos já indicaram que características do próprio mecanismo de funcionamento cerebral são as prováveis causas desse tipo de visão. As pesquisas do neurologista Kevin Nelson, da Universidade de Kentucky, por exemplo, apontam para o sonho lúcido e os estágios do sono como os grandes responsáveis pelas semelhanças entre os relatos de diferentes pessoas. Os túneis iluminados, por exemplo, seriam resultado da diminuição do fluxo sanguíneo para os olhos. Já a sensação de estar fora do corpo deve ser consequência de uma espécie de desligamento da região cerebral responsável pela percepção espacial. Já é sabido que a baixa atividade nesta região provoca esse tipo de percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Alceu não mais sabia quando as ideias eram suas ou do ser oculto que com ele dialogava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muitos teístas esforçam-se para diferenciar Deus de outras figuras míticas, como as fadas e os unicórnios. Argumentam que o primeiro é resultado de uma conclusão lógica a respeito de um criador necessário, enquanto os demais são apenas lendas mundanas surgidas a partir da grande imaginação dos seres humanos. Acontece que dois pontos simples eliminam essa diferenciação e jogam Deus, sim, no mesmo nível dos outros mitos. O primeiro ponto é o fato de que a ideia de Deus está longe de ser evidente. Já demonstrei em mais de uma ocasião que a conclusão dos teístas, além de não ser óbvia, não é certa, não é incontestável. O outro ponto se revela quando vemos os teístas defendendo uma narração mitológica mais completa, composta por descrições do processo de criação do universo, passando por interações entre divindades e humanos, chegando à conhecida passagem sobre o criador que envia o próprio filho para salvar a humanidade de seus pecados, sem a mínima argumentação lógica, mas com base, unicamente, em escritos considerados sagrados. Após passar por esses dois pontos, Deus não é mais tão diferente da mula sem cabeça ou do monstro do armário. Considerando esses dois pontos, não é nenhum absurdo afirmar que a existência de Deus é possível, mas tão possível quanto a existência das fadas. Absurdo de verdade é, frente a este quadro, o sujeito afirmar que, na dúvida, é melhor assumir que Deus existe, ao invés de optar pela indagação racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Do púlpito, Alceu polemizava. As reações do público eram das mais diversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A própria existência de tantas religiões depõe contra todas elas, apesar da negação de muitos teístas. Para encontrar falhas em cada mito religioso, basta procurar por aquilo que os seguidores de outras religiões têm a dizer sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risos e sinais de reprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, você nem precisa analisar todas as mitologias, pois elas já analisam umas às outras. Se você segue fervorosamente uma religião, saiba que os adeptos de outras tantas seitas espalhadas pelo mundo também consideram possuir motivos profundos a embasar suas crenças, assim como você. Mas quero deixar claro que não estou falando agora daquela ideia de um criador que tentam defender como necessária, e sim das religiões. E isso inclui o espiritismo, apesar de alguns de seus seguidores o defenderem como sendo uma doutrina, e não uma religião. Ora, o espiritismo também possui seus mitos, que estão na própria descrição do funcionamento do mundo dos espíritos. Não há experimentação científica por trás da construção dessa mitologia. E seus seguidores também são dogmáticos, posto que não os vejo, principalmente os divulgadores, a duvidar das explicações proferidas por seus mentores. Quando leio uma obra de Allan Kardec ou Chico Xavier, saltam aos olhos os erros, as imprecisões, e até preconceitos, algo que não se esperaria encontrar em palavras de espíritos superiores. Mas a pergunta que realmente fica quando leio algo como “O Livro dos Espíritos” é: como as pessoas sabem que essas informações não saíram unicamente da imaginação do autor? Não seriam estas apenas obras de fantasia, semelhantes àquelas produzidas pelos grandes autores da literatura fantástica? Lembremo-nos do que eu disse anteriormente a respeito do cérebro e sobre as supostas experiências fora do corpo. Qualquer ser humano dotado de boa capacidade intelectual pode forjar a mediunidade valendo-se de artimanhas. Várias obras e feitos do espiritismo foram contestados e, submetidos a experimentos, mostraram-se falsos. Aqueles que não foram contestados não são necessariamente verdadeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O silêncio começava a ser quebrado por ruídos extremamente baixos, difíceis de serem ouvidos, semelhantes a chiados e bipes. A escuridão, no entanto, permanecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A definição de regras pela humanidade deve ter sido um processo árduo e demorado. Mas não é difícil perceber as vantagens de se condenar atos que consideramos criminosos, como os assassinatos. Ao defender a ideia de que matar é errado, cada ser humano está reduzindo as chances de que ele mesmo seja morto por alguém. A partir do momento que os indivíduos quiseram proteger a propriedade privada, devem ter intuído, sem muita dificuldade, que um bom meio de fazê-lo seria através da defesa de que roubar é um ato condenável. É lógico que há interesses por trás de cada lei. O código penal é imperfeito e está repleto de conteúdo polêmico e questionável. Estatísticas apontam que a justiça costuma beneficiar certos grupos sociais, na redação das leis e em sua execução. O que é preciso ficar claro é que nenhuma religião é dona daquilo que conhecemos como moral. Vários povos e tribos ao redor do mundo, de diferentes crenças ou sem crença mística alguma, definiram suas regras e seus códigos de ética de maneira independente, com semelhanças e diferenças entre si. As semelhanças devem ter surgido dos critérios mais óbvios, como aqueles que mencionei. O que as religiões vêm fazendo a partir de um determinado momento é uma tentativa - bem sucedida, como podemos perceber - de se colocarem como donas, criadoras e guardiãs da moral. É claro que, após essa apropriação, as religiões contribuíram com a criação e a manutenção das regras e costumes, mas nada disso aponta para a existência de uma suposta moral absoluta. A “regra de ouro”- “não façamos aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem” - foi e é de conhecimento de várias culturas, em diferentes épocas e locais, independente das crenças religiosas. Não é tão difícil que, em sociedades minimamente organizadas, os indivíduos cheguem à conclusão de que tal regra seja a única capaz de beneficiar o maior número de pessoas. É importante considerar também a possível influência dos genes na manutenção das relações cordiais: um convívio pacífico e colaborativo com os semelhantes é um bom modo de tentar sobreviver e reproduzir-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A plateia aplaudia as considerações finais feitas por um dos debatedores. Era a vez de Alceu. Ele dirigiu-se ao púlpito e fez sua última exposição:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Recentemente, encontrei Deus. Isso se deu nos últimos meses, ao longo de várias discussões que mantive, inclusive aqui, neste debate. Mas o Deus que tenho encontrado é o mesmo que encontrei várias vezes ao longo de minha vida. Controlador, manipulador, intrigante e discriminador. Difusor da ignorância e indutor da cegueira. Uma ideia utilizada para preservar o comodismo e a intolerância. Um dos principais artifícios daqueles que pretendem transformar o mundo em quintal de suas convicções, independente dos anseios e características dos demais indivíduos. A humanidade precisa superar essa ideia e debruçar-se sobre questões realmente importantes, a fim de tentar alcançar o bem estar para todos ou, pelo menos, para o maior número possível de pessoas. Melhor ainda: para o maior número possível de seres vivos. Tal estágio nunca será alcançado por decreto ou imposição, e sim através de um processo gradual de melhoria da educação. Vivemos um momento em que as pessoas acreditam em tudo o que leem na internet e veem na tevê, mas questionam grandes descobertas científicas apenas porque contrariam suas convicções. Isso evidencia um grave problema educacional. As pessoas não sabem o que é ciência. Desconhecem o rigoroso método de produção do saber científico. São levadas a pensar que um livro de ciências é semelhante a um livro religioso, no qual são apresentadas informações que não se sabe como teriam sido obtidas e que devem ser simplesmente aceitas. Em países como a Islândia, Dinamarca, Suécia, França, Grã-Bretanha, menos de quinze por cento da população rejeita a evolução das espécies. Em alguns desses países e outros mais, como a Noruega e a Finlândia, os ateus representam a maior parte da população. Com uma educação realmente boa, os indivíduos poderiam considerar uma gama muito mais ampla de informações e possibilidades ao tomar suas decisões, ao invés de ficarem à mercê de um conjunto limitante de crenças sem embasamento. Enquanto os humanos responsabilizarem os deuses pelos problemas que enfrentam, mesmo que devido à concessão do livre arbítrio a uma espécie imperfeita, nunca poderão levar adiante, pelas próprias mãos, um projeto de construção de uma sociedade próspera, sustentável e justa. Percebo que grande parte das religiões tem como característica o incentivo à aceitação das dificuldades, ao invés da luta contra elas, o que acaba por favorecer a conservação dos entraves. Muitas pessoas aceitam uma posição desconfortável porque são levadas a crer que uma ordem natural as mantém ali. Tenho a forte impressão de que grande parte dos problemas que enfrentamos - intolerância, discriminação, opressão, ignorância, violência, guerras, depressão, destruição dos recursos naturais, convívio difícil e desarmonioso - devem-se à grande quantidade de certezas infundadas espalhadas por todos os lados. Ações baseadas em certezas que não se justificam podem ser muito perigosas. Sempre que não houver um modo seguro de conhecer ou saber algo, aceitemos a dúvida e sintamo-nos estimulados a investigar. Nunca julguemos o comportamento de uma pessoa ou comunidade tendo como base apenas as próprias convicções. Vamos além: abandonemos as convicções e coloquemo-nos como eternos discípulos da realidade. Desse modo, talvez possamos ver o surgimento de relações harmoniosas e de um entendimento agradável e benéfico entre todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa. Boa parte do público mantinha-se atenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos têm o direito de formar e manter suas próprias opiniões. E a sociedade está repleta dos mais diferentes pensamentos a respeito de todo e qualquer assunto. Com exceção de conceitos que terminem por causar ou estimular agressões e privações contra outros indivíduos, não há motivos para impedir ninguém de exercer sua liberdade individual. Muita gente enxerga um valor elevadíssimo nas convicções inabaláveis. Mas que vantagem há em, aos quarenta anos, bradar que possui as mesmas ideias que possuía aos vinte? A experiência da vida não vale nada? Pode mesmo um ser humano alcançar o conhecimento definitivo? Por que defender apaixonadamente os preceitos de determinada religião, mesmo sabendo que não há um modo de comprovar que eles estejam absolutamente corretos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio por mais alguns segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que parece muito difícil à maioria das pessoas livrar-se de ideias tão reconfortantes. Mas acreditem que não é tão difícil e, após algum tempo, é compensador. Minha experiência é muito positiva. Confesso que me senti abandonado e desprotegido no início, porém logo percebi que aquelas ideias não eram capazes de proteger-me de verdade. O erro não foi abandoná-las, e sim tê-las assumido em algum momento. Hoje valorizo a vida como poucos, pois, até onde sei, é a única que tenho. Deslumbro-me incansavelmente diante das belas estruturas do universo. Sinto um enorme desejo de permitir que todas as pessoas com boas intenções possam alcançar a felicidade, pois não vejo motivos para perseguir apenas a realização de meus anseios e entristece-me perceber o sofrimento de um semelhante. Descobri que a felicidade não é conquistada com a acumulação de bens, e sim com a possibilidade de desfrutar bons momentos próximo às pessoas de quem gosto, e sei que esta é a minha opinião e que outras pessoas encontram o prazer em outras coisas. Sinto-me seguro por estar em um ambiente propício ao surgimento e desenvolvimento de minha espécie e, ao mesmo tempo, preocupado com o que temos feito a esse ambiente. Aceito a morte como algo natural, tão natural quanto o longo processo que me trouxe à vida, e sei que, mesmo que ela represente o congelamento de minha consciência, continuarei a existir por algum tempo nas lembranças e nas minhas realizações, e as partículas físicas do meu corpo, cuja maior parte já se renova constantemente, continuarão a renovar-se em diferentes e inusitadas funções. Sofro, tenho medo e decepções? Sim, claro! Tudo isso faz parte da experiência de ser humano! Percebo, entretanto, que o que me move nessa direção é a preferência pela verdade, ao invés do consolo baseado em mentiras. Qual a melhor forma de viver a vida, se não a fundamentando na busca pela verdade? Não desejo que essa visão seja imposta, mas apenas difundida. Cada pessoa saberá aceitá-la no momento que lhe for mais propício. Isso é o que tenho a dizer. Duvidemos um pouco mais! Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público pôs-se a aplaudir. Muitos se levantaram e o fizeram de pé. Alceu sorria e fazia gestos de agradecimento quando uma forte luz atingiu seu rosto. Ele franziu a testa, incomodado pela claridade, apertou os olhos, deixando-os semiabertos, e ergueu um dos braços na altura deles, protegendo-os. Com dificuldade, tentava enxergar a fonte da iluminação. Após alguns segundos, percebeu que as incômodas luzes estavam instaladas do outro lado do auditório. Tinham sido acesas para facilitar a saída daqueles que já se retiravam. Os aplausos prosseguiram por mais algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na escuridão, os estranhos sons tornavam-se cada vez mais altos. Em alguns momentos, era possível ouvir perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se o universo tiver sido criado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreso, Alceu sentiu os dedos da mão, depois os braços. Em pouco tempo, já tinha a sensação de que possuía um corpo novamente. Parecia estar flutuando na posição horizontal, com a parte frontal do corpo voltada para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se a vida tiver um sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve a impressão de estar se movendo, como se, aos poucos, ficasse de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como ousa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma forte luz atingiu seu rosto. Ele franziu a testa, incomodado pela claridade, apertou os olhos, deixando-os semiabertos, e ergueu um dos braços na altura deles, protegendo-os. Com dificuldade, tentava enxergar a fonte da iluminação. A luz aumentou rapidamente, envolvendo-o por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html"&gt;Prólogo&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html"&gt;Parte I&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html"&gt;Parte II&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html"&gt;Parte III&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html"&gt;Parte IV&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html"&gt;Parte V&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html"&gt;Parte VI&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html"&gt;Parte VII&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html"&gt;Epílogo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-8760719512807410065?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/8760719512807410065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/8760719512807410065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/8760719512807410065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html' title='Epílogo&lt;br&gt; - No qual Alceu, finalmente, encontra Deus (ou se dá conta de que já o havia encontrado)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-5692412755345088555</id><published>2012-01-01T22:19:00.000-02:00</published><updated>2012-01-01T22:19:27.940-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='natureza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Lua na janela (a natureza contempla o homem)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fxiP16efWFI/TwD3W1KVrxI/AAAAAAAAALE/4JrKRMctB38/s1600/lua_na_janela.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-fxiP16efWFI/TwD3W1KVrxI/AAAAAAAAALE/4JrKRMctB38/s1600/lua_na_janela.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-5692412755345088555?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/5692412755345088555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/lua-na-janela-natureza-contempla-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5692412755345088555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5692412755345088555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/lua-na-janela-natureza-contempla-o.html' title='Lua na janela (a natureza contempla o homem)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fxiP16efWFI/TwD3W1KVrxI/AAAAAAAAALE/4JrKRMctB38/s72-c/lua_na_janela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-6980934202305840792</id><published>2011-12-28T19:00:00.000-02:00</published><updated>2011-12-28T19:00:00.634-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Escolhidos'/><title type='text'>Os melhores álbuns estrangeiros de 2011</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;Conforme prometido, aqui estão os melhores álbuns do exterior.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-CSbPsJl8XgM/TvJp9cIEQSI/AAAAAAAAAK4/p125og9GEE8/s1600/2011.png" style="cursor: pointer; display: block; height: 225px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 270px;" /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;5º.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;The King of Limbs&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Radiohead&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;4º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;Let England Shake&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;PJ Harvey&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;3º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;Nine Types of Light&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;TV on the Radio&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;2º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;Hurry Up, We're Dreaming&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;M83&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;1º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;Kaputt&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Destroyer&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;Preparemo-nos para as novidades do próximo ano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-6980934202305840792?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/6980934202305840792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/12/os-melhores-albuns-estrangeiros-de-2011.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6980934202305840792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6980934202305840792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/12/os-melhores-albuns-estrangeiros-de-2011.html' title='Os melhores álbuns estrangeiros de 2011'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-CSbPsJl8XgM/TvJp9cIEQSI/AAAAAAAAAK4/p125og9GEE8/s72-c/2011.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-2598217703285793682</id><published>2011-12-25T19:39:00.000-02:00</published><updated>2011-12-25T19:45:22.403-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Escolhidos'/><title type='text'>Os melhores álbuns brasileiros de 2011</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;Este ano merece duas listas: uma de álbuns nacionais e outra com os estrangeiros. Comecemos pelos nossos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687545479436453042" src="http://3.bp.blogspot.com/-Z42n5EO60H0/Tu44esmwRLI/AAAAAAAAAKQ/1ueF6DYp3Ag/s400/Brasil2011.png" style="cursor: pointer; display: block; height: 225px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 270px;" /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;5º.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;Canções de Apartamento&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Cícero&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;4º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;O Segundo Depois do Silêncio&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Los Porongas&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;3º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;Um Labirinto em Cada Pé&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Romulo Fróes&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;2º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;Nó na Orelha&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Criolo&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;1º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;Chico&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Chico Buarque&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;Em breve, os gringos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-2598217703285793682?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/2598217703285793682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/12/os-melhores-albuns-brasileiros-de-2011.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2598217703285793682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2598217703285793682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/12/os-melhores-albuns-brasileiros-de-2011.html' title='Os melhores álbuns brasileiros de 2011'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Z42n5EO60H0/Tu44esmwRLI/AAAAAAAAAKQ/1ueF6DYp3Ag/s72-c/Brasil2011.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-1464330129562285765</id><published>2011-11-16T21:06:00.009-02:00</published><updated>2012-02-09T00:02:21.185-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>O ateu que encontrou Deus - Parte VII: Apocalipse (É chegado o fim)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Existe algo eterno. Caso contrário, em algum momento, teria existido o “nada”. Mas é impossível que algo tenha surgido do “nada”, pois este estado é a ausência de qualquer coisa, inclusive de potencialidades. - expôs Bispo João - Este algo eterno não pode existir desde sempre, pois infinito temporal passado não existe. Logo, ele é atemporal, isto é, sem tempo. (...) Segundo as teorias científicas, o tempo, o espaço e a matéria surgiram no Big Bang, ou seja, a matéria só existe no universo. Portanto, o algo atemporal também deve ser imaterial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pretendo demonstrar que a existência do criador é desnecessária. - explicou Alceu - Aliás, o que quero mesmo mostrar ao bispo é que não há e dificilmente haverá motivos convincentes para tomar a hipótese da existência de um criador como verdade absoluta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;==##==&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O fato é que, se o “nada” tivesse existido, existiria ainda hoje, já que nada teria surgido dele. - discordou o bispo - Portanto, havia algo no lugar do nada. O universo é temporal e tempo infinito no passado não existe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alceu retrucou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Continuo achando muito estranha sua insistência em discorrer sobre o “nada absoluto”, um conceito de apreensão aparentemente fácil, porém difícil de ser aplicado sobre a realidade. O universo pode ser o todo. Pronto. Não faz sentido falar em fora dele, antes dele, depois dele. A hipótese que estou apresentando agora se resume a isso: existe o todo, o qual chamamos de universo. O todo possui dimensões espaciais, uma dimensão temporal e, talvez, outras dimensões desconhecidas. Essas dimensões podem ser limitadas, e é bem provável que sejam. Mas não é preciso supor que haja algo além dos extremos das dimensões. Ou seja, não é necessário conjecturar a respeito de um momento anterior ao todo. A dimensão temporal não deveria ser um empecilho para que se tome o universo como o todo, pois, da mesma forma que as demais dimensões, ela só existiria no universo, isto é, no todo, no que há, no que existe. Quando você diz que “se o ‘nada’ tivesse existido, existiria ainda hoje”, ou que “em algum momento, teria existido o ‘nada’”, está extrapolando a dimensão temporal do universo para fora dele. Por que faz isso, como se ela tivesse, necessariamente, que continuar “lá”? Isso não faz muito sentido. Você mesmo disse que o tempo e o espaço começaram no Big Bang, e aqui você tem um bom grau de razão, pois a ciência tem ido mesmo por este caminho: da teoria da relatividade aos modernos conceitos de “supercordas” e “supergravidade”, tudo sugere que o tempo que conhecemos só existe no universo. Por que insiste aplicar o conceito de causalidade entre um objeto não natural - Deus - e um objeto que é, simplesmente, toda a natureza - o universo? Para dizer que a matéria sempre está sujeita ao tempo, o bispo partiu de uma teoria científica, mas depois abandonou a ciência ao assumir como necessária a existência do tempo sem matéria, ou a existência de entidades imateriais e atemporais. Registro que, quando utilizo a palavra “imaterial”, estou dando a ela o mesmo sentido que você pareceu dar ao concluir sobre essa característica, isto é, o de ausência de qualquer componente físico, como matéria e energia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que existe algo ao invés de nada? - indagou o bispo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não sei. - respondeu Alceu - E sei que você também não sabe, pois não dispomos de meios para obter uma resposta definitiva para este problema. Assumindo que eu não esteja sendo completamente enganado e que não esteja sonhando, posso dizer que sei que o universo existe porque estou inserido nele e consigo captá-lo com meus sentidos. Mas não sabemos por que ele existe. Não sei se o mundo sensível é ilusório ou não. E também não sei se existe ou não o transcendente. Você também não sabe, pois é impossível sabê-lo. O máximo que podemos fazer é formular algumas hipóteses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, creditar a Deus a criação do universo não é uma hipótese, e sim uma necessidade. É probabilisticamente impossível que algo como o universo venha a existir sem que uma mente esteja por trás da criação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então também é probabilisticamente impossível que uma mente complexa, capaz de projetar e criar algo como o universo, simplesmente exista, sem nenhuma explicação. Se uma mente assim pode simplesmente existir, então o universo também pode. Um criador tão capaz também precisaria ter sido projetado. Por isso, não há como defender como certa a existência desse ser primordial e absoluto. Se você pode aceitar que um ser assim exista sem ter sido planejado ou criado, então você é obrigado a aceitar que o universo pode existir sem planejamento e sem criação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Está dizendo que o universo pode ter surgido por acaso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não é bem isso que estou dizendo, pois não sei o que o bispo pensa sobre o acaso. Mas, se não for apresentada uma explicação para a existência do criador, também poderemos dizer que ele existe por acaso. Isso se assumirmos que ele existe, é claro. Se considerarmos que, no tempo, cada acontecimento é determinado pelos acontecimentos anteriores, veremos que não há lugar para a sorte. Existem modernas teorias científicas que discorrem sobre multiversos, dimensões paralelas e aleatoriedade real, mas não irei considerá-las agora, visto que, além de ainda não haver comprovação suficiente, tais entidades seriam, em princípio, inatingíveis a partir de nosso ponto de vista. Esta é uma fronteira sobre a qual a humanidade ainda pode avançar. Se fôssemos considerar a existência de multiversos, poderíamos imaginar um cenário em que todos os universos possíveis existem, o que eliminaria qualquer alegação a respeito de improbabilidades. Mas podemos ignorar essas teorias por enquanto, sem prejuízo para a compreensão das ideias das quais estamos tratando. Não gosto das expressões “surgimento” ou “criação” em discussões sobre universo, pois elas costumam ser empregadas de modo a assumir que o universo foi criado ou surgiu em algum momento. Pretendo mostrar, agora, que as coisas podem não ser bem assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tudo que começa a existir foi causado. - afirmou Bispo João.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas as causas estão todas no universo. - rebateu o arquiteto - Ao falar do universo inteiro, é diferente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que devemos levar em conta princípios básicos de causalidade para qualquer outra coisa, menos para o universo? - estranhou o bispo - O problema não é a lacuna no conhecimento. É a lógica!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sua afirmação, basicamente, é de que o universo precisa ter sido causado por algo, pois tudo aquilo com o que lidamos foi causado por alguma coisa. Porém, uma causação do universo seria bem diferente das causações que conhecemos, pois estas são transformações de certas coisas em outras, enquanto o universo teria sido produzido pelo causador a partir do nada. Portanto, já teríamos que lidar com algo diferente da causalidade que conhecemos. Seria preciso aceitar que as regras de causação do universo são diferentes das naturais. E, se podemos assumir regras diferentes para o problema da existência do universo, então por que se sente forçado a aplicar a regra da causalidade a este problema? Você está aceitando eliminar outras regras: materialidade, temporalidade, naturalidade, etc. Por que só não aceita eliminar a causalidade? Além disso, sua afirmação acaba não resolvendo o problema, pois, se tudo precisa ter sido causado, então aquilo que causou o universo também precisaria de uma causa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Materialidade e temporalidade são leis físicas. Se estou especulando sobre algo além do natural, sou obrigado a abandoná-las. Mas a causalidade é diferente, pois é uma lei lógica, e não apenas física. Posso supor um universo onde a as leis gravitacionais sejam diferentes, mas não um onde o resultado de dois mais dois seja diferente de quatro. O que você sugere? Que o universo causou a si mesmo? Que o “nada” o causou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não estou sugerindo nenhuma dessas opções. Da mesma forma que o ser que você supõe pode simplesmente existir, sem causa alguma, então o universo também pode. A causalidade é um conceito lógico, mas, como qualquer outro conceito, foi elaborado a partir da observação da realidade. Caso os conceitos não fossem, de algum modo, baseados no real, não teríamos motivos para considerá-los. Se a causalidade fosse logicamente obrigatória, não haveria como escapar de uma regressão infinita, pois o ser superior também precisaria ter sido causado. Se ele pode existir sem causa, a causalidade obrigatória foi descartada. Para supor Deus, você eliminou a materialidade, a temporalidade, a naturalidade e, por fim, a causalidade, pois o supôs como sendo algo sem causa. A causação do universo teria que ser um evento físico, e não lógico, pois seria um acontecimento concreto, e não uma simples conjectura. Afinal, seria o surgimento de todo o mundo físico que observamos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Após uma breve pausa, Alceu continuou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Todas as causações físicas que conhecemos são, na verdade, transformações. Já a causação do universo, que você supõe, não é uma transformação, e sim a criação de matéria e tempo, sem que haja nada para ser transformado naquilo que está sendo criado, visto que o suposto criador seria imaterial, atemporal e desprovido de tudo o que é natural, como energias físicas. Perceba que a passagem de tempo, isto é, a mudança de estados, é fundamental para a observação da causalidade, principalmente no problema do qual estamos tratando. Você diferencia o criador e o universo dizendo que este último é temporal e possui um começo, ou seja, sua diferenciação é baseada em temporalidade. Você observa que todas as entidades e eventos físicos estão sujeitos ao tempo, possuem um começo no tempo e foram causados por algo anterior a eles no tempo. É a partir dessa observação que você supõe o criador, regredindo em eventos temporais, do efeito para a causa. Seu erro está em, ao chegar ao início da cadeia, abandonar as regras observadas ao longo dela e partir para algo imaterial e não natural. Essa história de causalidade sem realidade não me convence. Causalidade é uma regra que observamos dentro do universo, isto é, onde há tempo. Você conseguiria apresentar um bom exemplo de uma causalidade estritamente lógica, sem nenhuma ligação com o mundo físico e a passagem de tempo? - perguntou Alceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao invés de responder, Bispo João fez outra pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você conhece a definição da palavra “causa”? Ela designa, simplesmente, o ato de trazer alguma coisa à existência. Onde é que consta que os objetos só podem ser causados a partir de outros pré-existentes?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo, para chegar a conclusões seguras, devemos partir de observações da realidade e de raciocínios aplicados sobre tais observações, conforme discutimos no início deste diálogo. A palavra “causa” pode ser definida do modo como você disse. No entanto, não é por isso que podemos assumir que a matéria pode ter sido gerada a partir do nada, contrariando tudo o que observamos. Calma lá! É só uma definição. A linguagem é um código definido pela humanidade para permitir a comunicação, mas as definições do código não servem como provas definitivas sobre fatos concretos, e sim como instrumento de comunicação de tais provas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas, e a lógica? O universo não pode ter criado a si mesmo, pois isso seria um paradoxo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E quando foi que eu disse que o universo teria criado a si mesmo? E o criador? Ele também teria criado si mesmo? Todas as regras lógicas e matemáticas, mesmo aquelas que aparentemente se sustentam sem a realidade física, foram elaboradas ou descobertas pelo homem a partir da observação da realidade. Os seres humanos só pensaram nos números porque tinham entes reais para contar. E as complexas equações, leis e regras matemáticas que hoje conhecemos foram sendo desenvolvidas sobre essa base. A causalidade também foi inicialmente observada empiricamente: os homens a perceberam através da passagem do tempo. A lógica e a matemática são algumas das ferramentas desenvolvidas pela humanidade para compreender a natureza. Mas não há paradoxos na natureza. Os paradoxos só aparecem quando você tenta usar essas ferramentas sem aplicá-las sobre a base a partir da qual surgiram, isto é, a realidade. Numa lógica sem realidade, você pode dizer que uma reta que vai do ponto A ao ponto B pode ser infinitamente dividida, pois podemos dividi-la ao meio, e cada metade também pode ser dividida ao meio, e assim por diante, infinitamente. Mas nenhuma reta do mundo real pode ser assim dividida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, se uma explicação sobre algo é suficiente, não é preciso fornecer uma explicação sobre a explicação. Se o ato de Deus explica e é necessário para a criação do universo, não é preciso provar que ele sempre existiu, pois é necessário que ele não tenha sido causado, para que não haja a regressão infinita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E isso lhe dá a certeza de que existe um Deus pessoal a ser respeitado? Bispo, uma explicação só é válida se resolver o problema ou, pelo menos, permitir um aprofundamento do estudo! Se você não consegue explicar a existência do tal criador e nem apontar um meio de comprovar sua existência, então essa não é uma solução para o problema do universo! Se você pode aceitar o criador misterioso, por que não aceita o universo misterioso? Apenas porque o universo teria um começo? Pretendo mostrar que isso não faz sentido! Você está apenas trocando um mistério, o da existência do universo, por outro! Só que não é uma troca simples e indiferente, visto que ela o faz agir como se existisse um criador inteligente e dotado de intenções! E você faz isso porque se sente forçado a aplicar a causalidade temporal, que observa através da passagem do tempo, a um estado completamente distinto, onde não há sequer tempo! Um universo que existe independente de qualquer outra coisa também evita que haja regressão infinita. Além disso, seu comentário deu a entender que, se há uma explicação suficiente, não há motivos para ficar confabulando a respeito de explicações mais complexas e intangíveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim, com isso eu concordo. - o bispo confirmou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pois é! - retomou Alceu - Um criador pessoal e inteligente, que existe sem maiores explicações, está bem mais distante da realidade do que um universo que existe sem maiores explicações. É bem mais aceitável supor um universo que simplesmente existe do que supor um criador que simplesmente existe e que foi capaz de projetar e criar o universo. O criador é desnecessário. Ao invés de postular um ser fantástico, imaterial, atemporal, não natural, diferente de tudo o que podemos perceber na realidade, e que simplesmente existe, sem maiores explicações, você pode postular um universo fantástico, real, que está bem diante de seus olhos, e que simplesmente existe, tal qual o suposto criador. E veja que bom: não precisamos lidar com imaterialidade, atemporalidade, nem com um ser que cria matéria e tempo num passe de mágica. Ficamos apenas com conceitos que observamos na realidade. Não estou dizendo que dominamos ou que temos conhecimento total da realidade e nem que teremos esse conhecimento algum dia, e sim que é impossível afirmar com certeza que existe um criador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas o que eu disse não é verdade? O universo possui um começo. Portanto, é temporal, contingente. - alegou o bispo - Já o criador seria atemporal. O primeiro precisa ter sido criado, mas o segundo não. Quando falo em “antes do universo”, estou me referindo a uma sequência lógica, e não cronológica. Tudo que surgiu necessita de uma causa. O universo surgiu, mas o criador não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Aí é que está o ponto chave, bispo! Analisemos agora essa história de “começo”. De acordo com o que sabemos, parece não fazer muito sentido dizer que o universo surgiu. Afinal, o universo não passou a existir, isto é, não veio à existência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não há um momento temporal em que o universo não existe seguido de um momento em que ele passa a existir. Se o tempo existe apenas no universo, então não há como localizar um começo para ele em uma suposta sequência temporal absoluta. Sabemos que, após o Big Bang, há uma sequência temporal que vem até o momento presente. Mas, e antes do Big Bang? Ora, essa pergunta nem faz sentido! Não existe “antes do Big Bang”, pois o tempo começa nele. Não existe “antes do universo”. Ele pode ser, e provavelmente é, tudo o que existe. Como o próprio bispo já deu a entender, seria um absurdo a existência de tempo sem matéria, isto é, sem o universo. Isso parece indicar que toda a argumentação do bispo foi construída sobre uma falsa necessidade: a necessidade da existência de algo eterno ou atemporal. Por fim, devo salientar que, se você está questionando a respeito de um momento anterior ao início temporal do universo, então está usando uma sequência cronológica, e não estritamente lógica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Se o universo não tivesse um começo, teria existido desde sempre. - estranhou o bispo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que sempre? Não há sempre. Não existe eternidade, pois não existe um tempo absoluto e infinito. Só há tempo no universo e este tempo é limitado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como pode ter tanta certeza disso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não tenho certeza, bispo. Você já sabe que o que proponho é que não se tome como verdade aquilo que não pode ser comprovado. Só estou evitando falar exclusivamente através de sentenças condicionais. Por isso, irei falar usando afirmações, mas entenda que estou apenas apresentando uma hipótese. Quando eu disser que “não existe um tempo absoluto e infinito”, entenda, por favor, que “é bem provável que não exista um tempo absoluto e infinito”. Você supõe que o criador é atemporal porque parte do princípio de que não deve existir uma sequência temporal infinita no passado. E supõe que ele é imaterial porque parte do princípio de que não existe matéria sem tempo. O que estou pedindo ao bispo é que não abandone esses princípios com os quais concordamos. O próprio bispo disse que o tempo e o espaço só existem após o Big Bang. O espaço-tempo só existe no universo. O espaço e o tempo estão intrinsecamente relacionados entre si, de acordo com a teoria da relatividade, e são, provavelmente, limitados. Você pode até supor a existência de tempo sem matéria, antes do Big Bang, mas não pode ter certeza alguma sobre isso. Além do mais, muitas coisas desencorajam esse tipo de suposição, como a relação inerente e indissociável entre o tempo e o espaço. Perceba, ainda, que um cenário onde existe tempo não pode ser chamado de “nada absoluto”, pois o tempo é algo. Mas o tempo não pode ter sempre existido, como o próprio bispo argumentou, e nem precisa ter sido criado, conforme estou demonstrando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Algo temporal e limitado não pode ser o todo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você só diz isso porque imagina uma sequência temporal absoluta e infinita e, então, pensa que algo precisa ocupar toda essa sequência, para que não exista o “nada”. -argumentou Alceu - Cada objeto ou evento contido no universo é temporal, pois está sujeito ao tempo do universo. Porém, o universo como um todo não está sujeito a nenhum tempo que não seja o seu próprio, pois não há um tempo fora dele que o subjugue. O que comumente se chama de “começo do universo” é, na verdade, um dos extremos da dimensão temporal. Mas esse extremo talvez não seja muito diferente de um extremo de uma das dimensões espaciais. Tudo o que está contido no universo está limitado pela extensão de suas dimensões, mas o espaço-tempo pode continuar expandindo-se indefinidamente, pois não existe nada fora do universo para contê-lo. Tal expansão é percebida apenas internamente, é óbvio, pois não há exterior. Para que algo seja o todo, não é necessário que seja infinito, e concordamos que é provável que não haja infinito real. Para que um objeto seja o todo, basta que ele seja tudo o que existe, ou seja, basta que não exista nada além dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vai parecer que estou sendo repetitivo, mas preciso fazer-lhe algumas perguntas para melhor compreender seu posicionamento. O universo é eterno ou surgiu em algum momento. Se surgiu, só pode ter surgido do nada ou de algo. Qual é mais coerente? - questionou Bispo João.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Irei repetir o que considero o ponto chave para o entendimento do que estou dizendo: o universo não passou a existir, isto é, não veio à existência. Não há um tempo absoluto no qual ele não existia e depois passou a existir. - respondeu Alceu - Não há espaço fora do universo. Logo, o universo não ocupa um espaço externo na medida em que se expande. E seria uma insanidade a tentativa de determinar a localização do universo, visto que não existe um espaço externo no qual localizá-lo. Você não afirma que um criador é necessário apenas pelo fato de as dimensões espaciais serem limitadas. Por um motivo semelhante, a dimensão temporal também não deveria ser um pretexto para que se afirme a necessidade de um criador. Afinal, do mesmo modo que não há um espaço externo, também não há um tempo externo. Os dois tipos de limitação são muito parecidos. Perguntar “onde está o universo?” é tão absurdo quanto perguntar “o que aconteceu dez minutos antes do início do universo?” ou “quando o universo começou?”. Você pode até pensar que a última pergunta faça sentido. Afinal, dentro do universo, podemos tomar como referencial um momento próximo ao Big Bang, compará-lo com o momento presente e dizer que ele começou há cerca de quatorze bilhões de anos. Mas é um referencial interno, como não poderia deixar de ser. Todas as referências espaciais que você faz utilizam pontos do universo. Você diz, por exemplo, que aquele vaso está a dez metros de distância daquela cadeira. - articulou Alceu, apontando para um vaso no canto da sala - Você nunca tenta referenciar um ponto espacial fora do universo, pois seria loucura. Com o tempo é a mesma coisa: todos os referenciais estão no universo. Dizemos, por exemplo, que determinada apresentação terminou há uma hora. O universo não é eterno, pois é bem provável que não exista um tempo absoluto e infinito, mas apenas a dimensão temporal do universo, que é limitada. Mas o universo também não surgiu em algum momento, pois não há um tempo absoluto e infinito onde poderia dar-se a transição da inexistência para a existência. Então, ele não precisa ter sido criado. Ele pode simplesmente existir, do mesmo modo que o criador que você supõe. A expressão “começo do universo” confunde: fica parecendo que ele começou em algum momento de um tempo absoluto. Quando estamos falando do universo como um todo, não há um começo igual aos que costumamos observar dentro dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Numa sequência de dominós que cai, o primeiro precisa ser derrubado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Com essa analogia, o bispo deixa claro que está partindo de um argumento clássico e facilmente refutável: o da necessidade do motor imóvel como causa primeira. O teísta vai regredindo do efeito para a causa, até chegar a uma causa inicial, a qual chama de Deus. O cético pode fazer a mesma regressão, do efeito para a causa, porém não extrapola a natureza, pois vai até o extremo da dimensão temporal, ou seja, vai até a visão de um universo que sabemos que existe. Em sua analogia, os dominós caindo representam a passagem do tempo. Veja que o primeiro dominó só é o primeiro porque não existe um dominó antes dele, isto é, não existe tempo antes dele. Não é necessário que algo externo ao tempo execute uma ação fora do tempo, o que seria um absurdo, para empurrar o dominó e iniciar o tempo. Basta que, no primeiro instante, o primeiro dominó já esteja em uma posição inclinada, na qual a queda seja inevitável. Enquanto discutíamos outra hipótese, você apresentou uma analogia que também pode ajudar a entender o que estou dizendo. Pense no universo de maneira panorâmica ou simultânea, como um painel com uma sequência fotográfica. Apenas elimine o tal ser externo, que estaria observando o painel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim, eu apresentei tal analogia, mas reconheço que ela é um tanto simplista. Uma visão panorâmica só pode ser obtida de algo limitado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O universo é limitado, então a visão panorâmica é possível. Mas não há transição alguma. Antes da foto inicial, não há outra foto, não há tempo, não há nada. A foto inicial é o início da linha do tempo. Não há um acontecimento fora da linha do tempo. Não há como haver transição de “sem tempo” para “com tempo”, por um motivo muito simples: uma transição é um evento temporal e, portanto, necessita de tempo antes e depois dela. Na verdade, para haver transição, é preciso que haja “antes” e “depois”. Só que, neste caso, não há “antes”, pois só há tempo no universo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, minha analogia continua sendo simplista demais, pois, segundo a teoria da relatividade, a relação com o tempo pode variar para um determinado objeto, de acordo sua velocidade. Além disso, existem as deformações do espaço-tempo, observadas nos buracos negros e na força gravitacional dos corpos celestes. Portanto, o universo não pode ser representado por uma sequência regular de fotografias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O bispo tem toda a razão quanto à relatividade. É essa teoria, inclusive, que relaciona intrinsecamente o tempo e o espaço. Mas uma representação completa do universo ainda seria possível. Não simplifique as coisas desnecessariamente. Estamos falando de uma analogia, para facilitar a compreensão. Tal representação não seria um painel com uma sequência fotográfica, e sim um mapa complexo, muito além de uma simples impressão plana, que indicaria o histórico completo de cada partícula no espaço e no tempo. Não seria algo que um humano pudesse observar, mas, no fim das contas, ninguém iria observar de verdade, pois não deve haver nada fora do universo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, você está dizendo que todos os eventos, passados e futuros, estão sempre presentes? Por que, então, eu tenho a impressão de que estamos exatamente neste momento do tempo, no qual estamos discutindo nesta sala?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo, eu não disse isso. Foi apenas uma analogia, ou melhor, uma tentativa de criar uma imagem que o ajudasse a compreender minhas colocações. Pense da seguinte maneira: não são os momentos que estão sempre presentes, e sim a dimensão temporal. Para facilitar, ignoremos, por ora, as deformações do espaço-tempo. Os objetos contidos no universo podem se deslocar através das dimensões espaciais em diferentes sentidos, mas se deslocam em um único sentido na dimensão temporal. Sua consciência está percebendo o presente momento, em que estamos aqui discutindo, devido à sua localização ao longo de cada uma das dimensões espaciais e da dimensão temporal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Insisto que algo limitado não pode ser o todo. Afinal, os limites desse algo seriam uma fronteira entre o “ser” e o “não-ser”. Mas, se o “ser” é tudo o que há, não pode existir um “não-ser”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu já havia dito que, para que algo seja o todo, não é necessário que seja infinito; basta que seja tudo o que existe. Se não existe nada além do universo, então ele é tudo o que existe, mesmo que suas dimensões sejam limitadas. Não existe esse “não-ser” que você acaba de supor. Se não é, não existe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quando você supõe um limite, supõe automaticamente algo além dele, pois está posicionando o universo em relação ao não-universo. Olhe ao seu redor: todos os limites são entre coisas existentes, como as fronteiras entre países. Não há uma fronteira entre algo e nada, já que, se existe algo, o “nada” não existe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo, não fui eu quem falou em limites entre algo e nada, e sim você. Na verdade, concordo com sua última colocação: o “nada absoluto” não existe. Não me venha com jogos de palavras. Todos os limites que você observa ao seu redor estão entre coisas existentes porque estão todos dentro do universo. Esses limites não podem ser comparados às “extremidades” do universo. Não deixe a linguagem limitar seu pensamento e nunca se esqueça de que estamos falando de coisas desconhecidas. Você é capaz de considerar um ser imaterial que cria matéria e atemporal que cria tempo, nada parecido com o que observamos na realidade, mas não pode imaginar que só haja existência dentro do universo, apenas porque as extremidades das dimensões devem ser diferentes dos limites que você pode observar? Não pense que além das extremidades haja o “nada”. Não, não há. Não há existência além das extremidades. “Não há nada” é diferente de “há o ‘nada’”. Esta segunda colocação é absurda. Usemos a primeira: não há nada, não há espaço, não há tempo, não há existência. O universo é tudo o que existe. O que faz parecer que estamos falando de uma fronteira entre algo e nada são as limitações da linguagem e de nossa percepção. Creio que a melhor maneira de transmitir esta ideia seja simplesmente dizer que o universo, apesar de limitado, pode ser o todo, desde que ele seja a única coisa que existe. É bem provável que seja impossível viajar até os extremos do universo e tentar ultrapassá-los. Muitos supõem, inclusive, que, se um corpo seguisse infinitamente numa dada direção, ficaria dando voltas, passando várias vezes pelos mesmos lugares. Nossa percepção limitada é que nos faz pensar o universo como se fosse uma esfera no meio de algo. Mas não é. Em primeiro lugar, porque não haveria algo além da esfera. Em segundo lugar, porque nem seria uma esfera. Essa é apenas uma imagem mental. Não somos capazes de ter uma noção real e precisa a respeito da estrutura do todo. É a mesma dificuldade que você teria para imaginar os detalhes do criador, uma espécie de mente sem matéria, algo realmente estranho. Não se engane, bispo. Mesmo que assumíssemos a existência do tal criador, o universo seria limitado. E aí você diria que a tal entidade imaterial existiria além das extremidades das dimensões do universo? Você posicionaria uma entidade imaterial em relação ao universo material? Ou diria que a entidade imaterial contém o universo material? Não force a barra, bispo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O bispo franziu a testa, mas Alceu prosseguiu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você sabe que várias entidades materiais que parecem ter sido projetadas e criadas são realmente resultado de um processo de planejamento e criação humanos. No entanto, há outras entidades materiais que parecem ter sido projetadas e criadas, mas que você sabe que não são obras humanas. Detalhe: já conhecemos processos cosmológicos, geológicos e biológicos que podem explicar a formação de tais entidades. Então, você supõe um criador imaterial e atemporal, pois, se ele fosse material e temporal, faria parte do conjunto de coisas que parecem ter sido planejadas e criadas. Mas, bispo, um ser inteligente e imaterial, capaz de criar coisas materiais, e que existe por si só, é tão ou mais absurdo do que um universo de coisas materiais que existe por si só. O segundo eu sei que existe, pois posso observá-lo. O primeiro não, pois é apenas uma suposição pouco elaborada, que leva muito pouco em consideração. Veja quantos aspectos fascinantes pudemos considerar nesta conversa, em um tipo de raciocínio bem mais aprofundado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Houve uma pequena pausa. Sob o olhar atento do bispo, o arquiteto avançou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Posso considerar um espírito superior que existe por si só e que criou o universo. Mas também posso considerar um universo que existe por si só e cujos componentes estejam em movimento desde o início da linha do tempo. Pelo princípio da inércia, os corpos em repouso ou em movimento assim permanecem, quando não submetidos à ação de forças ou submetidos a forças de resultante nula, mas nada estabelece que o estado original da matéria do universo seja em repouso. Pense no universo material como um todo. Os objetos contidos nele não são criados e nem surgem; o que temos, na verdade, é a matéria e a energia do universo em constante transformação e movimentação. Ao invés de considerar cada objeto individualmente, atente para o fato de que só existe um único objeto material: o próprio universo. Com base nisso, perceba que é inválida a conclusão de que todo objeto material precisa ter sido causado, pois ela é resultado de uma observação parcial e incompleta do todo. Por que o único objeto material que conhecemos precisa ter sido criado por um outro objeto? Não conhecemos nenhum exemplo real de criação!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bispo João recostou-se na cadeira. Alceu concluiu o raciocínio:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Imagine Deus como uma caixa fechada. Todas as características que você atribui a ele - atemporalidade, imaterialidade - estão na caixa. A caixa é Deus. E ela não depende de nada. Não existe nada além dela. Agora faça o mesmo com o universo. Imagine-o como sendo uma caixa fechada. O espaço e a matéria estão na caixa. O tempo também está na caixa e apenas nela, pois é uma característica intrínseca do universo. A caixa é o universo. E ela não depende de nada. Não existe nada além dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Após uns poucos segundos de reflexão, o bispo perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que estou defendendo é tão ilógico?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É um tanto ilógico, pois não conhecemos nada na natureza que se pareça com isso. Mas o mais importante é que é desnecessário. - respondeu Alceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sempre pensei que, se algo começa, então não existia antes. O que você está querendo dizer é que, quando considero o universo como um todo, isso pode não ser verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim! Seria verdade se estivéssemos falando de um começo inteiramente temporal, isto é, com antes e depois. Para dizer que um objeto não existia, é preciso apontar um momento no tempo em que tal objeto não estava presente. Intuo que o bispo já esteja compreendendo. A dimensão temporal do universo é o tempo. Quando falamos em tempo, estamos falando da dimensão temporal do universo. O cerne desta hipótese é que não há necessidade de nenhum outro tempo além desse. O que chamamos de começo do universo é o extremo de sua dimensão temporal, mas o extremo de uma dimensão espacial também é o começo ou fim de tal dimensão. Porém, não é porque a dimensão temporal é limitada que devemos afirmar que ela não existia. Em que tempo a dimensão temporal não existia, se ela é o próprio tempo? Vamos lá! Quando é que o universo não existia, se a dimensão temporal só existe nele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, começo a compreender seu raciocínio quanto à questão do tempo. Mas a hipótese do criador também é válida, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você quer supor um ser inteligente, dotado de intenções, que vive além da natureza, imaterial, mas capaz de gerar matéria, atemporal, mas capaz de criar tempo, que define regras para que sigamos e que se preocupa com o que fazemos? E você quer fazer isso partindo da conjectura de que, sem esse ser, em algum momento, teria havido o “nada”? Tudo bem, tudo bem. Mas você quer mesmo levar essa suposição tão a sério e viver como se este ser fantástico, saído de suas conclusões, realmente estivesse lá, com sua natureza diferente de tudo o que conhecemos? Não vê absurdos em nenhum detalhe dessa suposição tão alheia à realidade? Considere algumas perguntas. Por que Deus teria definido regras? Por algum capricho? No fim das contas, que diferença há entre criar um universo e ditar regras para seus habitantes e não criar universo algum? Em que momento teria havido o “nada”, se só existe tempo no universo? Tem me parecido loucura você dizer que leva realmente a sério a suposta existência de um ser superior inteligente e pessoal baseado em raciocínios sobre conceitos tão abstratos. Esforço-me para achar essa hipótese ao menos razoável. Por isso me espanto quando você dá a entender que a toma como verdadeira. O bispo sabe que pode estar errado. E eu sei que posso não estar certo. Mas perceba que muitas pessoas usam conclusões não definitivas sobre uma suposta realidade sobrenatural para defender preconceitos e tentar limitar a vida alheia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não tomo os conceitos que defendo como verdade absoluta, mas considero-os plausíveis. - justificou-se o bispo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sinto-me na obrigação de ressaltar que estamos aqui nos referindo à realidade, porém limitados pela linguagem e pela incapacidade de apreensão completa de certos conceitos. Falamos com aparente facilidade a respeito de “atemporalidade”, “imaterialidade”, “nada absoluto” e outras considerações um tanto alusivas, mas sabemos bem que isso resulta, no máximo, em um tipo de representação, que nos permite pensar sobre tudo o que nos cerca, porém está longe de nos fornecer certezas. Agora, estou apelando para a sanidade. Em momento algum você afirmou ter certeza de que está com a razão, e exatamente por isso considero-lhe um bom debatedor, principalmente se levarmos em consideração a natureza do presente diálogo. Não nos esqueçamos de que estamos discutindo um assunto que extrapola o conhecimento de toda a humanidade. Com criatividade e bons conhecimentos de lógica e ciência, podemos formular dezenas de hipóteses para o problema da existência do universo. No entanto, não há meios para testar e comprovar nenhuma delas. Aceito bem quando você diz que considera sua hipótese plausível. Mas se você dissesse que essa hipótese está mais próxima à realidade, então eu ficaria um pouco assustado, pois está supondo coisas pouco concretas, como existências metafísicas e propriedades não naturais, sem apresentar um embasamento suficientemente forte. E quanto ao Deus com intenções, amor, pensamentos? Aqui, a realidade é deixada ainda mais de lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- De fato, o tema é de difícil apreensão, mas as hipóteses devem ser formuladas e sua plausibilidade discutida. O objetivo não é encerrar a questão, e sim identificar o que pode ser verdadeiro e o que é falso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo, não acho apenas difícil chegar a conclusões confiáveis com base em uma lógica que abarque conceitos abstratos e metafísicos. Acho impossível. Isso não significa que vou parar de investigar e de incentivar a evolução do conhecimento. Mas devemos ter consciência de que estamos raciocinando sobre abstrações. Imagine um grupo de cães que se põe a latir para um espantalho, devido à percepção rudimentar de que ele é um inimigo. Por que os humanos seriam tão diferentes, se, em um nível mais avançado, sua percepção também é limitada? Levando ao extremo, arrisco-me a afirmar que, mesmo que alguém apresentasse uma argumentação lógica consistente a favor da existência de um ser superior, ainda assim seria seguro manter uma dose de dúvida, pois as regras e conceitos lógicos são elaborados a partir de nossa observação e conhecimento limitados. E isso vale para todas as demais conclusões. A lógica, tal qual a definimos e utilizamos, e que considero essencial, nasceu de uma estrutura física limitada, o nosso cérebro, que caminha mais no sentido de permitir a sobrevivência do que o perfeito entendimento do que chamamos de universo. As limitações desse tipo de estratégia tornam-se ainda mais evidentes quando nos damos conta de que, além de simples regras lógicas, estamos lidando com conceitos representativos e alusivos. Neste problema, estamos muito distantes de uma argumentação capaz de eliminar todas as demais alternativas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Conversas como essa servem, particularmente, para colocar minhas crenças à prova, aferi-las, aprimorá-las, substituí-las ou rejeitá-las. - disse o bispo - Busco discutir à exaustão para equacionar os pontos divergentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Entendo e concordo. - sinalizou Alceu - Independente das classificações da lógica clássica, distingo, grosso modo, dois tipos de lógica. Um mais exato, atrelado à matemática ou aplicado sobre eventos bem conhecidos, com o qual tive algum contato durante minha formação em arquitetura. É o que costumam chamar de “lógica formal”. Esse tipo trata de proposições como “se A é igual a B e B é igual a C, então A é igual a C”, ou “se a bola está dentro da caixa, então a caixa não está vazia”. Estes são exemplos simples, mas é possível chegar a problemas bem mais complexos. O outro tipo é mais humano, mais representativo. Com esse tipo tomei contato em minha pós-graduação em áreas da filosofia. Ele inclui abstrações como estas que estamos utilizando, ao fazer suposições sobre elementos imateriais, que existiriam além da física, e conceitos como “tempo absoluto”, “nada absoluto”, entre outros. Está mais próximo do que chamam de “lógica filosófica” ou “lógica epistêmica”. É este segundo tipo que estamos utilizando aqui, e ele não é capaz de fornecer certezas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Naquele exato momento, os dois ouviram alguns ruídos vindos do lado de fora da sala. Parecia que o assistente estava limpando o piso. Alceu prosseguiu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Lógica, filosofia, teologia, história, ciências em geral... Todas as disciplinas servem para organizar o conhecimento acumulado pela humanidade. Mas nenhuma delas é independente da observação e do estudo da realidade. A filosofia surgiu dessa observação e das dúvidas por ela suscitadas. As bases da ciência estão na filosofia. E a filosofia transforma-se no decorrer no tempo, justamente porque o conhecimento da humanidade também se transforma, pois se torna cada vez maior, graças às ciências e sua contínua observação e estudo da realidade. Sempre ouço alguém a dizer que o problema da existência de Deus cabe à filosofia ou à teologia, e não à ciência, mas isso é de uma estupidez tremenda, pois todas as disciplinas do conhecimento são indissociáveis e partem da mesma base, que é a realidade. Filosofia, geologia, matemática, astronomia, química, enfim... Todas têm seus microscópios, telescópios e olhares apontados para a realidade. A única diferença é que cada uma delas procura focalizar uma porção do todo, mas com sobreposições e interseções enormes. Nenhum aspecto da realidade está fora do escopo da ciência. É claro que ela não consegue alcançar tudo o que há para ser conhecido, mas é seu objetivo conseguir. Suposições como essas das quais tratamos podem até servir de base para um processo de investigação e descoberta, desde que combinadas a métodos mais razoáveis e criteriosos. Por si só, não são suficientes para que se saia por aí como se existisse um Deus que age, ama, ouve e julga. Afinal, elas se encontram em um campo mais especulativo do que propriamente científico. Para não ser mal interpretado, registro que a lógica, enquanto parte essencial da ciência, é um instrumento indispensável à construção do conhecimento e ao desenvolvimento da tecnologia. Porém, quando você coloca objetos atemporais e imateriais em sua argumentação, está utilizando recursos que lhe permitem, em tese, resolver absurdos e paradoxos, mas mesmo estes dois últimos são conceitos elaborados por humanos, e nada disso atesta a existência de entidades além do escopo no qual somos capazes de atuar. A simples suposição de algo além da natureza, não físico, é um grande passo no desconhecido. Quando estamos fazendo suposições sobre o que não conhecemos, podemos até apresentar hipóteses alternativas entre si, porém sem contradições e paradoxos aparentes. Afinal, formular hipóteses sobre o desconhecido não o torna conhecido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Compreendo, compreendo. Mas não posso deixar de notar que minha vida é um verdadeiro milagre. - observou o bispo - Nasci em meio ao caos e trilhei caminhos tortuosos até a juventude. Tinha tudo para dar errado. Por isso, reconheço facilmente a presença de Deus em minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O bispo já deve ser capaz de intuir minha opinião a respeito desse assunto. Sabemos bem que coisas boas e ruins acontecem às pessoas, por mérito delas ou devido a fatores externos. Algumas têm mais sorte que outras, é claro, pois não há nada para dividir o bom e o ruim de modo igualitário entre todos. Se a sorte fosse igualmente distribuída, aí sim teríamos motivos para suspeitar da existência de um ser organizador. - ponderou Alceu - Não há nenhum motivo para supor que seja necessária a intervenção de algum ser superior para ajeitar as coisas. Olhe ao redor. As leis físicas nunca são desrespeitadas e cada acontecimento parece ser determinado por aquilo que ocorreu anteriormente. O bispo deveria orgulhar-se de ter conseguido mudar os rumos da própria vida. E deveria também reconhecer os seus méritos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, creio que consegui captar bem o seu ponto de vista, mas farei mais duas perguntas antes de encerrarmos esta discussão. O que você me diz a respeito das consequências de viver sem crer em Deus?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alto lá! Se quiser defender o teísmo de um modo que considero mais honesto, com base nos benefícios que podem advir da crença ou como forma de controle social, fique à vontade, mas ressaltemos que seria uma discussão completamente distinta. Aqui estamos discutindo a respeito da existência de Deus. O interesse é concluir se ele existe ou não, e se há como chegar a alguma certeza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você deseja que todos se tornem ateus?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Gostaria que a humanidade fosse mais tolerante, mais criteriosa em sua eterna busca pela verdade e respeitasse mais a individualidade de cada ser humano. É claro que não odeio os teístas. Apenas discordo de algumas de suas atitudes, apesar de concordar com outras. Parece-me, infelizmente, que muitas pessoas só fazem boas ações sob influência das religiões. Se você deseja manter a crença em um ser imaterial, atemporal, não natural, que possui inteligência e intenções, eu irei achar estranho, mas é um direito seu. Se você disser que esse ser nos ama, nos observa e nos julga, com base em regras definidas por ele mesmo, irei achar ainda mais estranho, mas é seu direito também. Agora, se você passar a discriminar ou tentar limitar a vida de outras pessoas com base nessas crenças, isto é, com base em suposições a respeito das quais não podemos ter certeza, aí eu ficarei preocupado. Sim, é isso o que me incomoda: a falta de respeito por aqueles que pensam e agem de modo diferente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você tem bons argumentos, Alceu, mas não posso concordar com todos eles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sua relutância não me surpreende, bispo. Você dificilmente mudaria as crenças que guiaram toda a sua vida após uma única conversa. Gostaria apenas que aceitasse que não há certezas no assunto do qual tratamos. Portanto, não há razão para o radicalismo e o desrespeito que vemos por aí. Mesmo assim, apreciei o contato. Espero que possamos conversar mais vezes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bispo João conduziu Alceu até a porta da sala. Assim que ela foi aberta, pôde-se ver o assistente a limpar o piso, próximo à escada que levava ao saguão. Despediram-se e, dali, Alceu seguiu sozinho. O bispo estava pensativo. As ideias apresentadas por Alceu ainda se acomodavam em sua mente, enquanto ele mantinha a mão sobre a maçaneta. Mas sua atenção foi repentinamente atraída por estranhos sons vindos da escada. Alceu havia rolado doze degraus abaixo, após deslizar acidentalmente no piso escorregadio. O assistente desceu correndo. O bispo foi logo atrás.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O corpo de Alceu estava inerte no chão. Uma mancha vermelha formou-se no carpete, sob sua cabeça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-1464330129562285765?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/1464330129562285765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1464330129562285765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1464330129562285765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html' title='O ateu que encontrou Deus&lt;br&gt; - Parte VII: Apocalipse (É chegado o fim)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-3953287373732357665</id><published>2011-10-27T14:06:00.006-02:00</published><updated>2012-02-15T23:45:49.492-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Escolhidos'/><title type='text'>Dez excelentes filmes de terror</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de filmes muito violentos. Acho que esta postagem tem de começar assim, para que não pensem que o gênero foi escolhido devido a uma predileção especial. Pretendo fazer listas de alguns gêneros - já fiz uma &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/05/dez-excelentes-filmes-de-todos-os.html"&gt;geral&lt;/a&gt; e outra sobre &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/cinco-excelentes-filmes-de-guerra.html"&gt;guerras&lt;/a&gt; - e gostaria, desde já, de livrar-me do terror... digo... dos filmes de terror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha aversão a grande parte das obras do segmento - e "aversão" é uma ótima palavra neste contexto - é resultado óbvio de minha repulsa a qualquer tipo de violência. Creio que seja antinatural o ato de gostar de ver outros indivíduos da mesma espécie - ou mesmo outros seres vivos - sendo vítimas de violência extrema. E isso não significa que ignoro o fato de que há muita violência na realidade. Há mais crueldade no mundo do que qualquer ser humano é capaz de suportar. O problema é que muitos dos recentes filmes do estilo têm sido feitos não para causar sustos e medo, o que poderia resultar em um bom tipo de entretenimento, mas nojo e repulsa, através da exposição de muito sangue, vísceras, torturas e formas cada vez mais criativas de matar, mutilar e destroçar seres humanos, ultrapassando todos os limites da sanidade. Se você afirmar que aprecia ver pessoas inocentes sendo trucidadas, mesmo que em simulações, não espere que os outros aceitem isso com naturalidade. Convenhamos que é um gosto, no mínimo, estranho. Sob este aspecto, concordo com as palavras de Carlos Heitor Cony:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;Os que gostam de filmes violentos acusam os que não gostam de avestruzes, que mergulham a cabeça na areia para fugirem da realidade. (...) Acontece que, queiramos ou não, somos consumidores e muitas vezes vítimas dessa realidade. Não precisamos estetizá-la nem maquiá-la de obra de arte, com boa iluminação, boa interpretação, boa produção, enfim. Ela é melhor - se é que a violência pode ser melhor e mais real - na vida diária que vivemos. (...) Esta violência é que nos devia ensinar alguma coisa e motivar a sociedade seriamente. &lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não quero, aqui, julgar as predileções daqueles que admiram os filmes violentos. Estes devem servir-lhes como forma de dar vazão a certos sentimentos ou vivenciar experiências, de algum modo, estimulantes. Espero que os que dizem que tais obras não influenciam atitudes violentas estejam certos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro as películas capazes de despertar reflexões e causar emoções, inclusive as mais chocantes, a partir de elementos mais tácitos e subentendidos, pois estes revelam grande capacidade de seus criadores, dada a maior destreza requerida na manipulação de sutilezas, em contrapartida a imagens de sexo ou violência explícitos, as quais também são difíceis de serem dosadas, mas costumam se aproximar mais do ato de simplesmente apontar algo já bem conhecido na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que há grandes obras entre os filmes de terror. Caso contrário, a presente lista não teria sido feita. Aqui estão filmes que, além de assustar, surpreendem, divertem e levantam interessantes questionamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-text-decorations-in-effect: underline; color: #0000ee;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667988116080747458" src="http://4.bp.blogspot.com/-le2BjSER6WU/Tqi9KUog48I/AAAAAAAAAJg/n5cz9SO5kmI/s320/Terror10a6.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 98px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;10.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Linha Mortal&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;flatliners&lt;/i&gt; - EUA, 1990)&lt;br /&gt;Direção: Joel Schumacher&lt;br /&gt;Roteiro: Peter Filardi&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ao desafiar a morte, cinco jovens vêem-se forçados a encarar seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Os Outros&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;the others&lt;/i&gt; - Espanha, EUA e França, 2001)&lt;br /&gt;Direção: Alejandro Amenábar&lt;br /&gt;Roteiro: Alejandro Amenábar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Admitir a possibilidade de se estar errado pode tornar as coisas mais fáceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Os Pássaros&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;the birds&lt;/i&gt; - EUA, 1963)&lt;br /&gt;Direção: Alfred Hitchcock&lt;br /&gt;Roteiro: Daphne Du Maurier (enredo), Evan Hunter (roteiro)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Os maiores medos surgem quando as coisas mais simples tornam-se grandes ameaças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Anticristo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;antichrist&lt;/i&gt; - Alemanha, Dinamarca, França, Itália e Suécia, 2009)&lt;br /&gt;Direção: Lars von Trier&lt;br /&gt;Roteiro: Lars von Trier&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Obra densa, consegue abarcar vários temas sem perder a coesão, da dor da culpa à depressão, o caos humano e o ginocídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carrie, a Estranha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;carrie&lt;/i&gt; - EUA, 1976)&lt;br /&gt;Direção: Brian De Palma&lt;br /&gt;Roteiro: Lawrence D. Cohen, baseado em romance de Stephen King&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Uma educação conservadora e fundamentalista transforma um dom especial em uma tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0000ee;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667988624705699058" src="http://3.bp.blogspot.com/-kdaW3gfKA1I/Tqi9n7aJvPI/AAAAAAAAAJs/48k1m7bL1nw/s320/Terror5a1.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 231px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Alucinações do Passado&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;jacob's ladder&lt;/i&gt; - EUA, 1990)&lt;br /&gt;Direção: Adrian Lyne&lt;br /&gt;Roteiro: Bruce Joel Rubin&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um mistério envolvente, repleto de imagens perturbadoras e com um final à altura: surpreendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Extermínio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;28 days later&lt;/i&gt; - EUA, França e Inglaterra, 2002)&lt;br /&gt;Direção: Danny Boyle&lt;br /&gt;Roteiro: Alex Garland&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Em vinte e oito dias, quase toda a população foi transformada em zumbis, mas este não é o único problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Psicose&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;psycho&lt;/i&gt; - EUA, 1960)&lt;br /&gt;Direção: Alfred Hitchcock&lt;br /&gt;Roteiro: Joseph Stefano, baseado em romance de Robert Bloch&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um ótimo roteiro, excelentes personagens, direção magistral e um grande segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Nevoeiro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;the mist&lt;/i&gt; - EUA, 2007)&lt;br /&gt;Direção: Frank Darabont&lt;br /&gt;Roteiro: Frank Darabont, baseado em conto de Stephen King&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um grupo de pessoas escondido em um pequeno mercado descobre que seu comportamento pode ser pior do que que as criaturas que se escondem no nevoeiro que tomou conta da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Iluminado&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;the shining&lt;/i&gt; - Inglaterra, 1980)&lt;br /&gt;Direção: Stanley Kubrick&lt;br /&gt;Roteiro: Stanley Kubrick e Diane Johnson, baseado em romance de Stephen King&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Imagens marcantes e ambientes amplos, porém claustrofóbicos, de um cenário que se torna protagonista, trazem à tona o pior lado da loucura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-3953287373732357665?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/3953287373732357665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/10/dez-excelentes-filmes-de-terror.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/3953287373732357665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/3953287373732357665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/10/dez-excelentes-filmes-de-terror.html' title='Dez excelentes filmes de terror'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-le2BjSER6WU/Tqi9KUog48I/AAAAAAAAAJg/n5cz9SO5kmI/s72-c/Terror10a6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-2949572059421370032</id><published>2011-10-10T19:41:00.005-03:00</published><updated>2011-10-10T19:50:19.009-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vácuo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sentimentos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Sete satélites</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Em verso metrificado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;É que existe a minh’alma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Fosse fora do traçado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Seria, então, minha alma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;ponto final&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-2949572059421370032?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/2949572059421370032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/10/sete-satelites.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2949572059421370032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2949572059421370032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/10/sete-satelites.html' title='Sete satélites'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-2952449301000125899</id><published>2011-10-04T16:03:00.000-03:00</published><updated>2011-10-04T16:04:03.626-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Bichinhos fofinhos (Téo)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-0ywjm3Svq_A/TotYIOOZuFI/AAAAAAAAAJY/0aGG8N2p3RY/s1600/Teo.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-0ywjm3Svq_A/TotYIOOZuFI/AAAAAAAAAJY/0aGG8N2p3RY/s400/Teo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659714255001860178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-2952449301000125899?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/2952449301000125899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/10/bichinhos-fofinhos-teo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2952449301000125899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2952449301000125899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/10/bichinhos-fofinhos-teo.html' title='Bichinhos fofinhos (Téo)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-0ywjm3Svq_A/TotYIOOZuFI/AAAAAAAAAJY/0aGG8N2p3RY/s72-c/Teo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-7223258885138690710</id><published>2011-07-28T22:45:00.007-03:00</published><updated>2012-02-09T00:01:50.128-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>O ateu que encontrou Deus - Parte VI: Lamentações (O fim está próximo)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João nasceu em uma família desamparada. Viveu com a mãe, solteira e alcoólatra, até por volta dos onze anos de idade, quando trocou o pequeno barraco pelas ruas da cidade. Praticava pequenos furtos e assaltos. Aos quatorze, foi pego pela polícia e encaminhado a uma instituição de apoio e recuperação de menores delinquentes. Ali teve contato com o cristianismo, através de um programa da igreja que enviava representantes para dialogar com os jovens. Sempre fechado, porém interessado, acabou sendo acolhido pela ordem religiosa. Muito tempo passou-se até que se tornasse bispo. De fisionomia firme e cerrada, falava pouco, mas tratava muito bem aqueles com quem se relacionava, desde que não o irritassem, pois, nessas ocasiões, mostrava que a firmeza não estava apenas nos músculos faciais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Naquele dia, o assistente adentrou a sala e avisou que havia chegado um visitante. O bispo autorizou a entrada, pois o encontro já estava marcado. Era Alceu. Sem muita delonga, o religioso expôs sua intenção, assim que ambos acomodaram-se:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Meu caro Alceu, irei tratar de um assunto um tanto delicado, mas espero que compreenda. Como você já sabe, o Papa visitará o país em poucas semanas. Há grandes chances de que ele passe aqui pela região, devido à presença de duas cidades que são verdadeiras referências para os devotos. Eu sou, inclusive, integrante da comitiva que organiza os preparativos, o que me deixa sobremaneira orgulhoso. Mas há algo a incomodar-me. Trata-se do tal debate na universidade, no qual discutirão sobre a existência de Deus. Ele será realizado em uma data muito próxima à da passagem do Papa, o que poderia criar uma imagem negativa da região frente aos ilustres visitantes e à imprensa. Gostaria muito que vocês adiassem o evento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alceu informou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Entendo suas preocupações, Bispo João, mas, apesar de minha participação, não faço parte do comitê organizador. No entanto, prometo que levarei sua solicitação aos responsáveis. Acho difícil uma alteração, pois a visita do Papa deve ter sido a motivação para que a universidade decidisse promover a discussão do assunto. A data deve ter sido assim escolhida propositalmente. Mas aproveito para tranquilizá-lo: não creio que o evento seja capaz de gerar tanto impacto. Um público muito restrito deverá interessar-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O bispo passou a exibir um semblante mais leve.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Agradeço desde já pelo esforço que desprenderá, Alceu. Tentarei contatar um dos organizadores na universidade, a fim de aumentar as chances de obter algum êxito. Mas há algo que ainda me intriga. - continuou o bispo - Sobre que bases sustenta sua postura de não crer na existência de Deus? Possuo formação em filosofia e teologia e defendo a existência do criador de um modo lógico e racional, independente até da religião que professo, pois o teísmo não precisa, necessariamente, de crenças religiosas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O bispo não irá repetir os clássicos argumentos teológicos e filosóficos, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não. Você já deve estar cansado deles. Mas, como você prova que Deus não existe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Na verdade, bispo, é impossível demonstrar com total certeza a inexistência de certas coisas, como a das fadas. Minha postura não se baseia nesse tipo de prova, e nem em fé, como a de muitos teístas. A base do meu pensamento é, na verdade, uma tentativa de manter a coerência diante daquilo que conheço e que posso perceber. No caso da existência de Deus, apenas não tenho motivos para tomá-la como verdadeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como demonstra que sua postura não se baseia em um tipo de fé?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não costumo manter certezas absolutas a respeito de nada. Percebo apenas que há coisas observáveis, demonstráveis, e outras não. Com base nisso, é possível retirar conclusões a respeito do que pode ser verdadeiro. Tenho plena consciência, no entanto, de que é bem provável que nunca deteremos alguma verdade absoluta, talvez com exceção de coisas como os teoremas matemáticos, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você confia cegamente na ciência?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É claro que não. Nem afirmo que a ciência encontrará mais respostas. Apenas suponho que irá encontrá-las, baseado no fato de que as está encontrando dia após dia. Se, no entanto, suas descobertas cessarem, este não será um motivo para inventar explicações. Também suponho que o sol nascerá amanhã, baseado naquilo que posso conhecer. Suposições feitas a partir de fatos observados não configuram fé. Mas são apenas suposições e assim devem ser encaradas. Não podemos nos esquecer de todos os benefícios que a ciência nos proporciona em suas diversas áreas de atuação e que tornam nossas vidas mais fáceis e confortáveis: física, química, mecânica, eletrônica, robótica, aeronáutica, história, matemática, estatística, geologia, medicina, entre tantas outras. E recordemo-nos também do enorme atraso imposto pela religião ao progresso do conhecimento ao longo dos séculos. A ciência não é detentora da verdade, mas sim de um método relativamente confiável que permite a constante revisão, ampliação e refinamento do conhecimento. O que considero um problema é o ato de inventar explicações e tomá-las por verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas cada indivíduo possui sua própria verdade. Você não conhece as percepções e sensações das outras pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Concordo. E as verdades pessoais não me preocupam. - explicou Alceu - O que não posso aceitar é que alguém utilize suas próprias percepções para tentar interferir na vida de outras pessoas, muitas vezes contra a vontade delas. Entenda que não estou negando a necessidade das interações sociais. Afinal, a vida em sociedade só é possível graças a um contrato estabelecido entre seus indivíduos. A interferência nociva a que me refiro aqui é aquela que se dá através dos preconceitos ou das tentativas de limitar o comportamento e os direitos daqueles que pensam e agem de um modo diferente. Todos têm o direito de expressar suas opiniões, mas só podemos aceitar que afetem o contrato social se possuírem suficiente embasamento e não forem simples resultado de crendices. Uma verdadeira democracia respeita as decisões da maioria, sem restringir os direitos de qualquer grupo minoritário, isto é, sem tornar-se uma "ditadura da maioria". Imagine se a maioria pudesse optar “democraticamente” pelo extermínio de determinada minoria ou pela restrição dos direitos de algum grupo. Seria um regime democrático ou fascista? Até pouco tempo, nos Estados Unidos, os negros eram obrigados a utilizar banheiros públicos separados. Em todo o mundo, as mulheres não tinham direito ao voto. Não há como negar que tão melhor será uma democracia quanto mais educado e esclarecido for o seu povo. Se fôssemos obrigados a aceitar a fé e as verdades pessoais como justificativas para as ações que afetam outras pessoas, não poderíamos condenar um terrorista que apresentasse tais artifícios como motivação para suas atrocidades. O mais importante, entretanto, é que os teístas que se dizem mais racionais, como você, dificilmente defendem seu posicionamento com base em verdades pessoais. Geralmente, partem da mesma base que eu, isto é, a lógica e o conhecimento científico, porém chegam a conclusões diferentes, utilizando raciocínios que considero inválidos, como procuro demonstrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Permita-me uma pequena provocação, Alceu. Não lhe parece que você tem certeza de que não deve ter certezas? Como fundamentar esta certeza? E, no fim das contas, não está fazendo um apelo à ignorância, idolatrando o ceticismo para defender o ateísmo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Reconhecer claramente o que conhecemos, admitir o que desconhecemos, não parar de buscar respostas por métodos que possuam um bom grau de confiabilidade, não inventar respostas para as perguntas que não conseguimos responder... Tudo isso está muito longe de um apelo à ignorância. Trata-se uma postura, no mínimo, coerente. O ateísmo não é a causa do meu ceticismo, isto é, não busco o ceticismo para justificar o ateísmo. Na verdade, o ceticismo é a causa do meu ateísmo. Acreditar não é algo que se escolhe: você acredita ou não com base no que observa e conhece. Não há como decidir acreditar. O máximo que você pode fazer é mentir sobre o próprio pensamento, para os outros e para si mesmo, ao fingir que acredita ou que não acredita. Essa tentativa de transformar a postura coerente de duvidar daquilo do que não posso ter certeza em uma espécie de certeza da dúvida é um tanto insana. Duvido porque não tenho certeza. Defendo que devemos agir de acordo com as informações a respeito das quais podemos ter um bom grau de confiança e tomar muita cautela diante do que não é possível conhecer ou concluir com alguma segurança. É perigoso lidar com problemas reais baseando-se em conclusões pouco embasadas. Não tenho certeza da dúvida. O que tenho são, simplesmente, dúvidas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A ciência pode conseguir mostrar como as coisas acontecem - registrou o bispo - mas não é capaz de provar que não existe uma realidade sobrenatural. Isso é uma questão filosófica. Você não consegue demonstrar, nem mesmo empiricamente, que o empirismo, isto é, a experimentação, é o único modo de se obter um conhecimento válido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O cérebro, aliado aos sentidos, que captam os dados externos, é a estrutura que nos permite conhecer aquilo que chamamos de “realidade”. - declarou Alceu - Mas não há motivos para supor que essa estrutura permita que apreendamos com perfeição as informações. O que sabemos, na verdade, é que o cérebro possui falhas e está suscetível a lapsos, traumas e desvios. Nossos sentidos também são falhos, causam ilusões perceptivas, e nem são os melhores que existem. Há outros animais com sentidos diferentes e até mais apurados, capazes de perceber a realidade de outra maneira. Alguns podem enxergar a luz ultravioleta, por exemplo. Com a evolução científica, a humanidade ampliou sua capacidade de captar informações, utilizando máquinas, instrumentos e sensores. Tudo o que conhecemos é apreendido através desse aparato natural e tecnológico. É a partir disso que formulamos nossos pressupostos e axiomas básicos. Assumimos que existimos, pois nos captamos inseridos em um meio junto a outros indivíduos, os quais também presumimos existir. Também assumimos que o que captamos pelos sentidos é a realidade, tendo sempre em mente que eles ou o cérebro podem falhar e causar enganos. Se relativizássemos demais e assumíssemos que tudo é um grande engano e que não devemos considerar nem esses pressupostos básicos, então não haveria razão para prosseguirmos nesta conversa, pois estaríamos aceitando que todas as pessoas pudessem tomar qualquer devaneio como verdade, transformando a vida em sociedade em um caos inimaginável, bem maior do que já é. Sabemos que todos são livres para agir desse modo irracional, mas, se vamos aceitar ou não esse comportamento, isso dependerá do tipo de sociedade em que queremos viver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Em que tipo de sociedade você quer viver?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Em um tipo que respeita a individualidade e a liberdade de cada um de seus integrantes. Uma sociedade na qual os direitos de um indivíduo não poderiam ser limitados devido a simples opiniões de outros. O que proponho está longe de um modelo de total permissividade. É claro que existiriam limites: eles estariam, principalmente, no respeito aos direitos de cada um. Haveria restrições e proibições, mas estas estariam amparadas por conhecimentos suficientemente embasados. Crenças religiosas não fazem parte desse tipo de conhecimento, pois se baseiam em suposições não comprovadas e, muitas vezes, não comprováveis, como poderei demonstrar neste diálogo. O que considero muito positivo é que nossa forma de organização social já é muito semelhante a esta que descrevi. A coisa mais importante que devemos fazer é preservar essas características e coibir os impulsos daqueles que desejam subjugar a realidade a seus desejos e caprichos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A existência de Deus pode ser algo evidente para a pessoa que nele crê. Tão evidente quanto a própria existência. - observou o bispo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Lamento, bispo, mas não há como aceitar que tal ideia seja evidente. Já vi muitas pessoas tentarem colocar a questão dessa forma, querendo fazer parecer que o ônus da prova cabe ao ateu, como se este fosse o autor da contestação ou da afirmação que desafia o óbvio. Isso é uma distorção tremenda, pois quem contesta o óbvio é aquele que afirma a existência do sobrenatural. Podemos identificar claramente os níveis das conclusões ao longo do processo de formação do conhecimento. Uma criança percebe a existência das entidades materiais que a rodeiam. Através da repetição, começa a apreender diversas noções, como a de causalidade. Percebe, por exemplo, que, toda vez que empurrar um objeto leve, este irá deslocar-se. Mas mesmo essa simples conclusão já se encontra em um nível mais alto do que a simples percepção do ambiente. A capacidade de classificar e agrupar os objetos também é de um nível superior. A afirmação da existência do sobrenatural e de divindades está em um nível ainda mais alto, pois necessita de um raciocínio mais elaborado. Ateus e teístas, em um nível mais básico, percebem a realidade praticamente do mesmo modo. Dificilmente vejo um teísta a apresentar informações que tenha captado através de um meio diferente daqueles de que disponho. Portanto, para defender como verdadeiras suas afirmações, o teísta precisa demonstrar claramente como chegou a suas conclusões a partir da realidade por ele conhecida, que, na maior parte dos casos, é a mesma realidade conhecida por um ateu. Este último, a princípio, não necessita demonstrar nada nesse sentido, pois não está fazendo afirmações que ultrapassem a realidade percebida. No entanto, frente à afirmação do teísta, surge, para o ateu, a necessidade de demover o crente de sua iniciativa de tomar como evidente algo que não é. Para isso, um ateu dogmático deve mostrar como concluiu que divindades não existem, enquanto um ateu cético, como eu, só precisa mostrar que não há motivos para considerar verdadeira a existência do sobrenatural.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Em uma discussão filosófica, o sobrenatural pode ser aceito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pode ser aceito enquanto hipótese, mas nunca demonstrado como verdade. De que tipo de filosofia está falando? A filosofia é e sempre foi muito importante para a ciência e para o desenvolvimento do conhecimento. O bispo sabe que valorizo essa disciplina ao extremo, pois também possuo formação na área. Mas ela evoluiu com o passar do tempo, juntamente com a ciência. Suposições a respeito do sobrenatural, hoje em dia, não possuem mais o peso que possuíam há mais de dois mil anos, quando Aristóteles fazia a metafísica dar seus primeiros grandes passos. Tenho percebido uma tentativa de refúgio na filosofia e na teologia por parte dos teístas, mas essas disciplinas não eliminam a necessidade do método científico e de uma utilização sensata da lógica para a construção de um saber minimamente confiável. Podemos conjecturar sobre possibilidades, desde que as encaremos como possibilidades. A simples discussão filosófica, sem se apoiar em uma base científica, isto é, sem recorrer a uma base de conhecimentos que consideremos segura, não é capaz de chegar à confirmação do sobrenatural e nem à sua negação, e isso se aplica a toda a gama de possíveis suposições. É claro que não existem métodos totalmente confiáveis. Nem nossos sentidos o são. O que temos é uma padronização, que seguimos testando, revisando e aperfeiçoando. Sem contar que sabemos muito bem identificar métodos não confiáveis, como visões durante o sono ou estados de consciência alterados, relatos distantes de milagres, ou a aceitação incondicional de algo que está escrito em um livro milenar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Com uma postura tão cética, como você conclui que o ateísmo está mais próximo da verdade que o teísmo? - perguntou o bispo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A postura de manter uma dúvida racional e buscar por respostas, sem fazer pressuposições não embasadas, pode lhe aproximar da verdade, seja ela qual for. Porém, se você tiver começado assumindo algo como verdade, como fazem muitos teístas, terá se aproximado apenas daquilo que assumiu, passando ao largo de todas as demais possibilidades que poderiam ser verdadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Acontece que muitos teístas, mais moderados, não partem do pressuposto de que Deus existe. Eles chegam à conclusão de que ele existe através de argumentos racionais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo João, ao longo de tantos anos tratando deste assunto, ainda não fui apresentado a nenhum argumento convincente. Por isso, continuo sem motivos para acreditar na existência de Deus. - expôs Alceu - Nasci sem crenças, obviamente. Em diversos momentos de minha vida, foram-me apresentadas hipóteses a respeito do problema da existência do universo e de outros problemas não resolvidos pela humanidade. Em outros momentos, formulei minhas próprias. Várias dessas hipóteses foram satisfatoriamente testadas por experimentos. Outras ficaram à mercê de argumentações incapazes de fornecer-me alguma certeza ou de convencer-me a levá-las mais a sério que outras hipóteses. Tenho certezas sobre o suposto surgimento do universo? Não. Tenho certeza de que Deus existe? Não, e acho que grande parte dos tais teístas moderados também não. Tenho certeza de que Deus não existe? Não, pois existe uma possibilidade de que ele exista. A probabilidade é alta? Não me parece, pois, frente às dezenas de hipóteses que podemos formular, essa é apenas mais uma. Através de registros históricos, já podemos estudar as origens e a evolução das mitologias e crenças ao longo da história da humanidade. Lembre-se do que eu disse sobre a percepção da realidade e sobre o que realmente pode ser considerado evidente. E quanto ao Deus pessoal, que nos observa, ouve, julga e ama? Ora, aqui a probabilidade é ainda menor, pois estamos especificando demais, sem critério algum. Frente a isso, devo viver como se essa entidade existisse ou como se não existisse? Minha resposta é que devo viver de modo indiferente a essa questão. É importante lembrar que muitos teístas que se dizem moderados costumam incentivar o teísmo fundamentalista de outras pessoas, sem nenhum peso na consciência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, explicar as origens de uma crença não invalida o objeto dessa crença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quando o objeto da crença não pode ser comprovado, explicar a origem da crença colabora com a aceitação de que ela pode não passar de uma mentira. Conforme eu já disse, ainda não vi, até hoje, uma confirmação para o objeto da crença da qual estamos tratando, e conheço motivos, os quais estou mostrando pouco a pouco nesta conversa, para pensar que é bastante improvável que cheguemos a essa confirmação. Entender as origens da crença, então, ajuda a desacreditar ainda mais o seu objeto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pelo que estou entendendo, você encara a existência de Deus como mera hipótese.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que motivos eu deveria encará-la de outro modo? Podemos formular várias hipóteses para a questão do universo, e muitas já foram formuladas. A hipótese da existência de um criador só existe porque foi formulada em algum momento, ora! Como não é possível testar objetivamente nenhuma delas, não posso negar esta hipótese em específico, bem como nenhuma outra. Como ter certeza de que esta não é uma simples hipótese, mas a verdade absoluta? Sinceramente, não entendo como vocês consideram plausível a existência de um ser inteligente, não natural, e que, conscientemente, por vontade própria - vontade, uma característica que observamos nos seres vivos - decidiu criar o universo, e ainda o fez a partir do nada. Isso não lhe soa um tanto infantil? O que dizer, então, do Deus amoroso, que nos ouve e nos julga?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não me interessa como meu pensamento lhe parece! - reclamou o bispo, elevando um pouco o tom de voz - No meu caso, o teísmo possui bases mais profundas, como a lógica. Irei apresentar, agora, uma argumentação coerente em favor da existência de um criador do universo. Caberá a você apontar alguma inconsistência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alceu percebeu um tom desafiador na voz do bispo. Sentiu-se um pouco incomodado, uma vez que nunca encarava as discussões como disputas a vencer, e sim como oportunidades de compartilhar pensamentos e visões e até de rever os próprios posicionamentos. Bispo João, então, prosseguiu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Existe algo eterno. Caso contrário, em algum momento, teria existido o “nada”. Mas é impossível que algo tenha surgido do “nada”, pois este estado é a ausência de qualquer coisa, inclusive de potencialidades. Este algo eterno não pode existir desde sempre, pois infinito temporal passado não existe. Logo, ele é atemporal, isto é, sem tempo. A matéria é dependente do tempo, que é a sucessão de eventos ou estados. Para que a matéria fosse eterna, teria que ser independente do tempo, visto que não é possível haver um infinito temporal passado. Segundo as teorias científicas, o tempo, o espaço e a matéria surgiram no Big Bang, ou seja, a matéria só existe no universo. Portanto, o algo atemporal também deve ser imaterial. Algum problema até aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim, há alguns problemas. - observou Alceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Permita-me apresentar o raciocínio de um modo levemente diferente. - continuou o bispo - Existem coisas contingentes na natureza. Tais coisas devem sua existência a outras coisas. Se todas as coisas fossem assim, contingentes, então, em algum momento, não teria existido nada. Mas, se isso tivesse ocorrido, nada existiria, pois não haveria nada para trazer algo à existência. Portanto, se há coisas que existem, então, necessariamente, deve haver algo cuja existência não dependa de nenhuma outra coisa. Ainda vê problemas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo João, quando fazemos suposições a respeito de conceitos que nossa limitada capacidade de percepção não nos permite apreender, corremos o risco de cair em simples jogos de palavras. Se o “nada” é a ausência de tudo, inclusive de potencialidades, também é a ausência de tempo. Logo, não faria sentido falar em um “nada” antes da existência de alguma coisa. Não é necessário pensar em termos de uma transição, do nada para o todo. Falar com tanta propriedade sobre um momento anterior ao universo, e ainda chamá-lo de “nada”, não faz muito sentido. Um universo independente de qualquer outra coisa não é mais absurdo que um criador independente de qualquer outra coisa. E de onde o criador teria tirado a matéria do universo? Do nada? Pensemos o seguinte: o universo, provavelmente, é limitado, espacial e temporalmente. Podemos supor que seus limites sejam os limites da existência, não havendo nada além deles. Nem faria sentido falar em “além deles”, pois é provável que não haja um lado de fora. Por que se sentir forçado a aplicar a lei de causalidade, que é algo que observamos dentro do universo, isto é, dentro do que é natural, a algo que estaria além da natureza? Além disso, você supôs de modo muito fácil algo atemporal, independente do tempo, apenas para que esse algo não fosse eterno. À parte de tudo isso, podemos supor que o universo sempre existiu, talvez até de modo atemporal, como disse o bispo sobre o criador. Ou imaginar um universo cíclico, que se renova periodicamente, e que nos permite observar apenas o ciclo atual. Podemos, ainda, estar inseridos em uma simulação muito bem feita. E se o universo tiver surgido a partir de uma estrutura impessoal que possui a propriedade de gerar todos os universos possíveis? Perceba que apenas apresentei suposições. Não há motivos, no entanto, para levar a hipótese de um criador para o universo mais a sério que essas ou qualquer outra que formulássemos. Não nos esqueçamos de que a noção da humanidade a respeito dos limites do universo ampliou-se ao longo do tempo. Os homens já pensaram que seu continente fosse todo o universo, depois pensaram o mesmo sobre o planeta. Não faz muito tempo, descobriram que existem outras galáxias. Não estou afirmando que os limites irão expandir-se ainda mais, mas podemos também supor que isso ocorrerá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não compreendi sua objeção à atemporalidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O conceito de atemporalidade é de difícil apreensão. Como pode um objeto atemporal relacionar-se com um objeto temporal? A passagem de tempo em um dos objetos não poderia ser usada para medir o tempo no outro objeto? Se a atemporalidade for levada muito a sério, podemos encarar o tempo no universo como uma dimensão não muito diferente das espaciais. A relação entre dois momentos distintos seria muito parecida com a relação entre dois pontos do espaço: uma relação de distância, porém com ambos os pontos ou ambos os momentos sempre presentes. Devido à relatividade, seria mais correto, inclusive, falarmos em pontos-momentos. Assim como as dimensões espaciais teriam seus limites, a temporal também os teria. Além disso, se podemos supor um único criador para o universo, por que não supor múltiplos criadores, como uma espécie de comunidade de deuses? Ou uma hierarquia: o universo possui um criador, que possui um criador, que possui em criador, até chegar a um criador no topo. Isso ainda seria um tipo de teísmo, mas é um bom modo de atentar para o fato de que postular um criador para o universo não encerra o problema. Sem contar que, seguindo essa lógica, podemos chegar a hipóteses um tanto absurdas e até meio pueris. Para não deixar de fora outras variantes do teísmo, devemos considerar também o seguinte: se já é difícil defender como certa a existência de um criador, é ainda mais difícil defender o mesmo quanto a um criador que nos ama, que ditou regras para que seguíssemos, que nos ouve, observa e julga. Afinal, este segundo tipo é bem mais específico, exigindo uma argumentação bem mais extensa e trabalhosa, e que, provavelmente, precisaria ainda da comprovação do primeiro tipo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um criador amoroso não é mais absurdo que um criador qualquer. Não é pela quantidade de argumentos que se comprova um ou outro tipo de criador. Você não precisa provar as características de Deus para afirmar que ele existe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Para simplesmente afirmar, não. Mas para convencer alguém disso, precisa sim. Defender um criador amoroso, observador e juiz é sim mais difícil do que simplesmente defender a existência de algo eterno. Para tentar provar um Deus com tantas características, seria preciso demonstrar a presença de cada uma dessas características.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, minha argumentação não se torna inválida apenas porque você não consegue apreender alguns conceitos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não é isso, bispo. Não se trata de um problema com a minha capacidade cognitiva. A simples criação de conceitos não transforma em realidade aquilo que eles descrevem. A questão da refutabilidade de argumentos desse tipo é um tanto subjetiva. Você apresentou bons argumentos, mas uma argumentação muito boa não é suficiente para defender e influenciar práticas como se existisse um ser superior. Para isso, além de ser boa, precisaria ser incontestável. Em vários momentos, sinto que estamos falando de definições inatingíveis, sem uma ligação íntima com o real. Acho muito interessante esse tipo de discussão desafiadora e estimulante, capaz de proporcionar momentos prazerosos. Não vejo problemas em uma pessoa que aprecia entrar nessas discussões do lado do teísmo, e eu mesmo poderia debater a favor do teísmo e também achar interessante. Seria como trocar as peças pretas pelas brancas em uma partida de xadrez, ou vice-versa. Só não compreendo quando algumas das suposições começam a ser levadas muito a sério, como no caso de teístas que baseiam seu pensamento na lógica, porém se põem a defender algumas insanidades de fundamentalistas. Posso fazer suposições sobre o desconhecido durante uma discussão, mas nunca tomá-las por verdade ao interagir com a realidade, influenciar em decisões importantes ou avaliar uma postura possivelmente discriminatória. Quando vejo a realidade sofrer um impacto desferido pela suposta existência de um criador, penso que pode estar havendo um exagero. Ao afirmar-me como ateu cético, não intenciono desferir um impacto pelo lado oposto, abalando ainda mais a realidade, mas apenas esclarecer que não acho saudável conferir a simples suposições um peso tão grande. Você se diz racional, dá à razão o seu devido valor, mas sabe que existem pessoas, por diversos interesses, disseminando a ignorância, o obscurantismo, a intolerância e uma visão de mundo compatível com a da Idade Média. Torço para que os indivíduos mais racionais, independente de se denominarem teístas, ateus ou agnósticos, consigam convencer o restante da sociedade a abandonar a ignorância e sua consequência mais nefasta: a intolerância.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, compreendo suas preocupações, mas não estou utilizando a lógica de modo irresponsável. Os argumentos que apresentei foram muito bem embasados. Veja, por exemplo, a questão do tempo infinito no passado. Se o tempo fosse infinito no passado, haveria uma quantidade infinita de dias antes de hoje. Então, hoje seria o fim do infinito. Mas infinito não tem fim. Se chegamos ao dia de hoje, então o passado não é infinito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo João, concordo que é bem provável que o tempo não seja infinito no passado. Aliás, penso que não existe infinito real, mas apenas conceitual. “Infinito” é uma palavra que utilizamos quando nos referimos a grandezas que não conseguimos apreender, do mesmo modo que empregamos a palavra “aleatório” para tratar de eventos cujas causas não são completamente conhecidas. Mas pretendo demonstrar que seus argumentos não estão tão embasados. Analisemos uma das hipóteses que apresentei: aquela que supõe que universo surgiu de uma estrutura impessoal que possui a propriedade de gerar todos os universos possíveis. Sei que parece estranho o uso da palavra “universo” nesta hipótese, visto que estamos lidando, na verdade, com um “multiverso”, mas continuemos assim, para facilitar a compreensão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;- Está supondo matéria sem tempo? Como isso seria possível? É um absurdo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O bispo acha um absurdo supor a existência de matéria sem tempo, devido a um conhecimento científico, mas acha normal um ser atemporal, imaterial e, ainda por cima, pessoal, isto é, dotado de características intelectuais semelhantes às humanas, como raciocínio, intenção, entre outras. Estranho... E quanto ao tempo sem matéria, que o bispo está assumindo como possível ao perguntar o que havia antes do universo? Mas o fato é que não estou supondo matéria sem tempo. Fui mal compreendido. A estrutura que supus é atemporal e imaterial, como o criador que você supõe. A diferença é que ela é impessoal: não possui intenção, não ama, não planeja. Sua principal propriedade seria a capacidade de gerar automaticamente todos os universos possíveis, mesmo que só haja um universo possível. Se você pode supor um criador inteligente e pessoal, posso tranquilamente supor tal entidade. Perceba que não considero estas suposições plausíveis. Minha hipótese foi criada a partir da sua e serve para contestá-la.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Se essa estrutura atemporal e imaterial fosse impessoal, a criação de todos os universos possíveis deveria ter acontecido imediatamente à sua existência, ou seja, os universos criados existiriam desde sempre. - contestou o bispo - Mas nosso universo não existe desde sempre, como já concordamos. O criador precisa ser pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- “Imediatamente à sua existência” e “desde sempre” são conceitos temporais. Se a estrutura é atemporal, não existe desde sempre, pois é independente do tempo, isto é, não há “sempre” para ela. Os universos, portanto, foram gerados independentemente do tempo. Você fala como se a estrutura, caso fosse pessoal, pudesse planejar um momento para criar os universos, em contrapartida a “imediatamente à sua existência” ou “desde sempre”. Mas uma estrutura que planeja um momento é temporal, pois está lidando com o tempo, situando os universos em determinado ponto de uma sequência temporal externa a esses universos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bispo João reagiu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Em agentes automáticos, o efeito é provocado logo que eles existem. Se os universos são gerados independentemente do tempo, então são gerados todos juntos, já que não podem ter sido gerados um após o outro. A estrutura pessoal, por outro lado, não planejaria um momento para criar os universos, mas apenas decidiria sair da letargia, da inércia. Sei que parece estranho, mas imagino duas possibilidades que podem resolver o problema da interação entre objetos temporais e atemporais: na primeira, suponho que o criador torna-se temporal quando cria o universo; na segunda, suponho que ele continua atemporal e enxerga o universo de maneira simultânea ou panorâmica, ou seja, ele vê todos os eventos do passado, do presente e do futuro, como se observasse um painel com uma sequência fotográfica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo, se vai mesmo supor a atemporalidade, esteja preparado para lidar com os problemas de um conceito tão alheio à nossa percepção. A palavra “atemporal” não significa “existe desde sempre”, e sim “sem tempo”. Não é adequado falar em “logo que a estrutura existe”, pois, se ela é atemporal, então não vem à existência, não sofre transição, mas existe de modo independente do tempo. Se concordamos que o tempo só existe no universo, ou nos universos, então não há motivos para supor um tempo absoluto, acima de tudo. Os universos não são gerados todos juntos, isto é, ao mesmo tempo, e nem um após o outro, pois estas expressões pressupõem a existência de tempo fora dos universos. E a estrutura pessoal? Se ela pode decidir passar de um estado de letargia e inércia para um estado de ação, então está sujeita a uma transição de estados, o que implica em sujeição ao tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Deus criou o tempo em dado momento. Não estou pressupondo que o tempo já existia. O universo é uma consequência lógica, e não cronológica, do criador. Concordo que é estranho, mas é uma necessidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você disse que não está pressupondo que o tempo já existia, mas afirmou que Deus criou o tempo em um dado momento. Que história é essa? Só existem momentos se houver tempo. O bispo está afastando-se cada vez mais de um raciocínio realmente lógico, além de estar contradizendo-se. Um objeto atemporal não sofreu transição da inexistência para a existência porque não está sujeito ao tempo. Mas ele não existe desde sempre, isto é, não é eterno, justamente porque não está sujeito ao tempo. Se não há tempo, não há “sempre”. Se houvesse, cairíamos no problema do tempo infinito no passado, o qual você tanto quer evitar. Portanto, a estrutura que supus não existe eternamente ou desde sempre, pois é atemporal. Ela simplesmente existe, independentemente do tempo, e, como consequência lógica de sua existência, e não cronológica ou temporal, todos os universos possíveis existem. Você disse o mesmo sobre o seu criador: que o universo é uma consequência lógica dele. Estou apenas parafraseando sua hipótese, para evidenciar alguns absurdos e mostrar que a pessoalidade é desnecessária. Alguns dos universos gerados podem ter dimensões semelhantes à nossa dimensão temporal. A estrutura geradora, no entanto, não estaria sujeita a nenhum desses tempos, pois é atemporal, e não haveria também um tempo absoluto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E se a decisão estiver tomada independentemente do tempo, mas o momento decidido for bem definido?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Isso a estrutura impessoal poderia fazer. Mas, mesmo assim, não há como existir um momento da criação, se não houver um tempo absoluto e infinito no qual localizar esse momento. Só que, se esse tempo absoluto e infinito existisse, o momento da criação nunca teria chegado, como bem disse o próprio bispo ao argumentar que não existe tempo infinito no passado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, como poderia a estrutura atemporal ter gerado seu efeito há apenas quatorze bilhões de anos atrás e não mais? A minha resposta é: há quatorze bilhões de anos, o criador decidiu sair do estado de imobilidade e praticar suas potencialidades. Deus não ficou esperando; ele existia imutável, inativo, até que decidiu criar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bispo, por que continua falando como se existisse um tempo absoluto que subjuga até mesmo o criador pessoal que você supõe? Os quatorze bilhões de anos só existem dentro do universo. Se o criador é atemporal e não existe um tempo absoluto e infinito, como ele pôde escolher um momento para a criação do universo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E se Deus não tiver mudado de estado? E se ele existir de modo atemporal e tiver apenas determinado o momento da criação?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Determinado o momento? Dentro de uma sequência temporal absoluta? Já falamos sobre isso. Mas vamos supor que seja possível determinar o tal momento. Um objeto atemporal deve ser estático, pois não pode sofrer transformação alguma. Portanto, um possível criador atemporal teria que ter o referido momento gravado, registrado, imóvel. Logo, poderia ser impessoal. Nenhuma pessoalidade seria necessária.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, o que pretende com essa contra-argumentação?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pretendo mostrar que é desnecessário e absurdo que o criador seja pessoal, isto é, que ele tenha características humanas, como as capacidades de pensar, decidir e agir. Uma estrutura impessoal com a propriedade de gerar todos os universos possíveis teria dado conta do recado. E creio que o bispo já tenha percebido isso. Agora, pretendo demonstrar que a existência do criador é desnecessária. Aliás, o que quero mesmo mostrar ao bispo é que não há e dificilmente haverá motivos convincentes para tomar a hipótese da existência de um criador como verdade absoluta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(continua...)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-7223258885138690710?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/7223258885138690710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/7223258885138690710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/7223258885138690710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html' title='O ateu que encontrou Deus&lt;br&gt; - Parte VI: Lamentações (O fim está próximo)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-5614461558073156107</id><published>2011-07-21T14:00:00.011-03:00</published><updated>2011-07-21T14:31:16.188-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Escolhidos'/><title type='text'>Cinco excelentes filmes de guerra</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;br /&gt;A classificação dos filmes em gêneros serve para orientar o espectador em sua busca do que assistir, mas não deve, de modo algum, limitar as obras, enclausurando-as em compartimentos isolados e intransponíveis. Não gosto muito desses rótulos, mas confesso que eles são úteis em algumas situações, como na elaboração de uma lista como esta. Alguns gêneros indicam o formato ou técnica de produção do filme (documentário, animação, etc.), outros evidenciam o teor do enredo (drama, comédia, etc.). Há também aqueles que refletem, simplesmente, o tema do filme, isto é, aquilo de que ele trata. É o caso dos chamados "filmes de guerra". Esse tipo possui fãs cativos, e grande parte deles apreciam o estilo porque adoram ver muita ação, explosões, sangue e o triunfo de um exército do bem contra os soldados do mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Não faço parte desse grupo. Pelo que podemos perceber ao longo da história da humanidade, não existem exércitos totalmente do bem. Guerras são acontecimentos bárbaros, repletos de interesses secretos e questionáveis de grupos que desejam manter ou ampliar seus domínios, e que, para tal, promovem o massacre de seres humanos tão inocentes quanto aqueles que são induzidos a exterminá-los. Ainda há mais guerras que o tolerável para sociedades que se dizem civilizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;"Mas alguns conflitos são necessários", dirão alguns, "ao menos para conter ameaças como Hitler ou Bin Laden". Posso concordar em parte, desde que não nos esqueçamos de que tais ameaças não surgem do nada, mas das próprias disputas injustificadas que dominam as relações entre os povos, em nome do interesse de poucos, que nunca sujam as próprias mãos e mantêm uma distância segura de qualquer risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;qui estão filmes que expõem os fatos que são tão comuns em guerras. Há tiros e sangue, triunfo e sofrimento. Mas eles vão um pouco além e questionam a brutalidade e a necessidade de conflitos tão desumanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 231px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631857288785746674" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-pjaiyCZX5tk/TihgXYPE2vI/AAAAAAAAAJQ/RgQVgWNsf38/s320/Guerra.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sem Novidade no Front&lt;/strong&gt; (ou &lt;strong&gt;Nada de Novo no Front&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;all quiet on the western front&lt;/em&gt; - EUA, 1930)&lt;br /&gt;Direção: Lewis Milestone&lt;br /&gt;Roteiro: Erich Maria Remarque (peça - &lt;em&gt;im westen nichts neues&lt;/em&gt;), Maxwell Anderson (adaptação), George Abbott (roteiro), Del Andrews (adaptação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;4.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leões e Cordeiros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;lions for lambs&lt;/em&gt; - EUA, 2007)&lt;br /&gt;Direção: Robert Redford&lt;br /&gt;Roteiro: Matthew Michael Carnahan&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valsa com Bashir&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;valse avec bachir&lt;/em&gt; - Alemanha, França e Israel, 2008)&lt;br /&gt;Direção: Ari Folman&lt;br /&gt;Roteiro: Ari Folman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nascido para Matar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;full metal jacket&lt;/em&gt; - EUA, 1987)&lt;br /&gt;Direção: Stanley Kubrick&lt;br /&gt;Roteiro: Stanley Kubrick (roteiro), Gustav Hasford (roteiro e romance - &lt;em&gt;the short timers&lt;/em&gt;), Michael Herr (roteiro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Apocalypse Now&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;apocalypse now&lt;/em&gt; - EUA, 1979)&lt;br /&gt;Direção: Francis Ford Coppola&lt;br /&gt;Roteiro: John Milius (roteiro), Francis Ford Coppola (roteiro), Joseph Conrad (romance - &lt;em&gt;hearth of darkness&lt;/em&gt;), Michael Herr (narração)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-5614461558073156107?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/5614461558073156107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/cinco-excelentes-filmes-de-guerra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5614461558073156107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5614461558073156107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/cinco-excelentes-filmes-de-guerra.html' title='Cinco excelentes filmes de guerra'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-pjaiyCZX5tk/TihgXYPE2vI/AAAAAAAAAJQ/RgQVgWNsf38/s72-c/Guerra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-6442826636943747015</id><published>2011-06-01T22:14:00.000-03:00</published><updated>2011-06-01T22:14:00.311-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vácuo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Descobertas novas estruturas genéticas na espécie humana: os simiossomos</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: x-large;"&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;SÍM&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;IOS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: x-large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="color: navy;"&gt;SOM&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;OS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="color: navy;"&gt;SIM&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="color: navy;"&gt;SEM&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; SOM&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;BRA&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; DE DÚ&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: navy;"&gt;VIDA&lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; SOM&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;OS&lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; SÍM&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;IOS&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; DÚ&lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;BIOS&lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; SEM&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; SOM&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;BRA&lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; COM&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; SOB&lt;/span&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;RA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: green;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-6442826636943747015?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/6442826636943747015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/06/descobertas-novas-estruturas-geneticas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6442826636943747015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6442826636943747015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/06/descobertas-novas-estruturas-geneticas.html' title='Descobertas novas estruturas genéticas na espécie humana: os simiossomos'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-6690851014821878485</id><published>2011-05-19T23:08:00.009-03:00</published><updated>2011-05-30T23:02:37.768-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Escolhidos'/><title type='text'>Dez excelentes filmes (de todos os tempos)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O título original deste texto seria "Os dez melhores filmes de todos os tempos". Mas me dei conta de que estaria exagerando, visto que, para início de conversa, só posso escolher os melhores filmes dentro de um universo bem limitado: o daqueles aos quais assisti. É inegável, no entanto, que, com o passar do tempo, acabamos desenvolvendo um tino que nos ajuda a perceber se determinada película poderá valer a pena ou será uma completa perda de tempo, mesmo antes de assisti-la, o que delimita de forma positiva esse universo. As referências e a própria publicidade do filme também ajudam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O critério que utilizei foi a listagem das obras que vieram mais rapidamente à minha memória quando tentei puxar o que vi de melhor. O resultado, em minha modesta opinião, é uma sequência que transcende a simples experiência de distrair-se frente a uma tela com imagens em movimento, pois cada um deles possui grande potencial para incentivar reflexões e transformar pontos de vista. Além, é claro, de proporcionar momentos prazerosos. Bom divertimento!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-PCD43VLeEBE/TdMuWwN2YWI/AAAAAAAAAI8/kA1vvkJdIME/s1600/VanillaSky.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607876929441390946" src="http://3.bp.blogspot.com/-PCD43VLeEBE/TdMuWwN2YWI/AAAAAAAAAI8/kA1vvkJdIME/s320/VanillaSky.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;               &lt;td align="left" valign="top"&gt;10.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Vanilla Sky&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;vanilla sky&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- EUA, 2001)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Cameron Crowe&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Cameron Crowe, baseado em filme de Alejandro Amenábar e Mateo Gil (&lt;i&gt;abre los ojos&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Espanha, França e Itália, 1997)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- A vida e as consequências das pequenas e grandes escolhas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-c5tWtCJUMfQ/TdMuNDTVykI/AAAAAAAAAI0/moBcoq3wFxo/s1600/Trainspotting.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607876762766002754" src="http://3.bp.blogspot.com/-c5tWtCJUMfQ/TdMuNDTVykI/AAAAAAAAAI0/moBcoq3wFxo/s320/Trainspotting.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;               &lt;td align="left" valign="top"&gt;9.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Trainspotting - Sem Limites&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;trainspotting&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Inglaterra, 1996)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Danny Boyle&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: John Hodge, baseado em romance de Irvine Welsh&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- Polêmico sem ser raso. As drogas e a artificialidade da vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;           &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-3j9Y1AmKTVk/TdMtyK_mY2I/AAAAAAAAAIk/qtr6-EAL-4Y/s1600/Amnesia.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607876300974220130" src="http://4.bp.blogspot.com/-3j9Y1AmKTVk/TdMtyK_mY2I/AAAAAAAAAIk/qtr6-EAL-4Y/s320/Amnesia.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;8.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Amnésia&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;memento&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- EUA, 2000)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Christopher Nolan&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Christopher Nolan, baseado em conto de Jonathan Nolan&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- História sobre vingança, invertida devido à condição do protagonista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2h1GQ6oHbNE/TdMtmW29b4I/AAAAAAAAAIc/gaS6yb9p8uE/s1600/Rope.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607876098000777090" src="http://4.bp.blogspot.com/-2h1GQ6oHbNE/TdMtmW29b4I/AAAAAAAAAIc/gaS6yb9p8uE/s320/Rope.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;7.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Festim Diabólico&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;rope&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- EUA, 1948)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Alfred Hitchcock&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Patrick Hamilton, Hume Cronyn, Arthur Laurents, Ben Hecht&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- Suspense e tensão em uma sequência "aparentemente" sem cortes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UEvUoywEIeU/TdMtUzmzEEI/AAAAAAAAAIU/nTqRX0h-Xe0/s1600/SangueNegro.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607875796479971394" src="http://4.bp.blogspot.com/-UEvUoywEIeU/TdMtUzmzEEI/AAAAAAAAAIU/nTqRX0h-Xe0/s320/SangueNegro.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;6.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Sangue Negro&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;there will be blood&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- EUA, 2007)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Paul Thomas Anderson&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Paul Thomas Anderson, baseado em romance de Upton Sinclair&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- À frente, petróleo. Ao fundo, uma crítica ao sistema e à religião.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-P-YCSMHw3Lk/TdMtItWpTOI/AAAAAAAAAIM/6UDxImOPtCs/s1600/LaranjaMecanica.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607875588643179746" src="http://1.bp.blogspot.com/-P-YCSMHw3Lk/TdMtItWpTOI/AAAAAAAAAIM/6UDxImOPtCs/s320/LaranjaMecanica.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;5.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Laranja Mecânica&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;a clockwork orange&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Inglaterra, 1971)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Stanley Kubrick&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Stanley Kubrick, baseado em romance de Anthony Burgess&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- A banalização da violência e os limites do combate à mesma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0A7u3T1rbac/TdMsx_t1O_I/AAAAAAAAAIE/53IFGQjSLNk/s1600/ClubeDaLuta.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607875198435277810" src="http://2.bp.blogspot.com/-0A7u3T1rbac/TdMsx_t1O_I/AAAAAAAAAIE/53IFGQjSLNk/s320/ClubeDaLuta.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;4.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Clube da Luta&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;fight club&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- EUA e Alemanha, 1999)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: David Fincher&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Jim Uhls, baseado em romance de Chuck Palahniuk&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- Crítica contundente aos mecanismos que limitam os indivíduos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-IYPlhpAdoIE/TdMsjbX1ZiI/AAAAAAAAAH8/GzspueJODco/s1600/Dogville.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607874948161168930" src="http://4.bp.blogspot.com/-IYPlhpAdoIE/TdMsjbX1ZiI/AAAAAAAAAH8/GzspueJODco/s320/Dogville.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Dogville&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;dogville&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Alemanha, Dinamarca, EUA, França e Holanda, 2003)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Lars von Trier&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Lars von Trier&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- Primeiro da trilogia sobre os Estados Unidos e o comportamento humano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4MquiMDwd-8/TdMsT6GusNI/AAAAAAAAAH0/Km2hwFpyawk/s1600/12AngryMen.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607874681533018322" src="http://3.bp.blogspot.com/-4MquiMDwd-8/TdMsT6GusNI/AAAAAAAAAH0/Km2hwFpyawk/s320/12AngryMen.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Doze Homens e uma Sentença&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;12 angry men&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- EUA, 1957)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Sidney Lumet&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Reginald Rose&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- A importância da dúvida contra certezas infundadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ogqty-i5OJs/TdMsEsE_yGI/AAAAAAAAAHs/Xn5JdU4UFBQ/s1600/2001.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607874420069615714" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ogqty-i5OJs/TdMsEsE_yGI/AAAAAAAAAHs/Xn5JdU4UFBQ/s320/2001.jpg" style="height: 100px; margin-top: 0px; width: 100px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;2001: Uma Odisséia no Espaço&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(&lt;i&gt;2001: a space odyssey&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- EUA e Inglaterra, 1968)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Direção: Stanley Kubrick&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Roteiro: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- A deslumbrante jornada do homem através do espaço-tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-6690851014821878485?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/6690851014821878485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/05/dez-excelentes-filmes-de-todos-os.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6690851014821878485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6690851014821878485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/05/dez-excelentes-filmes-de-todos-os.html' title='Dez excelentes filmes (de todos os tempos)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-PCD43VLeEBE/TdMuWwN2YWI/AAAAAAAAAI8/kA1vvkJdIME/s72-c/VanillaSky.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-358725771093860281</id><published>2011-03-30T21:40:00.007-03:00</published><updated>2012-02-09T00:00:53.354-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>O ateu que encontrou Deus - Parte V: Deuteronômio (Revisão da lei em benefício da dúvida)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu mantinha-se recluso naqueles dias. Preparava-se para o debate entre fé e secularismo, organizado pela universidade na qual lecionava, que ocorreria dali a algumas semanas. Da sala, no sofá, ouviu tocar o telefone e, logo em seguida, a voz da esposa:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Querido, um representante de um tal Instituto da Luz do Divino Reino deseja falar com você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alceu dirigiu-se até o cômodo onde instalara uma espécie de escritório.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alô... Sim, tudo bem... Muito prazer, Luciano. Claro, podemos conversar por alguns minutos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Do que se trata, Alceu? - cochichou Elza, curiosa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O marido cobriu o microfone por alguns segundos e respondeu em voz baixa:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É um instituto de divulgação religiosa. Entrou em contato comigo a pedido de um certo Jaó, um dos dirigentes da igreja que Dona Santinha frequenta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vê se não estende muito a conversa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alceu sinalizou positivamente com a cabeça e retornou ao telefone. Elza retirou-se para a sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Veja, Luciano, que, do lado das religiões, temos indivíduos que aceitam verdades reveladas e apresentam sentimentos e experiências pessoais como motivos para essa aceitação. Costumam utilizar uma palavrinha estranhamente supervalorizada, “fé”, que parece revestir-se de um poder inexplicável, mas que significa, no sentido religioso, a simples crença em dogmas. Geralmente, ouvem falar a respeito de Deus pela primeira vez durante a infância, pela boca dos próprios pais. Estes ouviram de seus pais, que também ouviram dos seus, e assim por diante. É a mesma época em que também costumam ouvir o rico acervo de lendas infantis que todos conhecemos. Acreditam que Deus existe, que ele criou todo o universo e que os ama. Não vejo muita diferença entre esse tipo de crença e a de um louco que acredita poder voar, a não ser o fato de, no primeiro caso, a sociedade aceitar como normal e até incentivar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Elza sentou-se e, sem muito a fazer naquele momento, de longe, pôs-se a prestar atenção naquilo que o marido dizia a Luciano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Do outro lado, temos, para simplificar, a dúvida. Pessoas que não aceitam uma explicação apenas por julgá-la conveniente. Levam suas vidas de forma independente de um suposto plano sobrenatural, pois possuem tantos motivos para crer nele quantos para crer em assombrações. Não se importam muito com o fato de não terem todas as respostas, pois sabem que isso seria impossível. Sim, meu caro, isso é uma postura racional. Alguns gostam tanto dessa perspectiva, que se põem a questionar outras pessoas, para que algumas delas também possam, eventualmente, perceber o lado positivo de ser um pouco mais cético. E não é que muitas o percebem, ao começar a inquirir a si mesmas? Isso é pensamento crítico. Irracional é inventar explicações para aquilo que ainda não foi respondido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns minutos de silêncio antes de Alceu prosseguir:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você é quem está dizendo que a fé não nega a razão e que é um adicional em pontos onde a razão não permite a tomada de decisões. No entanto, não está apresentando de onde tirou essa ideia. Pode até ser sua opinião, ou a opinião de mais alguém, mas para que possamos nos comunicar de forma eficiente, as palavras devem ter seus significados respeitados. A palavra “fé” significa fidelidade aos compromissos, lealdade, garantia, confiança e, no sentido religioso, a crença em dogmas e coisas não comprovadas. Tal definição é comum à maioria dos dicionários. Geralmente, quando estou discutindo com religiosos, o último recurso para o qual apelam, após a refutação de vários de seus argumentos, é esse: “Ah, é questão de fé mesmo, e isso não tem como discutir”. Ora, isso parece mais um artifício para não ceder mesmo tendo todos os argumentos refutados. Por que tentou discutir antes? Teria sido melhor nem ter iniciado a conversa, se no final ia jogar a palavra “fé” e abandonar a racionalidade que vinha mantendo até então. Por que não falou em fé logo no começo? Assim eu não teria perdido o meu tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sem interromper o discurso, Alceu escreveu a palavra "fé" em um bloco que estava sobre a mesa, quase que de forma inconsciente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que pode que permitir que tomemos decisões quando a razão não é suficiente é a intuição, ou a preferência, o prazer. Sim, as crenças também influenciam nas decisões pessoais. Mas não me venha colocando todas essas coisas em um pedestal. Não há motivos para supor que tais artifícios venham de algum outro lugar que não seja o cérebro. Imagine se alguém começasse a afirmar que seres extraterrestres existem, com toda certeza. Todos teriam que aceitar? Ele poderia falar que recebeu uma comunicação telepática dizendo para termos fé na existência deles e que salvariam aqueles que acreditassem neles de uma futura destruição do planeta. Você se arriscaria a não acreditar? Não usaria a fé neste caso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A imagem do apocalipse, seguido pela invasão alienígena, tomou conta da cabeça de Elza. Ela sorriu. O esposo continuou falando ao telefone:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quem lhe falou sobre isso? O Pastor Mosé? Um livro muito antigo é, provavelmente, menos confiável que escritos mais recentes, salvas as exceções, pois há muita coisa boa e muita porcaria, seja no passado ou no presente. Porém, na medida em que o tempo passa, o conhecimento da humanidade a respeito de tudo o que a cerca aumenta, seja devido à quantidade de informações acumuladas, seja devido ao fato de os recursos utilizados em suas investigações evoluírem a cada dia. Portanto, não é nenhum absurdo dizer os textos mais recentes tendem a ser mais válidos que os antigos. E assim sempre será: no futuro teremos, possivelmente, escritos mais confiáveis do que os que temos hoje. Aqui estou concentrando-me no aspecto científico, isto é, no conhecimento da humanidade sobre o universo e sobre a história, e não em argumentos. Digo isso porque o que a Bíblia contém não são argumentos, nem lógicos nem ilógicos. Ela não é o tipo de obra que apresenta um raciocínio encadeado e a partir dele retira conclusões. Não. Ela traz apenas relatos e lições morais. Trata-se de escritos de muita relevância histórica, sem dúvida, mas nada que confirme o sobrenatural. É importante destacar também que, mesmo que um argumento só se torne inválido quando surge um outro que o derrube, argumentos mais novos têm mais chance de estarem corretos que os antigos. Isso acontece porque argumentos não são descolados da realidade; eles tratam da realidade. Por isso, argumentos elaborados com menos dados e menos conhecimento sobre o real têm maior probabilidade de estarem incorretos. Eles podem até parecer corretos dentro daquele universo de dados em que foram elaborados, mas, ao acrescentar novas informações que não estavam disponíveis na época, o argumento pode cair por terra imediatamente. Sejamos objetivos: por que acreditar que esses textos que relatam interações entre Deus, entidades celestiais e a humanidade são verdadeiros? Por que aceitar que suas regras e lições são aquelas que devemos seguir? Não diga que é porque as pessoas consideram essas regras as mais coerentes; afinal, se fosse esse o motivo, a defesa de tais regras seria feita através da apresentação dos motivos que as tornam boas regras, e não pela simples afirmação de que seriam as leis de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na sala, a esposa recostou a cabeça e fechou os olhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não preciso ler mentes nem fazer análises subjetivas para saber que os religiosos aceitam verdades reveladas e apresentam apenas sentimentos e experiências como motivo da aceitação, além de utilizarem de forma muito estranha a palavra “fé”. Os próprios religiosos é que me dizem isso. Você, como religioso, pode me dizer: qual é o motivo pelo qual você acredita no que prega sua religião? Qual o motivo pelo qual você acredita na existência de Deus? É algo diferente disso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alceu começou a escrever o nome do instituto, mas não se lembrava do mesmo por completo. "Instituto... Divino..."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quando disse que todas essas histórias são transmitidas de geração em geração, minha intenção era destacar que elas são ouvidas na época em que se é mais vulnerável, e justamente pela boca daquelas pessoas em quem mais se tem confiança. Não é difícil ver aqui um encadeamento responsável por transmitir um mito que, em sua origem, não tem mais sustentação que tantos outros já criados. Se acho a explicação religiosa simplista? Bom, pelo menos frente ao que já conseguimos conhecer hoje, a realidade parece ser bem mais complexa e interessante do que aquilo que diz o mito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto conversava, Alceu esforçava-se para conseguir lembrar o nome da instituição. "Divina Luz... Reino..."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não estou negando esse suposto plano sobrenatural. Na verdade, eu nego o nível espiritual da mesma forma que nego a existência de bruxas. O que há por trás disso é mais dúvida e indiferença do que negação. Não preciso ficar negando o improvável a todo momento. Está me dizendo que não existe nenhum argumento contrário? Ora, não existe nenhum argumento lógico a favor do plano sobrenatural. Imagina se eu tivesse que levar minha vida considerando tudo o que não pode ser negado? Teria que pesquisar todas as crenças malucas já inventadas pela humanidade, mais qualquer bobagem que qualquer um viesse a inventar, e seguir as regras de todas elas. Uma verdadeira insanidade. Como provar que aquilo que se afirma como verdadeiro por fé não é simplesmente resultado de comodismo? ou de medo? ou de desejos, anseios e opiniões a respeito do que deveria ser a natureza humana? ou uma simples aceitação de um mito que se ouviu por toda a vida? ou um apego emocional a esse mito?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dona Santinha adentrou a sala e perguntou a Elza se já devia servir o lanche da tarde. A patroa, de olhos fechados, não ouviu a pergunta, pois prestava atenção na argumentação do marido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O grande problema das religiões, hoje, é que muitas delas não ficam somente no campo da crença pessoal, pois querem interferir em decisões políticas e sociais importantes. Não posso aceitar que uma determinada questão seja discutida sob a ótica de dogmas que não conseguem demonstrar sua razão de ser. Se tivéssemos que respeitar qualquer coisa que um indivíduo dissesse simplesmente pelo fato de ele afirmar que é uma questão de fé, viveríamos no mundo da irracionalidade, onde as decisões seriam tomadas levando-se em conta não o que fosse melhor para as pessoas, e sim parâmetros que não guardam ligação com a realidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O lápis rabiscava o papel: "Luz Divina... Reino Divino...".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É claro que a limitação da linguagem não deve limitar a percepção da realidade: podemos, sim, fazer suposições a respeito do sobrenatural e do metafísico, da mula sem cabeça a Deus, e estão aí os termos para designar o que for necessário. A existência do termo, no entanto, não confere existência ao que ele designa. Não são apenas religiosos simplórios que procuram encerrar a discussão na palavra “fé”. Você também ainda não apresentou de onde vem sua crença. Por isso, insisto: qual é o motivo pelo qual você acredita no que prega sua religião? Qual o motivo pelo qual você acredita na existência do Deus bíblico? É alguma coisa diferente de “escrituras”, “sentimento pessoal” ou “fé”?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dona Santinha repetiu a pergunta, dessa vez em um tom um pouco mais alto. Elza assustou-se e abriu os olhos. Dali, ambas podiam ouvir as palavras de Alceu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ciência e religião não interferem entre si? É fato que, em outros tempos, a religião já tentou “explicar” muita coisa que, após algum tempo, passou a ser explicada de modo mais coerente pela ciência. Será que esse processo contínuo de substituição da “explicação religiosa” pela científica já terminou? Só se a religião não estiver mais tentando explicar as coisas, porém não é o que ocorre. Luciano, diga-me, por favor, qual é mesmo o nome do instituto? Ah, sim!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Elza respondeu positivamente à pergunta de Dona Santinha, que se dirigiu à cozinha. A patroa foi logo atrás, a fim de ajudar. Alceu escreveu: "Instituto da Luz do Divino Reino".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Faz-se necessário ressaltar uma confusão que você está cometendo, não sei de se forma deliberada. Você está misturando discussões metafísicas a respeito da criação do universo por um ser superior com alegações sobrenaturais a respeito de um ser fantástico específico: o Deus bíblico. Esse personagem encontra-se, sim, no mesmo plano de qualquer outa lenda. Não há nada de errado em, ao refletir sobre o universo, conjecturar sobre a hipótese de que ele possua um criador. Isso é discussão metafísica. É filosofia. É cosmovisão. É a base de um provável processo lógico. É o levantamento de hipóteses. Veja que isso não afeta a vida de ninguém. O indivíduo que conjectura sobre um criador é, provavelmente, indiferente à sua existência. Agora, acreditar que esse criador é o Deus que você adora, que nos fez à sua imagem, que nos ama, que determinou regras para que seguíssemos, que nos observa e nos julga, que ouve nossas súplicas, aí não. Isso já é um grande salto sem sentido de uma discussão metafísica para uma simples afirmação sobrenatural. Tal crença infundada vai influenciar a vida de quem acredita e também o destino de outras pessoas, dada a interdependência entre os indivíduos de uma sociedade. Apenas mais um exemplo: é normal conjecturar sobre uma vida após a morte. Já aceitar, sem mais nem menos, que essa suposta outra vida pode se dar em um lugar bom ou ruim e que o critério para a triagem é a bondade ou maldade da pessoa, ao invés de outro qualquer, aí já é religião pura, muito pouco diferente de astrologia. Metafísica passa longe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Anotado em um pequeno pedaço de papel jogado sobre a mesa, estava um lembrete de que, antes do debate, Alceu ainda iria encontrar-se com o Bispo João, a quem ainda não conhecia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ninguém está obrigando-me a aceitar uma crença diretamente, da mesma forma que não estou tentando obrigar ninguém a se tornar ateu. O que faço, claro, é expor meu posicionamento e, caso alguém concorde com ele, poderá livremente tornar-se ateu também. No entanto, de modo indireto, as religiões impõem, sim, uma boa parte do que ditam sobre comportamento. Estou falando do grande problema que já relatei: muitas religiões, hoje, põem-se a interferir em importantes decisões políticas, sociais e legais. Tentam influenciar até mesmo em questões de saúde pública, como quando propõem tratamentos baseados nas crenças que difundem, ou quando tentam atrapalhar importantes pesquisas científicas por causa de dogmas, como no caso das células-tronco. E o que dizer do preconceito contra homossexuais, por exemplo? O correto, no momento de tomar decisões que afetarão muitas pessoas, não é adotar uma visão teísta e nem ateísta, mas uma visão neutra, indiferente à existência ou inexistência do Deus bíblico, ou de Shiva, ou Baal, ou da astrologia, ou do saci-pererê. Não é o que fazem alguns deputados. E qual seria essa visão neutra? Uma que considerasse as leis do Deus bíblico (segundo qual igreja?), os ensinamentos de algum profeta, as indicações das cartas do tarô, ou uma que considerasse meramente as necessidades dos envolvidos, com o cuidado para não prejudicar nenhum grupo ou, pelo menos, minimizar os impactos necessários? Isso nada tem a ver com considerar que Deus não existe. Trata-se, simplesmente, de considerar o problema em si. Não nos esqueçamos dos pastores que mantêm boa parte da população sob o controle ou pressão das “leis divinas”, pelos mais diversos interesses, alguns bastante escusos. Acho que vale a pena retomar a metáfora que apresentei anteriormente, sobre os extraterrestres que faziam uma comunicação telepática com um ser humano. E se esse indivíduo fundasse uma seita e alguns de seus integrantes elegessem-se deputados? Você, com certeza, ficaria assustado com as leis que poderiam aprovar. O perigo, ainda pequeno, é que minha metáfora não é totalmente ficcional: já existem ordens, como os Filhos da Luz, que difundem a respeito da influência de extraterrestres em nossas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dona Santinha, com a ajuda de Elza, terminou de colocar os alimentos sobre a mesa. Era preciso chamar Alceu, que ainda discutia:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Isso não é verdade. Não estamos falando de simples diferenças entre duas cosmovisões não provadas. Afinal, você está fazendo sérias considerações a respeito do universo e levando sua vida com base nelas, além de tentar influenciar a vida de outras pessoas. Eu não estou afirmando nada parecido, mas apenas tomando a cautela de duvidar racionalmente de proposições que não podem ser comprovadas, a fim de evitar o equívoco de tomar absurdos como verdades e acabar prejudicando alguém com base nisso. Não possuo certeza alguma sobre a origem do universo. Você, que possui, pode começar a listar os motivos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Elza surgiu na porta e fez um sinal indicando que era hora de comer. Alceu tratou de encurtar a conversa:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que acha que devo ser investigado em minhas alegações? Quem está fazendo alegações que ultrapassam a mera discussão sobre hipóteses é você. Que você seja investigado, então. Eu estou expondo um ponto de vista sem extrapolar para leis reveladas e afins. O verdadeiro pensamento crítico conduz ao ceticismo racional, que não implica em sair por aí negando tudo, o que seria também um despautério. O conhecimento deve ser constantemente buscado, mas nunca inventado. É assim que sou ateu. Esse é o ateísmo que defendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As posições de cada um tinham ficado claras. O diálogo encerrou-se por ali. Antes de seguir para a mesa na qual estava servido o lanche, Alceu observou no papel o nome do instituto. As iniciais chamaram-lhe a atenção. Instituto da Luz do Divino Reino. Poderiam ter uma sigla: ILuDiR.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-358725771093860281?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/358725771093860281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/358725771093860281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/358725771093860281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html' title='O ateu que encontrou Deus&lt;br&gt; - Parte V: Deuteronômio (Revisão da lei em benefício da dúvida)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-5064704965932795260</id><published>2010-12-29T22:05:00.007-02:00</published><updated>2011-11-19T01:12:08.434-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Escolhidos'/><title type='text'>Os melhores álbuns de 2010</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Durante o ano que se encerra, minha atenção foi atraída pela disputa eleitoral e pelos jogos eletrônicos. Acabou sobrando ainda menos tempo para ouvir música, mas aí vai a relação do que encontrei de melhor entre os lançamentos dos últimos trezentos e sessenta e poucos dias.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TRvIJCiZvSI/AAAAAAAAAHA/Yw2aQ5wLIks/s320/Lista2010.png" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 62px; height: 320px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556254622917180706" /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;5º.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;Plastic Beach&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Gorillaz&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;4º.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;White Magic&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;ceo&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;3º.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;Contra&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Vampire Weekend&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;2º.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;The Suburbs&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Arcade Fire&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;1º.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;This Is Happening&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;LCD Soundsystem&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que venham os sons do novo ano...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-5064704965932795260?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/5064704965932795260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/12/lista-os-melhores-albuns-de-2010.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5064704965932795260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5064704965932795260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/12/lista-os-melhores-albuns-de-2010.html' title='Os melhores álbuns de 2010'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TRvIJCiZvSI/AAAAAAAAAHA/Yw2aQ5wLIks/s72-c/Lista2010.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-1091237234086057090</id><published>2010-12-01T22:25:00.006-02:00</published><updated>2010-12-16T20:30:31.434-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vácuo'/><title type='text'>Bíblia Sagrada em 140 caracteres</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Encontrei várias iniciativas de cristãos tentando colocar a Bíblia no Twitter, o microblogue no qual cada postagem pode ter no máximo 140 caracteres - um pouco menos se você utilizar marcadores, que são palavras-chave precedidas pelo símbolo "#", as quais você pode incluir em suas mensagens a fim de agrupá-las em categorias. Uma das ideias consistia em publicar o texto bíblico completo, em blocos que não ultrapassassem o máximo permitido. Um outro fiel resolveu fazer resumos dos capítulos, cada qual em uma postagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não ser cristão (ou exatamente por isso), resolvi entrar nessa, porém sendo bem mais suscinto: resumi toda a Bíblia em uma única postagem de 140 caracteres, sendo que ainda reservei 11 posições para incluir o marcador "#minibiblia". Gostaria de encorajar o leitor a "tuítar" também sua própria versão, utilizando o mesmo marcador. Segue a versão do limbo:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Deus fez tudo do nada. Adão pecou. Pagou. Noé não. Choveu. Dez leis o Pai ditou. O &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Filho pregou. Foi pregado. Diz João: Voltará. #minibiblia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;Por: Pedro Henrique Paiva e Cláudio Rafael Silva.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-1091237234086057090?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/1091237234086057090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/12/biblia-sagrada-em-140-caracteres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1091237234086057090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1091237234086057090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/12/biblia-sagrada-em-140-caracteres.html' title='Bíblia Sagrada em 140 caracteres'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-7931555890664344331</id><published>2010-11-23T22:09:00.004-02:00</published><updated>2010-11-23T22:18:52.146-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Bichinhos fofinhos (Totó)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TOxZ1-MdR0I/AAAAAAAAAG0/dIKVpHeLSsQ/s1600/Bichinhos%2Bfofinhos%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TOxZ1-MdR0I/AAAAAAAAAG0/dIKVpHeLSsQ/s400/Bichinhos%2Bfofinhos%2B3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542904025149425474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-7931555890664344331?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/7931555890664344331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/11/bichinhos-fofinhos-toto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/7931555890664344331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/7931555890664344331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/11/bichinhos-fofinhos-toto.html' title='Bichinhos fofinhos (Totó)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TOxZ1-MdR0I/AAAAAAAAAG0/dIKVpHeLSsQ/s72-c/Bichinhos%2Bfofinhos%2B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-513133029188186742</id><published>2010-11-10T17:08:00.003-02:00</published><updated>2010-11-12T12:25:42.875-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>A melhor escolha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não existem salvadores da pátria. Aquele que aguarda por um candidato desse tipo para depositar sua confiança irá anular o voto pelo resto da vida. No pleito que tivemos há pouco, no entanto, acredito que o Brasil fez a melhor escolha. Este texto destina-se principalmente àquele eleitor que votou e torceu por Serra, mas que não faz parte do time da ultradireita, essa que andou mostrando os dentes nos últimos dias. Pretendo demonstrar a esse eleitor, que pode ter votado com base em falsos critérios e que está insatisfeito com a vitória de Dilma, que as coisas podem estar melhores do que parecem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A campanha tucana apresentou a tendência de se agarrar a qualquer corrente que pudesse garantir a vitória de seu candidato. Isso acabou expondo inúmeras contradições - um partido surgido como social-democrata, uma espécie de nova esquerda, terminou quase que completamente arrastado para a direita - e abrindo as portas para organizações ultraconservadoras, como a TFP (Tradição, Família e Prosperidade), e também para ruralistas extremados, aproveitadores religiosos e toda a sorte de preconceitos, chegando a resvalar nos delírios neonazistas de alguns, como pudemos perceber na ameaça de surgimento de novos movimentos xenófobos e separatistas e também nas críticas contra nordestinos espalhadas nas redes sociais virtuais logo após a divulgação dos resultados. Tudo isso representaria um alto preço a ser pago caso viesse a ocorrer a eleição do candidato apoiado por essas correntes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Serra passou a campanha defendendo um governo de união, mas optou por contradizer-se logo no discurso de reconhecimento da derrota, ao apontar uma “trincheira” que teria ajudado a cavar e conclamar aqueles que o apoiam para uma espécie de guerra que estaria apenas começando, o que acabou contribuindo com o clima bélico que vemos agora surgir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por isso, apresento a seguir treze argumentos nos quais procuro demonstrar que estamos trilhando o melhor caminho possível, dentre aqueles pelos quais pudemos optar no segundo turno das eleições.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;1) Após as primeiras declarações da presidente eleita, a imprensa finalmente reconhece nela uma líder segura, com propostas firmes, uma história respeitável e uma visão equilibrada. Por que não tinham enxergado essa mulher antes? A resposta simples nos é dada por Luis Nassif (jornalista de economia): é que agora o período eleitoral encerrou-se, ou seja, o tendenciosismo pôde finalmente ser deixado um pouco mais de lado. A cegueira intencional que contaminou a imprensa durante as eleições acabou por cegar também grande parte do eleitorado, que votou com base em critérios, digamos, não muito adequados. Prefiro chamá-los até de falsos critérios, mesmo que isso soe impositivo de certo modo. Mas vejamos um exemplo: inúmeros cristãos escolheram seu candidato baseando-se na questão do aborto e da união civil homossexual, deixando de lado as questões econômicas, de saúde, segurança pública, educação, infraestrutura, políticas sociais, entre outras de suma importância e que deveriam realmente pesar na escolha. Um claro exercício de despolitização, conduzido por padres, bispos e pastores das mais distintas correntes religiosas. Um outro exemplo são aqueles que bradavam: "Não irei votam em uma guerrilheira, em uma terrorista!". Terminadas as eleições e, em parte, a cegueira induzida, acredito que esse eleitor que se baseou em falsos critérios poderá agora decidir evitar a tal trincheira, passando às críticas construtivas e à esperança e os esforços para que tenhamos um país melhor com o governo eleito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2) A questão ética é uma das mais importantes em uma eleição, mas ela só faz diferença caso estejamos lidando com algum candidato do tipo “ficha suja”, com comprovadas falcatruas visando ao benefício próprio. E esse não parecia ser o caso de nenhum dos candidatos. Se este ponto tiver lhe causado alguma estranheza, observe apenas que denúncias e investigações haviam dos dois lados e, por favor, continue lendo.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;3) A experiência é um bom critério, mas não pode ser utilizada isoladamente, sob pena de se eleger um candidato mais experiente, porém pior. Apesar de Serra possuir mais experiência eleitoral (participou de mais eleições), ambos possuem experiência administrativa, como ocupantes de importantes cargos. Fernando Henrique e Lula, quando eleitos presidentes, tinham exercido apenas um mandato no legislativo cada, o primeiro como senador e o segundo como deputado, e nenhum mandato no executivo. Isso não impediu que ambos fossem considerados bons ou ótimos presidentes por muita gente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4) Boatos, bobagens e mentiras, nem seria preciso dizer, são um péssimo critério e devem ser ignorados. Eles andaram circulando pela internet, pelas campanhas oficiais e até pela imprensa. Durante todo o ano, principalmente no decorrer da campanha, recebi incontáveis mensagens contendo boatos. Não estou mentindo quando digo que todas elas - TODAS - eram contra Dilma. Um levantamento superficial feito a partir de algumas dessas mensagens leva a pessoas e sítios muito estranhos. Mesmo assim, a campanha tucana tentou surfar em algumas das ondas de boataria. Chegaram a criar um sítio bastante agressivo, o “Gente que mente”, que só passaram a identificar como oficial do partido após o vínculo ter sido descoberto. A imprensa também exagerou: o jornal Folha de S. Paulo publicou uma ficha da Dilma, que seria dos arquivos do DOPS, mas que era na verdade uma montagem que circulava em &lt;i&gt;spams&lt;/i&gt;. A revista Veja já não se envergonha mais em apresentar-se como um panfleto político e ideológico. Deixemos de lado, pois, as bobagens ditas em mensagens eletrônicas ou nas campanhas. Isso inclui a lojinha da Dilma e os delírios sobre a censura, a limitação de liberdades e o assassinato de criancinhas. Do homossexualismo ao terrorismo, livremo-nos de asneiras que só servem para desviar o foco do verdadeiro debate político.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5) Seria a religião um bom critério? Uma das campanhas parece ter pensado durante algum tempo que sim, mas é óbvio que não é. Senti-me rumando na direção da Idade Média. Afinal de contas, estávamos escolhendo o sucessor do Papa ou um Presidente da República? Temas que devem ser alvo de políticas públicas, como aborto e união civil homossexual, tornaram-se sórdidos objetos eleitoreiros. Serra chegou a fingir que acreditava que “casamento gay” é uma reivindicação direcionada a igrejas. Começou a aparecer em cultos, a falar exaustivamente sobre fé, ofendeu religiosos e ateus, confeccionou santinhos com frases sobre Jesus Cristo. Tentou sair do campo racional, onde não conquistava votos, para o da emoção e da exploração de sentimentos. Abusou tanto da estratégia que começou a soar ridículo: em um discurso, conclamou pelo milagre da multiplicação dos votos, comparando-se àquele a quem se referiu nos santinhos. Tenta minimizar o episódio do bispo que contratou a impressão de 20 milhões de panfletos que associavam Dilma ao aborto (a gráfica, de propriedade de parentes de um dos integrantes da campanha tucana, “só” imprimiu dois milhões, por falta de capacidade). De onde viria o dinheiro? Telefonemas de &lt;i&gt;call centers&lt;/i&gt; e os programas de campanha no rádio insistiram na questão do aborto. Em seu programa na tevê, Serra permitiu que fosse exibido o depoimento a seu favor feito por Valdemiro Santiago, pastor evangélico que “cura” cegos, surdos, mudos de nascença, paraplégicos e pacientes com câncer, com a clara intenção de conseguir o voto dos fiéis tapeados pelo charlatão. Silas Malafaia, outro pastor de intenções duvidosas, também deu sua contribuição. Nem o Papa foi deixado de fora: suas palavras foram utilizadas no último programa tucano. A denúncia de ex-alunas da esposa de Serra, repercutida até pela Folha de S. Paulo, de que ela teria feito aborto, tem alguma relevância? Não teria se o próprio candidato não tivesse trazido o tema à baila e se colocado como o defensor da moral e dos bons costumes. Porém, caso a denúncia seja confirmada, a hipocrisia saltará aos olhos de todos, como expõe a pergunta de uma das ex-alunas: “Se Serra for eleito, sua esposa deverá ser presa?”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6) Reduzidos os critérios anteriores a sua devida relevância (ou ausência de relevância), creio que o melhor critério seja a comparação entre projetos. Como disse Venício Lima (professor de Ciência Política e Comunicação da UnB), com citações de João Sicsú (doutor em Economia, professor da UFRJ e pesquisador nível 1 do CNPq), não estávamos escolhendo um administrador de condomínio. A sorte é que tínhamos de escolher entre dois projetos testados e muito diferentes. Meu voto foi conseqüência óbvia do projeto que aprovo: “desenvolvimentista”, “distributivista”, social, que costuma encarar com um pouco mais de frequência discussões sobre direitos básicos e inerentes à democracia, sem esquecer minorias ainda perseguidas. Dilma contará com a maioria nas casas legislativas, o que poderá garantir um governo com mais fluidez e a realização das reformas de que tanto precisamos. Mesmo que Serra fosse o melhor administrador, não era minha intenção eleger alguém que seguiria com muita competência pelo caminho que não aprovo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;7) Ainda quanto aos modelos, observamos que muitas pessoas percebem claramente as diferenças entre ambos, mas muitos não conseguem reconhecer que grandes foram as mudanças também na área econômica. Quando Lula assumiu, herdou uma estabilidade que é considerável em relação ao que tínhamos no passado, antes do Plano Real, mas que não era grande coisa frente ao que poderia ser e frente aos patamares que atingimos durante o atual governo. A política econômica não se resume apenas à moeda. Tivemos mudanças no comércio exterior, na questão do petróleo, nos investimentos em infra-estrutura, nas políticas industrial, fiscal - inclusive com desonerações - e de reajuste do salário mínimo. Várias dessas medidas foram essenciais para que o Brasil fosse um dos primeiros países a superar a recente crise internacional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8) Sabemos que a população é assombrada por medos e preconceitos que poderiam ser desonestamente explorados pelos candidatos e por eleitores militantes. Um desses preconceitos é considerar que o voto alheio é resultado de alienação, burrice ou ignorância, e que somente os pobres votam em causa própria. Há ainda a confusão entre o voto motivado por benefícios individuais e aquele capaz de beneficiar de verdade certas classes compostas por indivíduos realmente necessitados, sempre no caminho da garantia de dignidade para todos e da redução das desigualdades entre a população. Esse tipo de preconceito constitui-se numa arrogância sem tamanho, principalmente porque os fatos mostram outra coisa. “As pesquisas dão a Dilma vantagem em todos os segmentos socioeconômicos relevantes. É a preferida de mulheres e homens (sepultando bobagens como as que ouvimos sobre as dificuldades que teria para conquistar o voto feminino), de jovens e velhos, de negros e brancos. Está na frente entre católicos, evangélicos, espíritas e praticantes de religiões afro-brasileiras. Vence entre pobres, na classe média e entre os ricos (embora fique atrás de Serra entre os muito ricos). Lidera entre beneficiários do Bolsa Família e entre quem não recebe qualquer benefício do governo. Analfabetos e pessoas que estudaram, do primário à universidade, votam majoritariamente nela.” É o que dizia a estratificação dos resultados das pesquisas eleitorais do primeiro turno, exposto nessa citação de Marcos Coimbra, presidente do instituto Vox Populi. Não nos esqueçamos do manifesto dos artistas e intelectuais, como Chico Buarque, Leonardo Boff, Oscar Niemeyer, Ziraldo, Marilena Chauí, diversos atores, entre tantos outros, e do manifesto dos filósofos, com quase mil assinaturas, ambos em apoio a Dilma. Há ainda um detalhe que não precisaria ser mencionado, pois o voto de todas as regiões do país tem o mesmo valor e não há nada de errado quando determinada região aprova um governo que beneficiou seu desenvolvimento. Mas o fato é que, mesmo se não fossem contabilizados todos os votos do Nordeste, Dilma ainda seria eleita, pois foi expressivamente votada em Minas e no Rio, vencendo em ambos, e também em estados como São Paulo e os da região Sul, nos quais a diferença para Serra foi muito pequena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TNrqmRzaimI/AAAAAAAAAGc/GdC-OAZ6eAw/s320/BrasilRoxinho.jpg" style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 303px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5537996635140426338" /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Danilo Fraga e Bruno Barros (&lt;a href="http://ilustrebob.com.br/2010/11/o-brasil-nao-e-bicolor/"&gt;clique aqui&lt;/a&gt; para ver a versão de Bruno,&lt;br /&gt;com os percentuais) fizeram mapinhas com tons de ciano e magenta,&lt;/b&gt; &lt;b&gt;de&lt;br /&gt;acordo com a votação de cada candidato, que não transmitem a visão&lt;br /&gt;equivocada&lt;/b&gt; &lt;b&gt;do mapinha bicolor apresentado pela grande mídia,&lt;br /&gt;tão mal interpretado pelos preconceituosos.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9) É inocência acreditar que Serra e sua turma são paladinos da ética e da moral. No caso dos órgãos de imprensa que o apoiaram utilizando esse discurso é má-fé mesmo, visto que o conteúdo de suas próprias páginas já derrubou por várias vezes tal imagem. Serra e sua campanha adoravam apontar as más companhias de Dilma, mas se esforçavam para esconder que do lado deles estavam Roriz, Arruda (mensalão do DEM), Agripino Maia, Azeredo (mensalão tucano), Paulo Preto, entre outras figuras abomináveis. Escondiam também os escândalos que os atingem, como irregularidades no metrô e na construção do Rodoanel, as merendas de Índio da Costa, o caso Alstom, a operação Castelo de Areia e as acusações de Flávio Bierrenbach.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;10) Sempre digo que não basta observar o que dizem os candidatos durante a campanha. Afinal, eles sempre dirão aquilo que os eleitores esperam ouvir. É preciso buscar informações sobre os mesmos nas mais variadas fontes. A utilização de um número restrito de fontes de informação acaba resultando em visões tendenciosas, direcionadas pelos órgãos escolhidos. Ouvir outros eleitores pode fornecer boas pistas sobre o alinhamento ideológico dos candidatos. Fazendo esse exercício percebi que Serra era ótimo em atrair eleitores elitistas, conservadores, preconceituosos, reacionários e arrogantes. Sem contar aquele cidadão de classe média, com curso superior e talvez uma pós-graduação, assinante de um grande jornal ou revista, e que acredita que isso é o bastante para se considerar especialista em política e sair desprezando as opiniões alheias. É claro que não estou dizendo que todos os serristas se comportavam desse modo, mas encontre aquele tipo de pessoa que vive na região Sudeste, principalmente em São Paulo, com boa situação financeira, que adora criticar a capacidade intelectual dos nordestinos, o Bolsa Família, e, às vezes, diz que sente saudades da ditadura. Pergunte a esse indivíduo ou qualquer outro um pouco parecido sobre o candidato que ele escolheu. Você não terá nenhuma surpresa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;11) Serra passou a impressão de que busca o poder a qualquer custo, como um projeto pessoal, e nem tanto como uma maneira de servir da melhor maneira a todo o povo. Mesmo colunistas mais alinhados a suas ideias confirmaram tal comportamento. A ânsia pelo poder seria o motivo de o mesmo ter migrado da esquerda para a direita ao longo de sua carreira política. Isso pode justificar também as promessas descabidas que costuma fazer durante as campanhas, como o aumento do salário mínimo para R$ 600,00 e o reajuste de 10% para aposentados (estranhamente, poucos denunciaram o absurdo). Dilma também poderia ter feito promessas vazias (até porque, seguindo-se as regras de reajuste salarial atualmente praticadas, o mínimo poderá ultrapassar os R$ 600,00 já em 2012), mas não se rendeu à irresponsabilidade, como demonstrou na convenção com os “verdes” que a apoiaram, ao declarar ao Greenpeace, sobre a proposta de desmatamento zero: “Não faço leilão por apoio”. Serra fez: agiu como se fosse devoto de todas as religiões e, quando participou de um evento que reunia homossexuais, defendeu a união civil entre pessoas do mesmo sexo, uma proposta com a qual concordo plenamente, mas que o candidato não revelava aos fiéis que visitava. O que diria Silas Malafaia, que apareceu em seu programa eleitoral na tevê e que é contra a criminalização da homofobia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;12) Os avanços conquistados durante o atual governo são de conhecimento da maioria da população e se refletem na popularidade do presidente. Um enorme contingente de pessoas foi retirado da miséria. Outro tanto teve melhoras inéditas no poder aquisitivo e no padrão de vida. Tornamo-nos um grande exportador em diversos setores, reconhecidos e respeitados internacionalmente. A geração de empregos e o crescimento econômico quebram recordes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;13) Sempre votei pensando no conjunto da população e nos mais necessitados, e nunca em minhas necessidades particulares. Confio no atual projeto que visa ao bem estar de todos os brasileiros, em uma transição gradativa e pacífica, que tem desfeito aos poucos os laços com poderosos históricos e se baseado no respeito a todos os segmentos, inclusive os minoritários, rumo a uma sociedade mais justa, centrada no ser humano e distante de obscurantismos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;==##==&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 1: Em um pleito como o que tivemos, não defendo o voto nulo, pois, ao abstermo-nos da responsabilidade, podemos acabar permitindo que o pior candidato se eleja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. 2: Erros existem em todos os governos. O que devemos observar é como as falhas são tratadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 3: A oposição é de suma importância, pois caracteriza a democracia, mas deve ser responsável e fugir da armadilha do radicalismo estéril. Torço pelo surgimento de uma oposição que de fato conheça as reais necessidades do país.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-513133029188186742?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/513133029188186742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/11/melhor-escolha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/513133029188186742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/513133029188186742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/11/melhor-escolha.html' title='A melhor escolha'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TNrqmRzaimI/AAAAAAAAAGc/GdC-OAZ6eAw/s72-c/BrasilRoxinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-7785911951061505773</id><published>2010-11-04T18:30:00.004-02:00</published><updated>2010-11-12T23:41:56.125-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>A informação contaminada</title><content type='html'>&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Durante a campanha eleitoral que se encerrou recentemente, circularam pelas discussões argumentos dos mais diversos. Um dos assuntos que acabou sendo trazido à tona foram as propostas do PNDH-3 (o 3º. Programa Nacional de Direitos Humanos), que voltou a receber críticas que considero injustas, algumas das quais baseadas em boatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Direi agora algo que desenvolverei melhor em futuros textos, mas atribuo a quantidade de boatos que surgiram nesse período à desinformação, inclusive entre a classe média, que costuma julgar-se muito bem informada e acaba tomando importantes decisões baseada em conhecimentos que considera confiáveis e suficientes, mas que não são. Em várias conversas, acabei encontrando uma classe média extremamente despolitizada, mas que costuma atribuir tal característica apenas às camadas menos favorecidas. Não consigo encontrar palavra melhor para descrever a situação: preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, em uma mesa de bar, um conhecido, assombrado, contou-me que o presidente Lula havia assinado sem ler uma lei que proibia a exposição de símbolos religiosos no país. O patrão lhe mostrara a notícia através de um correio eletrônico. Imediatamente percebi que se tratava de mais uma distorção do PNDH. O programa não é uma lei, e sim um conjunto de propostas, e a proibição de símbolos religiosos se limita a repartições públicas, em respeito à diversidade religiosa, visto que os tais símbolos são quase que exclusivamente católicos, e ao Estado laico. Quanto à informação de que o documento havia sido assinado sem leitura, isso me parece mais uma desculpa dada pelo presidente para moderar os ânimos daqueles que viam absurdos em um conjunto de propostas tido por ele como normal (assim como por mim e muitos outros), possivelmente motivados pela pressão exercida pela mídia, descontente com algumas das propostas, conforme já expus em um &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/tres-por-tres.html"&gt;texto anterior&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a partir do próximo parágrafo, apresento um texto que eu havia publicado há alguns meses no Observatório da Imprensa, tratando de argumentos contrários ao programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embate entre mídia e governo, a respeito de possíveis atentados contra a liberdade de expressão orquestrados por este último, não encontra eco na sociedade em geral, pois a imprensa, que deveria divulgar de forma clara as atitudes do poder, converteu-se em parte interessada. Sua apresentação do possível problema acabou obscurecida por seus anseios. O resultado foi a informação contaminada ou, em última instância, a desinformação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos até supor que haja algum traço de autoritarismo em algumas das propostas do PNDH, mas é impossível não imaginar que esses possíveis traços tenham sido reforçados em demasia pela cobertura jornalística. Na verdade, não precisamos supor coisa alguma. Basta ir direto ao texto do programa para esclarecer quaisquer dúvidas. Acontece que toda a cobertura sobre o assunto acabou soando como uma espécie de editorial compartilhado por todos os grandes veículos de comunicação, no qual a interpretação direta do texto foi substituída por uma ótica própria do meio. O que restou à população, no máximo, foram muitas dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários textos, em diversos meios, inclusive aqui no blogue, procuraram demonstrar que a tal tentativa de cerceamento da liberdade de imprensa não passa de um conjunto de iniciativas de consolidação dos direitos humanos e de regulamentação de artigos constitucionais. Sob esta visão, algumas das manifestações daqueles que procuram defender a imprensa contra a suposta ameaça parecem distorcer um tanto o conteúdo das propostas governamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se, por exemplo, o que disse Judith Brito, presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), em texto publicado no jornal O Globo. Logo nos parágrafos introdutórios, Judith faz questão de ressaltar o que chama de "posturas autoritárias 'chavistas'" de alguns dos "grupos de apoio" do presidente, entregando que o tom do texto deve manter o mesmo nível alarmista das diversas matérias sobre o assunto publicadas pelos grandes jornais. Em seguida, afirma que o Conselho Federal de Jornalismo não foi criado devido à "reação indignada da sociedade". Sabemos que isso não é verdade, pois esse tipo de debate não costuma seduzir a população. No máximo, a reação indignada foi da imprensa, autoproclamada voz da sociedade. Uma população cuja maioria das pessoas não possui o hábito de ler jornais e para a qual os programas informativos televisivos não estão entre os favoritos - o que, apesar de tudo, é lamentável - não empregaria tempo e esforços nesse tipo de ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto é encerrado citando a proposta de "elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar um &lt;i&gt;ranking&lt;/i&gt; nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios de Direitos Humanos, assim como os que cometem violações". Devo ser dono de uma mente extremamente autoritária, pois, sempre que leio esta passagem do PNDH, não percebo gravidade alguma. Muito pelo contrário. Afinal, trata-se de uma proposta que pretende destacar, no bom e no mau sentido, os veículos de comunicação, baseando-se em um parâmetro que não poderia ser melhor: o respeito aos direitos humanos. O objetivo claro é a redução da violação desses direitos. Não consigo imaginar uma "visão oficial", como sugere a autora, sobre algo tão universal como os direitos básicos dos indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à cassação de concessões, é bom lembrar que as estas são públicas, devendo, portanto, atender a interesses sociais para que sejam mantidas. Os procedimentos de outorga e renovação das mesmas estão descritos na Constituição (artigo 223) e o texto do PNDH não menciona alterações nas regras, mas apenas sugere que se leve em conta o respeito aos direitos humanos, o que vai de encontro à necessidade de "respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família" (artigo 221 da Constituição). É importante destacar que a suspensão de concessões é proposta como medida extrema, a ser empregada após a aplicação de várias outras penalidades administrativas. Na prática, sabemos que isso significa que o recurso, provavelmente, não chegaria a ser utilizado, mas serviria apenas como referência, a lembrar o compromisso social das concessões, declarado constitucionalmente. Pensar o contrário disso seria exagerar na comparação entre o Brasil e um certo país vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), no mesmo O Globo, também exagera sobre um possível envolvimento da população no debate, ao afirmar que ela se mobilizaria "em favor da própria liberdade de expressão e de informação". Exagera, primeiro, porque a sociedade não anda tão engajada, infelizmente; segundo, porque ela não se posicionaria automaticamente ao lado da imprensa; e terceiro e mais importante: tais liberdades não parecem estar ameaçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão um tanto distorcida a que tivemos acesso nos últimos meses parece brotar das velhas confusões entre coisas que são diferentes: liberdade de imprensa e liberdade de expressão; controle e regulação; estatal e social. A ausência de distinção entre esses termos domina, por exemplo, um texto do jornalista Sandro Vaia, publicado no jornal O Estado de S. Paulo. De cara, o jornalista destaca um certo caráter controlador das ideologias esquerdistas, como se esse tipo de desvio coubesse unicamente à esquerda. Todos sabemos que a radicalização domina uma parcela dos dois lados do espectro político, e que boa parte da direita, sem abandonar suas ideologias, não hesitaria em tentar controlar tudo o que pudesse caso encontrasse oportunidade ou julgasse necessário. Apenas alguns exemplos: a maioria das ditaduras militares sul-americanas ao longo da História e o recente comportamento do governo estadunidense após o atentado de 11 de setembro de 2001, quando até a liberdade de expressão, tão exaltada naquele país, sofreu mutilações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após esvaziar a definição da palavra "controle", subtraindo-lhe o significado de "verificação administrativa, inspeção, fiscalização" (Dicionário Online de Português do Brasil), Sandro sugere que as propostas apresentadas no programa da Secretaria de Direitos Humanos seriam apenas "palavras do mais puro malte petista". Entretanto, não apresenta nenhum argumento que permita concluir que as propostas interessam apenas a um partido político específico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto de Vaia traz ainda alguns pontos destacados ao final, sobre os quais farei os seguintes comentários, por considerar que os mesmos servirão como contraponto também a outros escritos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toda a sociedade, incluindo as entidades que representam a mídia, pode, abertamente, participar do debate, e seria louvável que cada vez mais pessoas e entidades se envolvessem. O problema é que o próprio comportamento da grande mídia acaba por desestimular um maior envolvimento nesse sentido, restando a participação de alguns poucos cidadãos, digamos, mais "antenados" em assuntos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Apesar de propor iniciativas sociais de mediação e conciliação para resolução de conflitos, visando ao desafogamento do Judiciário, o que poderia ser muito positivo, o texto do PNDH, no que diz respeito a conflitos agrários, destaca a necessidade do envolvimento do Poder Judiciário (diretriz 17, objetivo VI, ação c), do Ministério Público, do poder público local, de órgãos públicos especializados e da Polícia Militar (ação d), e não de "organizações sociais". Creio que isso não signifique o "abastardamento do Poder Judiciário".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A "Comissão da Verdade" se propõe a apurar e esclarecer (e não "julgar", como menciona Vaia) as "violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política ocorrida no Brasil no período fixado pelo artigo 8º. do ADCT da Constituição, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional". Esta é a versão da proposta que ainda continha a palavra "repressão", apenas para mostrar que não havia nada de mais. Ou será que começaremos a negar que a repressão ocorreu? Mesmo que o texto esteja se referindo a violações cometidas por apenas uma das partes, qual seja a dos agentes do Estado, esta é exatamente a tarefa que se espera desse Estado, pois estamos falando de uma espécie de reconhecimento público dos próprios atos, com vistas a contribuir com a parte que lhe cabe no preenchimento de uma lacuna histórica, mantida há um bom tempo pelo comportamento de alguns dos órgãos públicos. Sim, os tempos são outros, o governo é outro, mas o Estado não deixa de guardar o fantasma do que já foi, principalmente se não der o passo simples de revelar o que "ele mesmo sabe" e que está escondido em documentos existentes, porém indisponíveis. Falar em um outro lado a ser "julgado" (novamente: a intenção não é julgar) demonstra incompreensão do verdadeiro objetivo da proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a imprensa não deve abdicar, nunca, de seu papel de fiscalizar e denunciar os abusos do poder. Porém, a denúncia deve ser justa, isenta, o que implica, naturalmente, que será de interesse da sociedade, e não de determinados grupos. É importante considerar que a mídia, enquanto constituída por poderosas corporações munidas de grande penetração e influência sobre a sociedade, também deve ser fiscalizada, não pelo governo, mas por cada cidadão. O que o governo pode fazer é tornar disponíveis os canais e instrumentos que permitam que seja feito esse acompanhamento, a fim de evitar os abusos que também existem do outro lado do embate: o lado da imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Resposta a um leitor&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria preciso fazer malabarismos argumentativos para tentar equiparar o Brasil a Cuba ou à Venezuela no diz respeito à liberdade de imprensa. A realidade é muito diferente nos três países. Chamar a reação da imprensa e demais setores de "tímida" é distorcer a realidade de uma oposição exagerada a um conjunto de medidas que nada tem de ideológico, pois segue recomendações internacionais quanto ao respeito aos direitos humanos, sendo apenas abrangente, conforme esperado. O programa não menciona nada a respeito de censura ou "fim do direito de propriedade" e, em sua primeira versão, não tentava "impor o aborto", mas apenas descriminalizá-lo (as duas coisas são muito diferentes). Ouvi dizer que as propostas referentes ao aborto foram revistas ou suprimidas em versões posteriores das propostas. Assuntos como propriedade e aborto necessitariam ser discutidos à parte, dada sua complexidade. Reforço apenas que é muito fácil taxar o pensamento alheio como ideologia, tentando desqualificá-lo, sem perceber que a maioria das próprias opiniões possui também um fundo ideológico. Ideologia por ideologia, de preferência na concepção de simples conjuntos de ideias e opiniões, fico com aquela que procura garantir o respeito e a dignidade a todas as pessoas, e não com a que teima em limitar a vida alheia baseada em convicções particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem as ligações para este e outros textos que publiquei no Observatório da Imprensa. A versão lá publicada contém ligações para os textos que estão sendo aqui contestados:&lt;br /&gt;- &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=578CID006"&gt;Mídia, governo e a informação contaminada&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=575JDB004"&gt;O que caberia à imprensa fazer?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=589ENO008"&gt;Caixa postal cheia (ao mesmo tempo, vazia)&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-7785911951061505773?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/7785911951061505773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/11/informacao-contaminada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/7785911951061505773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/7785911951061505773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/11/informacao-contaminada.html' title='A informação contaminada'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-2497854823268353377</id><published>2010-07-22T00:26:00.002-03:00</published><updated>2010-07-22T00:28:50.527-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Bichinhos fofinhos (Tina)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TEe6oQQgmeI/AAAAAAAAAGM/WrUh_TwmuBk/s1600/Bichinhos+fofinhos+2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TEe6oQQgmeI/AAAAAAAAAGM/WrUh_TwmuBk/s400/Bichinhos+fofinhos+2.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496567070950726114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-2497854823268353377?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/2497854823268353377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/07/bichinhos-fofinhos-tina.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2497854823268353377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2497854823268353377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/07/bichinhos-fofinhos-tina.html' title='Bichinhos fofinhos (Tina)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/TEe6oQQgmeI/AAAAAAAAAGM/WrUh_TwmuBk/s72-c/Bichinhos+fofinhos+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-2791242051626749811</id><published>2010-06-22T22:39:00.017-03:00</published><updated>2012-02-09T00:00:19.643-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>O ateu que encontrou Deus - Parte IV: Números (Um, nenhum, alguns mais, outros menos)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;"Há uma pergunta que me parece dever ser formulada e para a qual não creio que haja resposta: que motivo teria Deus para fazer o universo? Só para que num planeta pequeníssimo de uma galáxia pudesse ter nascido um animal determinado que iria ter um processo evolutivo que chegou a isto?"&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;José Saramago viveu&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu? Aqui quem fala é o Padre Messias. Anote, por favor, o endereço que lhe direi agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O quê? Pra quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você tem um encontro marcado com o Bispo João, na sexta-feira da próxima semana. Ele quer conversar a respeito do debate sobre religião do qual você irá participar na universidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda sem compreender quais poderiam ser as reais intenções do tal bispo, Alceu anotou com dificuldade o endereço, pois se encontrava na rua, a caminho do bar onde se encontraria com os irmãos. Após atravessar mais três ruas a pé, adentrou o estabelecimento no qual se reuniam com alguma frequência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caio, cujo escritório era bem próximo dali, já ocupava seu lugar à mesa de número 12. Lia o jornal enquanto esperava pelos outros dois. Ricardo, professor de literatura, chegaria a qualquer momento. Ele escrevia uma coluna quinzenal para uma revista de uma pequena cidade vizinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você vai achar esta notícia interessante, mano. Uma pesquisa recente constatou que 59% dos brasileiros acreditam na evolução das espécies.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Essa não é bem uma questão de crença, Caio. A evolução é praticamente um fato. Mas esses números parecem-me exagerados. Não creio que tanta gente aceite bem esse fenômeno, que costuma ser muito mal compreendido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Acontece que há um detalhe: esses 59% também acreditam em Deus e, portanto, acham que ele conduziu todo o processo. Apenas 8% aceitam que a evolução se deu sem nenhuma interferência sobrenatural.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, bom... Agora os números parecem mais verdadeiros. Pelo menos estamos melhores que os Estados Unidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você sabe que, apesar de não me declarar ateu, a única característica das religiões à qual dou alguma importância é a capacidade que elas têm de influenciar as pessoas. Em muito casos, isso pode resultar em um perigoso tipo de controle.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Concordo plenamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Veja isso aqui. A pesquisa aponta também que a fé na criação divina é menor entre as pessoas mais instruídas e com melhor situação financeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Essa é uma boa pista para identificar os fatores que tornam um indivíduo mais suscetível a esse tipo de influência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que influência? - perguntou Ricardo, o irmão mais velho, chegando ao restaurante e vendo o jornal aberto sobre a mesa na página com os resultados da pesquisa - Não vão me dizer que estavam de novo criticando os religiosos?!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, os religiosos não. - respondeu Alceu - Estávamos falando das religiões, isso sim. Mas, em respeito à sua presença, passemos a outros assuntos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ricardo não seguia nenhuma religião em especial, mas mantinha a crença em Deus, a quem recorria nos momentos de desamparo. Alceu sempre lhe dizia, em um tom que mesclava jocosidade e gratidão, que ele fora o responsável por fazê-lo começar a refletir sobre as religiões, em uma noite próxima ao Natal, no início da década de 80. Ricardo negava, alegando que, quando fizera a revelação a respeito da lenda natalina, Alceu "era muito criança para entender essas coisas".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não quero interromper a conversa - falou Ricardo - mas responda-me apenas uma coisa, Alceu. E se Deus existir? E se, ao morrer, você encontrá-lo e ele lhe pedir explicações sobre não ter acreditado nele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ricardo, o que garante que seu deus seja o certo, e não o deus muçulmano ou os deuses hindus, por exemplo? Você também pode vir a encontrar-se com eles. E eles lhe pedirão explicações pelo fato de você ter acreditado no deus errado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, sua pergunta não faz o menor sentido. Afinal, existem o monoteísmo e o politeísmo. A quase totalidade das grandes religiões atualmente é monoteísta, de forma que acreditam que só existe um Deus, como no meu caso. Sua questão só teria alguma validade se fosse dirigida a politeístas. Você está cometendo o erro primário de confundir a crença em um único deus com uma suposta crença em vários deuses, na qual eu consideraria que um deles seria o certo e os outros errados. Com essa pergunta, você demonstra que, quando é para defender suas crenças, abandona por completo o senso crítico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O garçom trouxe uma garrafa de cerveja e serviu o líquido aos três.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Perdoe-me, Ricardo, mas a pergunta que lhe devolvi não contém o erro que você apontou. Para começar, é preciso ressaltar que o sentido do questionamento não foi devidamente compreendido. Na verdade, o que pretendo que você me diga é o que lhe garante que é o seu deus que existe, e não o deus muçulmano ou os deuses hindus. O que garante que você escolheu o deus certo, isto é, o deus que existe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caio interveio:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É verdade. O Alceu tem razão. Suponhamos um grupo "a", monoteísta, que acredite na existência do deus A, e um grupo "b", também monoteísta, que acredite na existência do deus B. Podemos imaginar, ainda, um grupo "c", que creia em vários deuses. O que garantiria a um integrante do grupo "a" que o deus A realmente existe? Ao invés do deus A, não poderia existir, por exemplo, o deus B, ou os deuses adorados pelo grupo "c"? Com tantas deuses dos quais possuímos conhecimento, no mundo e ao longo dos séculos, da mitologia grega, passando por deuses hindus, dos indígenas, das inúmeras tribos africanas, do islamismo, do judaísmo, e tantas outras, será que, caso exista algum deus, este não pode ser qualquer um desses, ao invés daquele no qual você acredita? A intenção do Alceu foi a de devolver-lhe uma pergunta semelhante à que você dirigiu a ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você chegou a afirmar também que eu estaria defendendo minhas crenças. - retomou Alceu - Porém, os ateus céticos, no que se refere à religiosidade, não possuem crenças, a não ser que esteja utilizando a palavra em um sentido mais amplo, significando a opinião a respeito daquilo que pode ser verdade, e não no sentido que costuma carregar, de certeza sobre hipóteses não comprovadas. Eles não aceitam como verdade informações não verificadas. Ficam com a dúvida até o momento em que surja algum tipo de confirmação ou evidência. Portanto, não fazem afirmações a respeito do universo como se fossem verdadeiras. Duvidam da existência de Deus, mas não colocam alguma explicação sem embasamento no lugar. É claro que existem vários tipos de pessoas que se dizem ateias, algumas realmente fazendo afirmações absurdas, mas não é o meu caso e nem o de vários indivíduos. Agora, se você tiver utilizado o termo "crença" como sinônimo de "suposição" ou "opinião", então não vejo problemas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Irmãos - insistiu Ricardo - se vocês prestassem um pouco mais de atenção, veriam que, para nós, monoteístas, há um único deus, que é chamado de nomes diferentes. O fato é que existem doutrinas que atribuem características diferentes a esse único deus. E, Alceu, ateísmo não é o mesmo que ceticismo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ricardo, a pergunta do Alceu não se limita apenas ao universo dos deuses muçulmano, judeu e cristão, que, digo desde já, não vejo como se fossem um só. Como podem ser atribuídas características tão conflitantes a um único deus? Que deus seria esse, afinal? A pergunta se refere aos mais diversos deuses existentes nas diferentes culturas ao redor do mundo e ao longo do tempo. Isso pode incluir Shiva, do hinduísmo, Olorum, das religiões de origem africana, entre tantos outros. Nem todos os deuses adorados pela humaninade são o mesmo, pois são definidos com características muito distintas. Ao devolver-lhe uma pergunta parecida com a que você havia-lhe feito, a intenção dele foi explicitar uma falácia. A pergunta "e se Deus existir?", com o sentido com que geralmente é proposta, perde o sentido frente à pergunta "e se Baal existir?".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E é claro que ateísmo e ceticismo não são a mesma coisa. Por isso eu não disse apenas "ateu", nem somente "cético". Usei a expressão "ateu cético" para me referir aos indivíduos que são ateus e céticos simultaneamente, pois faço parte desse grupo. Não concordo com ateus que acreditam na existência de espíritos, em bruxaria ou astrologia. Perceba, no entanto, que o ceticismo costuma conduzir ao ateísmo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ricardo rebateu:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sua pergunta pode fazer sentido para algumas pessoas, mas não faz para um monoteísta. Não há deuses para quem acredita em um único ser superior. As três principais religiões do mundo acreditam, sim, no mesmo deus. Então, seus adeptos não optam por um deus, apenas escolhem entre duas alternativas: existe Deus ou não existe Deus. Ao incluir deuses de culturas politeístas, você está desviando a discussão, retirando de Deus sua atribuição de criador de tudo, para tratá-lo como um espírito qualquer. Eu estaria fazendo algo semelhante se lhe perguntasse qual universo você prefere: este ou um outro que eu inventaria. Uma pergunta mais coerente que você poderia ter feito a mim é: "E se, ao morrer, descobrir que Deus não existe e que perdeu um baita tempo adorando-o, além de ter se privado inutilmente de alguns prazeres?". Voltando à questão do ceticismo, o que você me diz a respeito da teoria dos memes? Eles não são diferentes de espíritos, pois são entidades imateriais, com uma espécie de vida. Se você acredita neles, não é tão cético assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como diabos você perceberia alguma coisa após ter morrido? Ricardo, a pergunta sobre outros deuses não faz sentido para um monoteísta, assim como a pergunta sobre um deus não faz sentido para um ateu, pois para este não existe deus e nem deuses. Perceba que o Alceu não acredita nos deuses que mencionou na própria pergunta. O possível encontro com Deus após a morte é tão absurdo na visão ateísta quanto o possível encontro com Baal o é na visão cristã. No momento de analisar um argumento, é preciso levar em consideração a intenção do mesmo, isto é, aquilo que pretende o argumentador. Neste caso, a intenção era demonstrar a ausência de valor na ameaça da sua pergunta. A comparação entre as duas perguntas resulta na percepção da falta de sentido em ambas, desde que se leve em consideração o pensamento daqueles a quem estão sendo dirigidas. Devemos reconhecer, no entanto, que é mais provável que o monoteísta assuste-se com a pergunta sobre outros deuses do que o ateu com a pergunta sobre Deus; afinal, ambas as perguntas exploram uma característica dos religiosos que os ateus não possuem: a capacidade de crer em divindades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sem contar que não se deve reduzir as escolhas quanto à religiosidade a apenas duas alternativas. Apesar de um ateu não crer em Deus, os crentes existem. E apesar de você crer em um único deus, os politeístas existem. Para eles, seus deuses existem. E vários desses deuses integram mitologias que procuram explicar o surgimento do universo, como o deus dos cristãos. Também existem e existiram outras religiões monoteístas cujos deuses são diferentes do deus católico ou judeu, como, por exemplo, o masdeísmo. Assim, podemos apresentar outras configurações possíveis de alternativas, como, por exemplo: existe um único deus, ou existem vários deuses, ou não existe deus algum. E, retomando o que o Caio dizia, um recurso argumentativo como a pergunta que lhe devolvi pode valer mais que uma extensa argumentação, da mesma forma que uma imagem pode dizer mais do que mil palavras, como falam por aí. Lembro-me de um exemplo muito engraçado, do pastor que tentou usar uma banana para provar a existência de Deus, dizendo que essa fruta possui características que a adaptam perfeitamente às necessidades humanas: formato anatômico, embalagem eficiente, maciez, etc. Ao que um ateu rebateu: "Por esse raciocínio, o abacaxi deve ter sido projetado pelo próprio diabo".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos riram, enquanto mais uma garrafa de cerveja era servida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- E os memes? - insistiu Ricardo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um ateu cético encara a teoria dos memes como qualquer outra. Acompanha as pesquisas a respeito, aguarda por evidências e vai construindo sua opinião, sem misticismo. É preciso registrar que memes são muito diferentes de espíritos, pois não possuem natureza sobrenatural. Trata-se somente de informações e ideias, sem consciência e ações próprias, que dependem de um meio muito particular para existirem: as mentes dos seres humanos e os artefatos criados por eles, como os livros. A suposta vida do meme é resultado de uma compreensão falha de sua natureza. É o mesmo que enxergar uma inteligência por trás do processo de evolução das espécies. O que temos nesses casos é uma inteligência aparente, mas não real, e que é confundida com vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Quer dizer, então, que você não tem o menor receio de morrer e descobrir que esteve errado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Com base no que acabamos de conversar, não vejo porque deveria ter. Mas levemos adiante essa hipótese, apenas para refletirmos um pouco mais. Imaginemos este que vos fala chegando ao céu e encontrando Deus. Alceu, o ateu que encontrou Deus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais risadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nasci em um mundo repleto das mais diferentes crenças e descrenças. Devido à cultura da região na qual nasci, ouvi desde criança histórias sobre Deus, o do cristianismo. Um pouco mais crescido, descobri que tais histórias simplesmente passam de geração em geração, e que sua origem são uma coleção de livros muito antigos, escritos em uma época que não fornece subsídios suficientes para que se comprove o que neles é dito. São livros doutrinários, religiosos, semelhantes aos escritos que embasam outras crenças. Livros que falam de coisas que nunca vemos acontecer no mundo real. Nasci em uma época em que a humanidade, através de seus estudos, acumulou uma enorme quantidade de informações, fartamente documentadas e cada vez mais comprovadas pelos modernos recursos que possuímos, e que evoluem sem parar. Diga-me, Ricardo, diga-me, como o Deus que vou encontrar poderá cobrar-me algum tipo de crença? Diga-me mais: frente a tudo isso, como as pessoas conseguem acreditar que existe algum deus a ser encontrado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ricardo refletiu por algum tempo e admitiu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Confesso que minha crença possui um certo grau de irracionalidade. Se você me chamar para a discussão com argumentos científicos, dificilmente discordarei deles. É claro que não creio no mito da criação divina, tal como relatado na Bíblia, e em quase nada do que consta nos livros que a compõem. Meu Deus é diferente. Eu o enxergo quando observo o mundo em que vivemos e o modo harmonioso como ele funciona.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Cada pessoa desenha Deus à sua maneira. - interferiu Caio - Quando ouço alguém descrever Deus, mais ou menos como você  acabou de fazer, sempre fico com impressão de que ele carrega características da pessoa que o retrata. E olha que quase todo mundo se mete em algum momento a tentar descrevê-lo, sem saber ao certo de onde está retirando as informações. É bem provável que seja das próprias experiências. O engraçado é que as descrições sempre iniciam mais ou menos assim: "Eu penso que Deus é...".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ricardo, precisamos conversar um pouco mais sobre essa questão da visão de mundo. Você sabe bem que ele não é assim tão harmonioso. Os seres vivos, a natureza, estão repletos de defeitos que, quando bem observados, desencorajam qualquer tentativa de atribuir sua criação a um ser inteligente. Analisando apenas o ser humano, encontramos uma gama de indícios de que não estamos diante da obra de um projetista: de um apêndice que pode levar-nos à morte ao perigoso trajeto do nervo laríngeo, entre tantos outros exemplos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caio sinalizou ao garçom, solicitando a conta, e emendou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;- No fim das contas, o fato é que as religiões dividem a humanidade, ao invés de uni-la.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não se todos acreditassem no mesmo deus. - argumentou Ricardo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como isso seria possível sem imposição?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu pergunto outra coisa. - completou Alceu - Qual deus?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-2791242051626749811?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/2791242051626749811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2791242051626749811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2791242051626749811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html' title='O ateu que encontrou Deus&lt;br&gt; - Parte IV: Números (Um, nenhum, alguns mais, outros menos)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-2066971122395789313</id><published>2010-05-26T23:12:00.004-03:00</published><updated>2010-07-22T00:29:04.707-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Bichinhos fofinhos (Tom)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S_8o3-JgdBI/AAAAAAAAAF8/IUGWjI4XEz8/s1600/Bichinhos+fofinhos.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S_8o3-JgdBI/AAAAAAAAAF8/IUGWjI4XEz8/s400/Bichinhos+fofinhos.png" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476140613946602514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-2066971122395789313?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/2066971122395789313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/bichinhos-fofinhos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2066971122395789313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2066971122395789313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/bichinhos-fofinhos.html' title='Bichinhos fofinhos (Tom)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S_8o3-JgdBI/AAAAAAAAAF8/IUGWjI4XEz8/s72-c/Bichinhos+fofinhos.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-181871480653101348</id><published>2010-05-05T23:00:00.015-03:00</published><updated>2010-11-23T00:11:37.156-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vácuo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Segunda</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Pela segunda vez na vida&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nada fazia o meu agrado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pela segunda vez no dia&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu me senti, então, amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os versos acima, de minha autoria, passaram a integrar a letra de uma nova música da banda Dom Capaz, liderada pelo meu irmão Lucas Paiva. &lt;s&gt;Você pode ver a banda tocando-a no vídeo abaixo. Assista até o final, pois é lá que se encontram os versos - a melhor parte da música, aliás.&lt;/s&gt; Como o vídeo da música foi removido pela banda, devido à baixa qualidade das imagens, deixo o clipe de outra canção do grupo, "Tanta Coisa", do EP "Meio Tanto de Atenção".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="246.4" width="409.6"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mkmeOuMnG8c?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/mkmeOuMnG8c?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="409.6" height="246.4"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para conhecer melhor o trabalho do Dom Capaz, cujas influências abarcam desde o rock até o melhor da música brasileira, como o samba, visite o endereço &lt;a href="http://domcapaz.blogspot.com/"&gt;domcapaz.blogspot.com&lt;/a&gt;. A propósito, o logotipo da banda, abaixo reproduzido, também é de minha autoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S-Ipf5Xu19I/AAAAAAAAAFs/w53me_r2XY0/s1600/DomCapaz.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467978525534246866" src="http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S-Ipf5Xu19I/AAAAAAAAAFs/w53me_r2XY0/s400/DomCapaz.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 185px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 279px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-181871480653101348?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/181871480653101348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/segunda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/181871480653101348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/181871480653101348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/segunda.html' title='Segunda'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S-Ipf5Xu19I/AAAAAAAAAFs/w53me_r2XY0/s72-c/DomCapaz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-8422099212722976916</id><published>2010-04-29T23:41:00.005-03:00</published><updated>2010-05-11T22:04:59.326-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Sua caixa postal está cheia (e, ao mesmo tempo, vazia)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Desde o início do ano vejo aumentar em minha caixa postal de correio eletrônico a quantidade de mensagens de cunho político.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não gosto das mensagens apelativas, insistentes, em sua grande maioria inúteis, que recebo constantemente, inclusive de alguns de meus contatos. São os chamados "SPAMs", o que poderia ser uma espécie de acrônimo para "superficiais, perturbadores, alarmistas e medíocres", mas que, na verdade, são &lt;i&gt;spams&lt;/i&gt; mesmo, em letras minúsculas, e diz a lenda que a palavra surgiu em um quadro do programa humorístico do grupo inglês Monty Python - ao que tudo indica, não se trata de uma simples lenda. O quadro apresenta um restaurante onde todos os pratos contêm um ingrediente chamado &lt;i&gt;spam&lt;/i&gt;, o qual uma das clientes não deseja consumir, mas a tarefa parece impossível. A cada pergunta sobre o cardápio, os funcionários repetem, insistentemente: &lt;i&gt;spam spam spam spam&lt;/i&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois bem. De volta aos &lt;i&gt;spams&lt;/i&gt; eletrônicos, devo dizer que existem as mensagens profissionais (peças publicitárias enviadas por empresas, muitas vezes sem o consentimento do destinatário) e as sociais (mensagens diversas repassadas de caixa em caixa, num fluxo interminável e que, a cada envio, atingem mais e mais pessoas). Esta última categoria contém desde conteúdo místico, que promete trazer sorte àqueles que auxiliarem em sua divulgação e azar àqueles que atrapalharem, até mensagens de autoajuda, piadas, alertas "importantes" sem os quais não conseguiríamos sobreviver, pedidos de socorro, apresentações lindinhas e otimistas, citações de Paulo Coelho, textos falsamente atribuídos a Luis Fernando Verissimo (aprecio os genuínos), textos verdadeiros do Jabor, entre tantas outras coisas indesejadas. Ainda bem que ninguém teve a desfaçatez de enviar alguma coisa escrita pelo Reinaldo Azevedo ou o Diogo Mainardi, o blogueiro e o colunista partidários que prestam serviço à revista que tenta se passar por imparcial e indispensável. Parece que mesmo o mais chato dos remetentes de &lt;i&gt;spams&lt;/i&gt; sabe que isso ultrapassaria todos os limites do bom senso que ele não possui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mais misterioso a respeito dos &lt;i&gt;spams&lt;/i&gt; é o fato de que existem pessoas que adoram recebê-los e passá-los adiante. Se assim não fosse, a quantidade de mensagens indesejadas em circulação - pelo visto, não tão indesejadas assim - seria infinitamente menor. E eis que se coloca a grande questão: como é possível que alguém aprecie esse fluxo frenético de bobagens? Não é tão difícil adivinhar que a resposta provavelmente contenha termos como "isolamento", "comportamento antissocial" e "desinformação".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O leitor mais consciente já deve saber que a maioria dessas mensagens são mentiras deslavadas. Para quem ainda não sabe, informo que um de seus propósitos é o de coletar o maior número de endereços eletrônicos possível (aqueles que vão se acumulando no corpo da mensagem a cada reenvio) até que a correspondência digital vá parar nas mãos de um &lt;i&gt;spammer&lt;/i&gt;, o cidadão que vai enviar mais e mais &lt;i&gt;spams&lt;/i&gt; para esses endereços, ou de um tipo de indivíduo muito pior, que vai utilizar os endereços para enviar vírus de computador disfarçados de &lt;i&gt;spams&lt;/i&gt;. Mas há também outros propósitos, como destruir a reputação de desafetos e de produtos da concorrência, ou simplesmente testar o poder de um novo boato, em um divertido exercício para aqueles que o criam, os quais devem se deliciar imaginando quantos navegantes incautos estarão tomando sua invenção como verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No que diz respeito às mensagens sobre política mencionadas no início do texto, as coisas são piores. Em adição a tudo o que já foi citado, estas ainda possuem a desvantagem de acabarem descambando para a mera propaganda partidária e ideológica, porém com uma enxurrada de descontextualizações históricas, documentos falsos, pessoas completamente inventadas, com nome, profissão e cidade, entre outros recursos capazes de levar o leitor menos informado a conclusões equivocadas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para citar um exemplo dos disparates, há uma mensagem que afirma categoricamente, sem sombra de dúvidas, que alguns programas de tevê foram retirados da grade de programação da maior emissora do país pelo governo. O mesmo texto afirma que o âncora de telejornal Boris Casoy havia sido demitido, novamente a pedido do governo, devido a seus comentários "verdadeiros, contundentes e procedentes", e diz ainda que a notícia a respeito da demissão fora publicada na revista Época. O insensato ou embusteiro ainda pergunta: "Onde está Boris Casoy?". Bastaria sintonizar na emissora correta por volta da meia-noite para encontrar o âncora perdido. Além de mentiroso, o texto deve ter sido escrito antes de o jornalista ter revelado sua faceta preconceituosa em um de seus comentários "contundentes e procedentes", a respeito da posição dos garis na escala do trabalho, sem saber que o áudio estava sendo transmitido em rede nacional.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o que dizer de um texto cujo título sentencia: "Ives Gandra falou, tá falado"? Parece que ainda há muita gente em busca de guias jurídico-político-espirituais, cujas palavras sejam a resposta definitiva a todas as indagações. Anexo ao referido texto, o vídeo de uma reportagem na qual o dito cujo ataca o Programa Nacional de Direitos Humanos, utilizando argumentos que compõem uma visão bem particular, após ser apresentado pelo repórter como "autor de mais de trezentos livros", em uma torta tentativa de conferir-lhe autoridade para a realização da crítica a que se propõe. Nenhuma opinião contrária. Afinal, se Ives Gandra falou...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pelo visto, o debate mais sério vai ficar para os blogues e comunidades virtuais e, caso estes também não consigam equilibrar as emoções (e já há sinais de que não conseguirão), vai ficar mesmo, infelizmente, apenas nas mídias conservadoras, onde o que prevalece é a opinião unilateral dos detentores do aparato informativo - com louváveis exceções - e a representação previamente ensaiada, cuidadosamente montada pelos marqueteiros, na qual a participação popular se resume a alguns poucos depoimentos comprados pelas ruas, exibidos durante a propaganda "gratuita".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já pensei em responder a algumas dessas mensagens, porém, após refletir por algum tempo, percebi que seria inútil. Geralmente, ninguém está interessado em devolver um &lt;i&gt;spam&lt;/i&gt;, mas apenas em passá-lo adiante. Essa é a natureza do &lt;i&gt;spam&lt;/i&gt;: seguir em frente. Afinal, quem seria capaz de garantir que, ao devolver uma resposta, aqueles sete anos de sorte conseguidos com o repasse da mensagem original não acabariam convertendo-se em sete anos de azar?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-8422099212722976916?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/8422099212722976916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/sua-caixa-postal-esta-cheia-e-ao-mesmo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/8422099212722976916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/8422099212722976916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/sua-caixa-postal-esta-cheia-e-ao-mesmo.html' title='Sua caixa postal está cheia (e, ao mesmo tempo, vazia)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-2991839852815435727</id><published>2010-04-17T00:28:00.016-03:00</published><updated>2012-02-08T23:58:48.040-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>O ateu que encontrou Deus - Parte III: Levítico (A lei, a moral e os bons costumes)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rádio do carro noticiava novos escândalos envolvendo padres pederastas. Os tempos andavam difíceis para a igreja católica. Parte da imprensa mundial a acusava insistentemente de acobertar durante décadas escândalos desse tipo, o que acabava por ressuscitar a lembrança de outras tantas atitudes condenáveis da instituição. A Legião de Cristo, uma das mais destacadas ordens católicas do mundo, frente a fortíssimas evidências, acabara de admitir os crimes de seu fundador, praticados inclusive contra seus próprios filhos. Já se podia ver o início de uma reação contra as denúncias: muitas pessoas ligadas à igreja e à tradição cristã passaram a atacar a imprensa e sua "histeria anticatólica". Enquanto estacionava o automóvel, Alceu imaginava o quanto seria difícil para que uma onda como essa tomasse conta da imprensa brasileira. Afinal, esta era fiscalizada há anos por outra ordem: a Opus Dei. Mas algo parecia estar mudando. Sim, ele achava que sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A casa paroquial era bem grande, um jardim muito bem cuidado na frente. O homem foi recepcionado por uma das empregadas, uma bela e tímida jovem. Dentro da casa, muito espaço. Um ambiente confortável. A moça o guiou escadas acima até uma sala ampla onde havia uma mesa comprida, um armário feito de madeira, de aparência antiga, e, em um dos cantos, próximo a grandes janelas abertas para o jardim interno, um sofá de espuma macia, onde o fez sentar-se. Ele, de forma quase inconsciente, observava o andar da moça a retirar-se, quando foi surpreendido pelo padre:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Admirando a beleza do mundo, Alceu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O arquiteto levantou-se, os dois cumprimentaram-se e sentaram-se em seguida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vocês têm um lugar muito bonito aqui. Realmente aconchegante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, eu adoro de passar os dias aqui. Poucas coisas me dão tanto prazer quanto caminhar pelos jardins, observando todas as belezas. A essa hora o sol castiga, por isso costumo assistir ao jornal da tevê local na sala ao lado. E não é que acabaram de informar sobre o debate do qual você irá participar na universidade? Veja que coincidência!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Muita coincidência. Agora mesmo eu estava ouvindo o rádio e eles estavam falando sobre a igreja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O padre logo intuiu que deveriam ser más notícias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esclareça-me uma dúvida, meu filho. Por que um arquiteto irá participar de um debate sobre religiosidade?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Na verdade, participarei do debate porque leciono no departamento de filosofia. Fiz pós-graduação em lógica e metafísica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Muito bom, muito bom. E não acha perigoso divulgar seu posicionamento para os jovens? Qual é a vantagem de espalhar o ateísmo? Esta não deveria ser apenas uma opinião pessoal, guardada aí em seu interior? Afinal, frente ao problema do mal, faz-se necessário defender o cristianismo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Confesso que não compreendi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um pouco de sofrimento, de medo da punição, pode levar ao aperfeiçoamento do caráter. Quem nega a existência de Deus cai no mais completo relativismo moral, de modo que um ateu não pode condenar nenhum ato, por mais assustador e hediondo que seja. É impossível e impensável viver de modo coerente e consistente com essa perspectiva de vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O padre pode explicar um pouco melhor essa idéia? - pediu Alceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quando observarmos o que o ateísmo fez no século XX, vemos que o que estou dizendo está correto. Se negarmos Deus, então tudo será permitido. Stalin, Mao Tsé-Tung, Fidel Castro, Sendero Luminoso, Gulag, Holodomor, Grande Salto para Frente, Revolução Cultural. Esses foram alguns dos ateus ou fenômenos por eles produzidos. A ausência de uma moral absoluta que decorre de Deus gera tal morticínio ateísta. O ateísmo é uma perspectiva de vida na qual o indivíduo não detém padrões e deveres morais absolutos. A ausência de um padrão normativo enseja ações como a de Stalin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas, padre, cristãos e demais religiosos também não praticam atrocidades?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esses não são cristãos. Afinal, Cristo disse: "Nem todo aquele que diz 'Senhor, Senhor' entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu pai". Deus não ordenou como lei volitiva e absoluta que seus filhos chacinassem tal como Stalin. Os que assim procedem não fazem a vontade do pai. Segue-se que, segundo Cristo, eles não são cristãos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quer dizer então que a pessoa que se diz cristã e pratica maldades não é cristã de verdade, mas a pessoa que se diz ateia e pratica maldades é ateia? Assim fica fácil colocar todo o mal na nossa conta! - protestou Alceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como poderia ser diferente? - indagou Padre Messias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Padre, tivemos ao longo da história inúmeras barbaridades cometidas em nome da suposta existência de um deus. Em nome desse deus muita gente justificou as mais terríveis práticas. Inquisição, cruzadas, caça às bruxas, apoio a regimes não democráticos, inclusive nazi-fascistas, intolerância, repressão, discriminação, perseguições, como a sofrida por Galileu Galilei, e assassinatos, como o de Hipátia de Alexandria e Giordano Bruno. Esses são fenômenos teístas. A aceitação de uma suposta moral absoluta, que decorreria de Deus e que deveria ser imposta a todos os seres humanos, gerou todo esse morticínio teísta. Hitler era religioso. E o que dizer do abuso sexual contra crianças, que a cada nova revelação parece ser mais comum dentro da igreja do que poderíamos imaginar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ora, por favor! - irritou-se o padre - Não me venha com essa! Não posso crer que você também faça parte desse insano tropel contra o catolicismo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Desculpe-me, padre, mas ateus e teístas podem cometer barbaridades, motivados pelo fato de serem ateus ou teístas, ou por outro fator qualquer. Não é a crença em deuses ou sua ausência o que torna uma pessoa boa ou má. Muitas das pessoas que o senhor citou não fizerem o que fizeram por serem ateias, apesar de o serem, mas por outras motivações, pessoais, sociais, políticas, entre outras. No entanto, vários dos acontecimentos que citei foram diretamente motivados pela crença em Deus. Os presídios estão cheios de crentes, quase na mesma proporção que a sociedade como um todo. Ateísmo significa, basicamente, a ausência de crença em divindades; nada além disso. Por si só, não gera violência. Moralidade é outra discussão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como seria possível praticar algum mal em nome de Deus? O que seria necessário para considerar que uma ação foi motivada por ele? Deus não pediu que as pessoas praticassem maldades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Na verdade, em algumas passagens da Bíblia, Deus ordena que se pratiquem atos que serão considerados hediondos por qualquer indivíduo em juízo perfeito. Quando se envia pessoas para a fogueira ou para a humilhação pública com base na existência de um deus que deseja que isso seja feito, essa terrível prática está sendo justificada em nome desse deus. Quando se assassina um médico porque ele fazia abortos e porque Deus é contra abortos, essa terrível prática está sendo justificada em nome de Deus. Quando se atira um avião contra um edifício cheio de pessoas porque um certo deus irá oferecer recompensas, essa terrível prática está sendo justificada em nome desse deus. Quando se conquista um território à base da força para ali impor sua religião, como se deu em boa parte da história da expansão do catolicismo pelo mundo, essa terrível prática está sendo justificada em nome de Deus. Inúmeros indivíduos já cometeram atrocidades e afirmaram que o fizeram por estar cumprindo as determinações de um ser superior. Muitas provavelmente estavam mentindo, mas muitas deviam realmente acreditar no que afirmaram, seja por possuírem algum tipo de desvio psicológico, seja por terem sido muito expostas a afirmações sobre a existência de um deus e sua moral absoluta, seja por outro fator qualquer. Não vejo sentido nessa discussão que confunde moral e religião. Insisto em apresentar esse tipo de comportamento apenas para demonstrar que o teísmo pode justificar ações condenáveis, com o único intuito de me contrapor à argumentação que tenta imputar ao ateísmo a origem do mal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vejo diante de mim um ateu, cético, ligado à ciência, mas que a ignora em seus argumentos. Em termos científicos, você não poderia expor sua teoria dessa forma. Uma teoria como a que você propôs precisa ter números, como o percentual de crimes com motivação religiosa. Você não consegue comprovar suas afirmações com dados e não possui um modelo aplicável para calcular a incidência de atos horríveis em comunidades teístas. Você não tem prova científica alguma de que o teísmo causa práticas terríveis. Exemplos soltos não configuram uma explicação científica. Um evento do tipo assassinato é físico e, portanto, os modelos para estudá-lo devem ser científicos. Qualquer coisa menos que isso é fé. Você precisaria da declaração do criminoso antes e depois do ato, e precisaria mapear isso estatisticamente. Tem algo assim? Não use "inúmeros". Atribua números.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Padre Messias parece estar montando uma armadilha para si mesmo. Está escolhendo um caminho que irá prejudicar mais o seu próprio ponto de vista do que o meu. Afinal, o padre, por acaso, consegue comprovar qualquer coisa sobre a existência de Deus utilizando métodos científicos? Um pouco de bom senso já seria suficiente para perceber que eu não disse nenhuma bobagem. Ao inverter um de meus argumentos, por exemplo, encontramos um absurdo: "nenhum teísta na história praticou um ato maldoso por ser teísta". Alguém é suficientemente inocente para aceitar tal afirmação como completamente correta? À parte disso, as atrocidades cometidas durante a inquisição e as cruzadas estão fartamente registradas e documentadas nos compêndios de história e são de conhecimento da maioria dos indivíduos instruídos. As motivações de Bin Laden e seus terroristas foram expostas pelo próprio. Outros registros sobre políticos e cidadãos comuns que fizeram declarações abomináveis e praticaram atos condenáveis em nome de um suposto deus podem ser encontrados na imprensa e em documentos confiáveis. Apenas alguns exemplos: em 1994, o médico John Britton e seu segurança foram assassinados na porta de sua clínica abortiva por Michael Bray e Paul Hill, que alegaram como motivação o fato de Deus ser contra o aborto. Recentemente, no Rio de Janeiro, um marido matou a ex-esposa em um confesso inquérito divino. Apesar de todos os fatos documentados, não conheço nenhum estudo conclusivo que associe fortemente o teísmo ou o ateísmo à prática de maldades e à ausência de moral. Aliás, conheço pesquisas cujos resultados apontam para o fato de não haver diferenças morais e éticas entre ateus e religiosos, realizadas pelo biólogo Marc Hauser e também pelo psicólogo Joshua Greene, ambos de Harvard. Se o senhor fizer uma investigação, poderá encontrá-las. Por ora, esclareça-me a seguinte dúvida: o intuito de tentar relacionar religião com moral é inferir alguma prova sobre a existência de Deus ou simplesmente defender a manutenção da crença, mesmo que fingida e imposta, como forma de controle social?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O intuito é permitir a vida em sociedade. Como as comunidades sobreviveriam sem uma moral absoluta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Para regular as sociedades temos as leis, e elas não parecem guardar semelhança com a "moral" encontrada na Bíblia. - Alceu gesticulou com as mãos, indicando as aspas - Veja que nas escrituras podemos encontrar várias situações tidas como normais na época e que hoje são condenáveis. Dos dez mandamentos, apenas dois correspondem a leis em nosso país. Além disso, perceba que as leis não são absolutas. Elas são alteradas com o passar do tempo, a fim de refletir a evolução das sociedades. O padre acha mesmo que, sem a suposição de que um deus existe, a humanidade não conseguiria decidir que matar é errado? Não perceberia que autorizar a violência geraria o caos e tornaria a vida insuportável?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sem uma moral absoluta todos estariam livres para fazer o que quisessem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas todos já são livres para fazer o que querem, desde que possuam os meios para tal. Contudo, devem arcar com as consequências. Como poderia existir uma moral absoluta? De onde ela surgiria? Como seria definida? Por quem? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alceu já sabia a resposta que o padre lhe daria. Sabia que ouviria algo sobre uma entidade sobrenatural, cuja existência não pode ser comprovada, a qual dita as regras absolutas que deveríamos seguir no mundo real, onde pessoas de carne e osso vivem de verdade, sofrem de verdade, lidam o tempo todo com problemas concretos, resolvidos com o conhecimento adquirido pela experiência. A experiência da vida real. Lógica. Graciosa. Esplêndida. Deslumbrante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não conseguia entender por completo o mecanismo pelo qual as pessoas aceitavam essa visão. Entendia cada vez menos, aliás. Isso o deixava triste. Triste pelos semelhantes que passavam pela vida sem querer compreendê-la, muitas vezes desprezando-a diante de uma hipotética outra vida, mesmo sem as devidas evidências, sem um motivo que sustentasse com firmeza tais decisões, apenas o medo do desconhecido. Então, antes que o padre respondesse, prosseguiu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mesmo supondo que uma moral absoluta realmente fosse possível e necessária, isso não seria nenhuma prova da existência de qualquer deus. Afinal, como inferir tal conclusão a partir dessa suposta necessidade? Padre, uma pessoa que pratica o bem devido a suas consequencias positivas parece-me mais ética do que uma que pratica o bem por temer algum tipo de punição. Quer ensinar moral? Vamos ensinar moral. A humanidade parece ter capacidade de defini-la e transmiti-la, mas, mesmo que não tenha, não há sentido em apelar a entidades sobrenaturais ou a uma moral absoluta em um mundo com tantas crenças diferentes. Formar cidadãos éticos é essencial para uma sociedade saudável, e isso nada tem a ver com religião.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Meu filho, meu filho... - disse o padre, sacudindo vagarosamente a cabeça, em sinal de negação - Bondade é sempre bondade, independente da motivação. Não importa o motivo pelo qual uma pessoa pratica o bem; o importante é o resultado para a humanidade. Um ato bondoso motivado pelo medo tem exatamente o mesmo valor de um ato bondoso que possua alguma outra motivação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não é assim, padre. O ato bondoso motivado pela percepção de um valor positivo em sua realização, como a felicidade do semelhante ou a construção de bons relacionamentos, é mais sólido. Apesar de o temor e a bondade não serem testáveis ou mensuráveis, pelo menos de forma objetiva, eles existem. Uma pessoa é virtuosa mesmo que sua virtude não possa ser medida. Prefiro ter por perto a pessoa que percebe o valor da bondade a partir de suas consequencias para si e para os outros a conviver com alguém que pratica o bem movido unicamente por um temor. Afinal, o embasamento do temor é mais frágil. Uma vez removido o temor, perde-se a justificativa para a bondade. O que restaria nesta situação, se não a maldade, caso o indivíduo não soubesse reconhecer os valores da bondade? Sem contar que uma sociedade na qual as pessoas vivem com medo da punição não deve ser muito feliz. O próprio temor é um fator gerador de ansiedade e depressão, o que vai na contramão da busca pela felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Já existem regras para a sociedade. Basta segui-las. Se a pessoa não seguir, chame a polícia. Se for uma organização, chame o gerente de auditoria. Tecnicamente, não existe investigação sobre o que ocorre na mente. Então, não faz diferença alguma o motivo pelo qual alguém pratica o bem. Basta praticar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A verdade é que existem, sim, muitas investigações sobre a mente humana. Científicas. Já é possível mapear as áreas do cérebro que são ativadas, dependendo das ações, dos desejos ou das sensações de um indivíduo. E continuo acreditando que a essência, ainda que imensurável, tem muito mais valor do que a aparência. Caso contrário, seria impossível perceber, por exemplo, o valor da arte, se este fosse medido somente por resultados práticos ou auditáveis. Creio que a experiência capitalista, cada vez mais individualista e competitiva, é que crie essa falsa visão de necessidade de medições técnicas em qualquer área da complexa existência humana. Além disso, uma essência de bondade costuma ter uma aparência de bondade; já uma essência de maldade pode ter tanto uma aparência de bondade, como quando o sujeito finge ou controla seus impulsos por medo, quanto, mais provavelmente, uma aparência de maldade mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, você possui uma visão peculiar da vida e pode até estar certo a respeito de algumas das coisas sobre as quais conversamos. É claro que minha fé não se abala, mas essa sua confiança nos valores da humanidade pareceu-me sincera. Você observa o universo através de um perspectiva da qual poucos conseguem dispor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Na verdade, não mantenho uma confiança irrestrita na humanidade e seus valores. Apenas não conheço nenhuma postura adequada à vida em sociedade de uma espécie racional e consciente, que não seja o esforço constante na direção do aperfeiçoamento desses valores. Quanto à minha visão do universo e da vida, espero que o senhor concorde comigo que a posição que devemos assumir é sempre a de deslumbramento. Veja quanta grandeza há em tudo o que existe! Quantos mistérios a serem desvendados pelo homem, que ainda engatinha em sua trilha rumo ao conhecimento! Não deveríamos contentar-nos com explicações que não possuam algum tipo de comprovação ou que reduzam todas as coisas a uma simplificação absurda. Cada possível explicação deveria ser investigada a fundo e aceita apenas quando mostrasse um certo grau de solidez e utilidade. Caso contrário...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O som de um alarme antifurto começou a soar lá fora, interrompendo Alceu. Ele correu até uma das janelas do lado oposto da sala e avistou seu carro com um dos vidros quebrados. Ao longe, um jovem corria, carregando sob o braço o rádio do qual acabara de apoderar-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Maldição. - balbuciou Alceu, sem pensar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O padre, de pé, alguns passos atrás, soltou uma leve risada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-2991839852815435727?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/2991839852815435727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2991839852815435727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2991839852815435727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html' title='O ateu que encontrou Deus&lt;br&gt; - Parte III: Levítico (A lei, a moral e os bons costumes)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-2330276507342902534</id><published>2010-03-23T22:00:00.018-03:00</published><updated>2012-02-08T23:56:53.881-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>O ateu que encontrou Deus - Parte II: Êxodo (Libertação e identidade de um povo)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As casas eram todas simples. Apenas alguns trechos das vias eram cobertos por asfalto. Àquela hora, muitos moradores estavam pelas ruas, nos botecos, caminhando ou simplesmente batendo papo na calçada. Bastava observar por pouco tempo para perceber que muito lhes faltava. Era claramente um lugar do qual os governantes lembravam-se menos do que outros. Talvez em época de eleição toda essa gente surgisse em suas memórias, porém apenas como valiosos votos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"E eu, que não creio, peço a Deus por minha gente. É gente humilde, que vontade de chorar." A canção passava-lhe pela cabeça, enquanto Dona Santinha indicava o caminho. Enfim chegaram à pequena igreja, improvisada em um cômodo apertado onde antes funcionava um botequim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Durante todo o culto, Alceu não conseguia parar de olhar ao redor, observando as pessoas que ali se encontravam. Rostos cansados, marcados. Apesar da aparente dispersão, ouvia grande parte do que proferia o pastor, pois este gritava bem alto:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Só Jesus pode vos libertar! ... Afastem-se de qualquer tentação e de todo pecado! ... Só na igreja é possível ser realmente livre! ... Cuidado com a música do mundo, com a televisão, com os pensamentos sujos, com aquelas pessoas que vão querer lhe influenciar! ... Libertem-se dos vícios e fiquem livres de todo o mal! ... Nunca deixem o caminho do Senhor! Façam sempre aquilo que ele espera! Contribuam! Sacrifiquem uma parte do seu suado dinheirinho, que é pouco, mas volta o dobro, o triplo! Quanto maior o sacrifício, maior as bênçãos, porque Deus é justo!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Aleluia! - repetiam os fiéis, após cada frase proferida pelo pastor em uma entonação diferenciada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As frases pareciam desconexas e contraditórias, pois evocavam, alternadamente, a liberdade e a contenção. Terminada a cerimônia, Dona Santinha conduziu Alceu até o pregador. Apresentou-os um ao outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Então está aqui o famoso Alceu. Já ouvi falar do senhor. O arquiteto filósofo. Ou seria filósofo arquiteto?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Por favor, Pastor Mosé, não precisa tratar-se como senhor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Claro, claro. Afinal, nosso único senhor é aquele que está todo o tempo conosco. - Alceu franziu a testa, mas o pastor seguiu falando - Já publicou alguns livros, não?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Apenas um, nada importante. Uma simples reflexão sobre a vida. Me tornei um pouco conhecido devido à entrevista para a tevê, na ocasião do lançamento. Daqui a pouco me esquecem. - respondeu Alceu, um pouco encabulado, esboçando um tímido sorriso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Diga-me uma coisa, Seu Alceu... Digo... Alceu. O que tem contra Deus? O que ele fez a você para que o odeie tanto?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alceu assustou-se. Ainda mais sem graça, respondeu:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Olha, Pastor Mosé, na verdade, não é que eu tenha alguma coisa contra Deus. O fato é que eu considero sua existência, digamos, um tanto improvável. Como eu poderia ter ódio de alguém que, muito provavelmente, não existe?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ora, Seu Alceu, e a Bíblia? O senhor, digo, você não crê na palavra do criador?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Essa palavra, "crença", é geralmente utilizada para se referir a opiniões adotadas com convicção, relativas a coisas improváveis, nas quais as pessoas acreditam por razões mais subjetivas do que objetivas. Nesse sentido, esta não é uma questão de crença. Mas, se considerarmos um sentido mais amplo, no qual a palavra "crença" signifique a opinião a respeito da verdade ou possibilidade de algo, então o que tenho a dizer é que costumo apresentar um embasamento para aquilo que estou afirmando. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo, mas, da comparação entre as justificativas, pode-se concluir a respeito do que é mais ou menos provável. Prefiro lidar com evidências e uma postura mais cautelosa a respeito do que pode ser verdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Verdade? Pois a verdade está na Bíblia!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dona Santinha fez um movimento com a cabeça, concordando. Alceu retrucou:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Como o pastor pode fazer essa afirmação com tanta certeza? A Bíblia é um conjunto de livros muito antigos. É difícil precisar quem os escreveu, como foram escritos, quando exatamente, sob que influências, com que propósitos. Hoje temos evidências históricas que comprovam que grande parte do que é ali relatado nunca ocorreu de verdade, apesar de alguns pesquisadores religiosos empreenderem estudos nos quais tentam adequar as evidências a uma visão pré-concebida. Sabemos, por exemplo, que os animais não foram todos criados ao mesmo tempo e que nunca ocorreu um dilúvio de proporções globais do qual eles foram salvos numa arca. A figura de Jesus Cristo parece não passar de um grande mito, com referências históricas não cristãs praticamente inexistentes e extremamente duvidosas. Por que acreditaríamos em algumas partes se tantas outras já se mostraram falsas? Os textos estão repletos de contradições e imprecisões, e diversas passagens tratam como normais coisas que hoje consideramos abomináveis, como a escravidão, a discriminação da mulher, os sacrifícios humanos, o massacre de pessoas que resolvem adorar deuses diferentes, entre outras barbaridades. Procure mais informações a respeito. Garanto que o pastor irá surpreender-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Mas, homem, as imprecisões se devem à forma como os livros foram copiados e traduzidos ao longo dos séculos, para que chegassem até nós. Afinal, durante muito tempo, não existia a impressão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Mais um motivo para que desconfiemos deles.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- A noção de moral é diferente da nossa - prosseguiu o crente - porque as escrituras, como você mesmo disse, foram produzidas em uma época distante, quando os valores eram diferentes desses que conhecemos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Pastor, se as escrituras tivessem mesmo sido ditadas ou inspiradas por Deus, a visão moral que nelas encontraríamos seriam universais e atemporais. Se Deus transmitiu ensinamentos que hoje se tornaram obsoletos, não podemos mais ler a Bíblia sem um critério que nos permita distinguir nela o que está correto e o que está errado. Portanto, ela nada possui de absoluto. Perceba, ainda, que nenhuma de suas palavras revelam algum fato que vá além do conhecimento que a humanidade possuía na época. É algo que um ser superior poderia ter feito e que serviria, hoje, como evidência da sua existência. O que isso pode significar? Que Deus evitou fazer revelações realmente importantes ou que a Bíblia foi escrita por homens comuns, limitados como nós? Se um conjunto de livros escritos há milênios, numa época em que a humanidade não dispunha de tecnologia para documentar de forma precisa os acontecimentos, for o indício mais forte da existência de um ser superior, então esse ser, definitivamente, não sabe escolher adequadamente os métodos para nos comunicar o que deseja, apesar de sua alegada perfeição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E as profecias?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dona Santinha e o pastor fitaram Alceu. Este, após um breve intervalo, respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Várias profecias foram feitas ao longo do tempo, grande parte em linguagem metafórica, não apenas pela Bíblia. Veja as previsões de Nostradamus, por exemplo. Sua linguagem misteriosa, cifrada, facilita que se faça correspondências entre elas e fatos que aconteceram depois. Mais de um fato por previsão, em muitos casos. Várias profecias bíblicas já foram associadas a certos fatos no passado e hoje são associadas a outros. Veja, pastor, que duas coisas podem se dar com uma profecia: ela pode cumprir-se ou não. A história da humanidade já possui uma quantidade suficiente de séculos para que algumas profecias tenham parecido se cumprir. Imagine só. Se todas as previsões não tivessem correspondido a algo que realmente chegou a ocorrer em algum momento após terem sido divulgadas, aí teríamos um cenário realmente espantoso. Eu mesmo me arrisco a fazer algumas para os próximos dois mil anos, com grandes chances de acerto. Alguém duvida que veremos muitos desastres naturais? Ou que a tecnologia ocupará cada vez mais a vida das pessoas?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- E as igrejas, as instituições, as civilizações e tudo o mais que foi erguido a partir do que está na Bíblia?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- O pastor deve perceber que a pergunta não faz sentido. Muitas instituições podem ter se baseado unicamente na Bíblia. Outras se basearam na Bíblia, mas também em outros pilares. Algumas adquiriram um valor que vai além do conteúdo das escrituras, como um valor social, por exemplo. Outras não. Nada disso diz algo sobre a veracidade dos escritos bíblicos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alceu, muita gente interpreta de forma errada esses livros tão valiosos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pastor, como pode usar esse tipo de argumento? As interpretações da Bíblia são inúmeras, repletas de grandes diferenças entre si. A causa de tamanha variedade é, justamente, a linguagem confusa e imprecisa. A consequência são todos os conflitos religiosos que temos hoje e que ocorreram ao longo da história, desde a simples discussão entre integrantes de diferentes igrejas, passando pelo preconceito, por exemplo, contra homossexuais, até guerras! - exaltou-se Alceu - Se o melhor argumento a favor de Deus que o pastor pode apresentar for a Bíblia, então sugiro que procure por outros, pois não imagino como a Bíblia pode ser a favor de alguma coisa. Veja quantas religiões há no mundo, nas mais diferentes culturas, cada qual com sua mitologia e seus rituais, algumas com vários deuses, outras com menos. O pastor vai mesmo afirmar que apenas as religiões baseadas nas escrituras estão corretas? Que todo o restante das pessoas está errado? Mesmo sem ter um modo de saber se sua interpretação é a mais correta dentre tantas? Mesmo sabendo que, se tivesse nascido em determinados locais do planeta, provavelmente seguiria uma religião completamente diferente, como o hinduísmo ou o islamismo, que não se baseiam nos mesmos escritos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Houve um breve intervalo, após o qual o pastor sugeriu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha, Alceu, você tem argumentos muito bons, mas precisa conversar com um velho amigo meu: o Padre Messias. Ele foi meu conselheiro espiritual, um verdadeiro guia, durante o período mais difícil pelo qual já passei. Mas a vida acabou nos conduzindo por caminhos diferentes e eu acabei vindo para o protestantismo. Até hoje o respeito muito e tenho certeza de que ele irá lhe iluminar como me iluminou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Dona Santinha olhou na direção do teto.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não creio que seja necessário. - disse Alceu, desculpando-se em seguida.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Eu insisto. Entrarei em contato com ele e agendarei um encontro entre vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alceu uniu fortemente os lábios e ergueu a sobrancelha, mostrando-se um tanto contrariado. Os três se despediram e, enquanto os dois visitantes se retiravam, pôde-se ouvir o som de um telefone chamando, vindo de uma pequena sala ao fundo da igrejinha. Dona Santinha voltou-se para Alceu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Deve ser o superintendente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O quê? Vocês têm um superintendente?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pastor Mosé retirou o fone do gancho e posicionou-o ao ouvido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Muito boa noite, Seu Jaó! Como tem passado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bem, Seu Mosé, muito bem. Como foi a arrecadação hoje?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ainda não pude conferir, Seu Jaó, mas parece que foi dentro do esperado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como assim, Mosé? Estou ligando quinze minutos após o encerramento do culto e você ainda não fez o fechamento? Mais agilidade, por favor!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É que eu estava conversando aqui com o Seu Alceu, o senhor deve conhecer, ele já publicou um livro. Vê se pode. O coitado não acredita na existência de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E você acredita, Seu Mosé?!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pausa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como assim, Seu Jaó?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esquece, Mosé, esquece. Você é mesmo de outro mundo. Vou falar com um amigo que mantém uma instituição de divulgação religiosa. Pedirei que procure esse tal Alceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nas ruas do humilde bairro, as pessoas se divertiam. Nas casas, aprontavam-se para as festas, os bailes, bares e boates improvisadas. No fundo da igreja, Mosé mantinha o olhar fixo no antigo aparelho telefônico verde. Cabisbaixo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-2330276507342902534?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/2330276507342902534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2330276507342902534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/2330276507342902534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html' title='O ateu que encontrou Deus&lt;br&gt; - Parte II: Êxodo (Libertação e identidade de um povo)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-3307231123811722719</id><published>2010-03-11T21:27:00.000-03:00</published><updated>2010-03-11T21:28:35.762-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>O sentido da vida</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S5WtKbPLzJI/AAAAAAAAAD0/a1XIZ_s1zaw/s1600-h/O+sentido+da+vida.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 255px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S5WtKbPLzJI/AAAAAAAAAD0/a1XIZ_s1zaw/s400/O+sentido+da+vida.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446449718996225170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-3307231123811722719?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/3307231123811722719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-sentido-da-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/3307231123811722719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/3307231123811722719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-sentido-da-vida.html' title='O sentido da vida'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S5WtKbPLzJI/AAAAAAAAAD0/a1XIZ_s1zaw/s72-c/O+sentido+da+vida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-1257584911079800366</id><published>2010-03-03T21:10:00.018-03:00</published><updated>2012-02-08T23:56:03.796-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>O ateu que encontrou Deus - Parte I: Gênesis (A criação)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu tomava o café da manhã ao lado de sua esposa, Elza. Ao longe, a tevê dizia a ninguém algo sobre a visita do Papa ao país, que aconteceria dali a alguns meses. Uma das frases da repórter chegou aos ouvidos do jovem arquiteto, despertando-lhe a atenção: "Os fiéis confeccionam faixas e cartazes e se preparam para enfrentar uma longa viagem até o local onde vão recepcionar o sumo pontífice".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quanto desperdício de tempo e recursos para receber alguém responsável por construir uma ponte imaginária para um lugar imaginário...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dona Santinha, a funcionária contratada para cozinhar e ajeitar a casa, ia passando por ali e ouviu o comentário do patrão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que é isso, Seu Alceu? Tá falando do quê? - indagou a velha senhora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A funcionária sempre fora muito bem tratada e gozava de liberdade para conversar com aqueles que lhe pagavam o salário sobre os mais diversos assuntos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Estou falando do Papa, Dona Santinha. A senhora sabe que não levo essas coisas a sério.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por favor, não comecem vocês dois com essas conversas. - tentou intervir Elza. Como era de costume, a tentativa não surtiu o efeito esperado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pois deveria levar muito a sério. - ralhou Dona Santinha - Também não confio no Papa, pois sou de religião protestante, mas já disse ao senhor que sempre há tempo para buscar a salvação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Elza havia terminado o café. Levantou-se e dirigiu-se ao quarto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Me diga uma coisa, patrão. - continuou a cozinheira - Se Deus Nosso Senhor realmente não existe, como o senhor tanto fala, como é que há tanta coisa bonita no mundo? Quem foi que criou tudo isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha, Dona Santinha, em primeiro lugar, a senhora sabe que não gosto que fique me chamando assim, de patrão. Quanto à pergunta, veja que ela está errada. Por que todas as coisas precisariam de um criador?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ora, tudo o que existe foi criado por alguém, não foi? Essa mesa, o relógio do senhor, a televisão...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Para, pode parar aí. - interrompeu Alceu - Nenhuma dessas coisas foram criadas, na verdade. Elas foram todas construídas, montadas, fabricadas, a partir de materiais que já existiam antes. Quando a senhora pensa em Deus criando o universo, imagina ele fazendo isso a partir do nada, não é? Veja só quanta diferença!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas Deus tem poder, Seu Alceu!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como assim, Dona Santinha? Veja bem. A senhora está dizendo que Deus precisa existir porque tudo o que existe deve ter um criador. Se tudo precisa de um criador, responda-me: quem criou Deus? Se ele existe, também precisa ter sido criado, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não. Deus não precisa ter sido criado. Que absurdo, Seu Alceu!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha só. A senhora tinha um problema no começo: quem criou o universo? Para resolver esse problema, ao invés de analisá-lo e aguardar por alguma evidência que apontasse para uma conclusão, a senhora deu uma resposta para a qual não existe nenhuma comprovação e, ainda por cima, criou um outro problema: quem criou Deus? Acho que esse problema que a senhora criou é ainda mais difícil que o primeiro. Tentar explicar como Deus foi criado daria muito mais trabalho. Sem contar que, na verdade, não estaríamos resolvendo problema algum, pois sempre teríamos que explicar como foi criado o criador do criador do criador do criador do criador do universo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas Deus sempre existiu, Seu Alceu! Ele é eterno!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Agora a senhora está admitindo que podem existir coisas sem criadores. Se é assim, então já não temos mais aquele problema que tínhamos no começo. Por que indagar sobre quem teria criado o universo? Ele não precisa ter sido criado por alguém. Se Deus pode simplesmente existir, então o universo, que é bem mais simples que ele, também pode. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns segundos de silêncio. A expressão de Dona Santinha entregava que ela estava pensativa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E de onde a senhora tirou que Deus, caso existisse, seria eterno? - prosseguiu Alceu, tentando quebrar o silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foi o pastor lá da igreja quem disse. - respondeu Dona Santinha após mais alguns segundos - Mas sabe que eu ainda não tinha parado para pensar desse jeito que o senhor falou aí? Como a gente explica, então, a origem de tudo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Explicar com toda a certeza a gente não consegue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha aí! Tá vendo só? Precisa de Deus pra explicar!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não, Dona Santinha. Nada disso. Apesar de não conseguirmos explicar de uma maneira decisiva, temos algumas hipóteses a respeito. A criação divina pode até ser uma delas. Não há motivos fortes, no entanto, para que alguém leve sua vida e tome suas decisões baseando-se nessa hipótese em especial. Afinal, é apenas uma hipótese, e nem é a mais provável. Qual a dificuldade de ficar com a dúvida enquanto não aparece uma resposta definitiva? São tantas as coisas que não sabemos... Por que se agarrar tão fortemente a uma explicação e abandonar tantas outras que vão sendo descobertas pouco a pouco pela ciência com muita dificuldade? Apesar de não terem conseguido chegar a um veredito, os cientistas já têm muitas pistas e observações sobre a origem do universo. Bem mais do que tinham há pouco tempo atrás.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então a ciência é a dona de toda a verdade?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, claro que não. Nem os cientistas a consideram assim. Todas as suas afirmações podem ser quebradas por simples evidências. E eles mesmos tratam de destruir cada conceito que pareça errado frente a novas descobertas. É errando e acertando que tentam se aproximar cada vez mais da verdade. Dadas as limitações de nossos sentidos e de nossos métodos, é difícil imaginar que algum dia deteremos alguma verdade absoluta. Mas repito: não há problema algum em ficar com a dúvida. Apesar disso, a busca pela verdade deve prosseguir sempre. E isso é algo que a religião não faz. Ao proclamar que já possui a solução, ela abre mão da dúvida e, assim, incentiva as pessoas a não mais buscarem por respostas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Seu Alceu, o senhor podia conversar com o Pastor Mosé no culto de sexta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pra quê, Dona Santinha, se não sou nem um pouco chegado a esse tipo de adoração?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vou contar-lhe sobre essa nossa conversa. Acho que ele vai achar interessante e seria muito bom se pudesse falar diretamente ao senhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hum... não sei, não. Acho que ele vai é dizer à senhora para pedir demissão, para se afastar dessas ideias "demoníacas".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Cruz credo, Seu Alceu! - exclamou Santinha, fazendo o sinal da cruz - Não fale desse jeito!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-1257584911079800366?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/1257584911079800366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1257584911079800366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1257584911079800366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html' title='O ateu que encontrou Deus&lt;br&gt; - Parte I: Gênesis (A criação)'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-3626005409063460760</id><published>2010-02-24T22:15:00.022-03:00</published><updated>2012-02-14T23:30:52.385-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos (e com sequência)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><title type='text'>Prólogo de uma história que será contada</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aproximava-se o Natal de 1983. As crianças da casa, Caio e Alceu, discutiam à mesa, durante o jantar. Os pais e o irmão mais velho, Ricardo, já não conseguiam suportar o berreiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;- O meu presente será muito melhor que o seu! Papai Noel vai me trazer uma fantasia de super-herói! - gritava um.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Grande coisa! - rebatia o outro - Para mim ele trará uma bicicleta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os pais se entreolhavam, prontos para explodir numa bronca. A competição prosseguia, as crianças cada vez mais irritadas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, é? Pois para mim Papai Noel vai trazer um...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vocês dois não sabem é de nada! - gritou, de súbito, Ricardo, o irmão mais velho, interrompendo a rixa - Papai Noel nem ao menos existe!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mãe, assustada, soltou um longo psssssiu!, sinalizando para que Ricardo se calasse. Não adiantou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O papai e a mamãe compram os presentes e os colocam debaixo da árvore de Natal! Por isso, tratem de se contentar com aquilo que eles podem nos dar!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Silêncio quase absoluto, interrompido somente pelo tilintar dos talheres. Apenas o autor da revelação continuou a comer, não porque tinha vontade, mas porque não conseguia pensar em outra coisa para fazer. As cabeças das duas crianças giravam. Uma pitada de arrependimento começou a incomodar Ricardo, fazendo-o coçar a garganta. Alceu, a criança que estava mais eufórica alguns minutos antes, não mais enxergava o que estava à sua frente. Apenas a forma circular do prato parecia se destacar. Sentia suas têmporas a pulsar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não fora a revelação do irmão mais velho que imediatamente o convencera. Fora, na verdade, o sinal feito pela mãe, em quase desespero. O som ainda ecoava: pssss... Aquele som interminável, que acabara de revelar-lhe uma simples verdade, até então desconhecida. De que modo aquela espécie de sibilo... ssssss... tão simples... ssss... pôde revelar um fato tão estarrecedor? Como tinha sido inocente, meu Deus!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;==##==&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um pouco mais à noite, os irmãos preparados para dormir, já posicionados em suas camas. A mãe terminou de ajeitar Caio e dirigiu-se a Alceu. Cobriu-o, beijou-lhe a testa e sussurrou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Reze para Papai Noe... Papai do Céu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela retirou-se rapidamente do quarto, imaginando que um desaparecimento relâmpago fosse interromper as consequências de seu pequeno descuido. A cabeça da criança voltou a girar, aparentemente a uma velocidade muito maior. Seria possível? Sua idade ainda não lhe permitia saber o que era um ato falho, mas isso não parecia ter importância. Qual era a diferença entre os dois papais distantes? Nunca havia encontrado nenhum deles. Apenas ouvia falar de suas atitudes benignas. Tinha que se comportar sempre muito bem para conquistar alguma coisa que eles podiam lhe dar. Por que deveria levar tão a sério a existência de um, se o outro o enganara por tanto tempo, causando-lhe tamanha decepção?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Cainho...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O irmão não respondeu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- ...acho que preciso tomar mais cuidado para não me passar por idiota.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html" style="font-size: x-small;"&gt;Prólogo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-i.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte I&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-ii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/04/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte III&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2010/05/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-iv.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte IV&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/03/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-v_30.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte V&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/07/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vi.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VI&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2011/11/o-ateu-que-encontrou-deus-parte-vii.html" style="font-size: x-small;"&gt;Parte VII&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2012/01/epilogo-no-qual-alceu-finalmente.html" style="font-size: x-small;"&gt;Epílogo&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-3626005409063460760?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/3626005409063460760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/3626005409063460760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/3626005409063460760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/prologo-de-uma-historia-que-sera.html' title='Prólogo de uma história que será contada'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-1951855793150634658</id><published>2010-02-03T23:08:00.002-02:00</published><updated>2010-02-03T23:24:32.934-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jogos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vácuo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Ocupado</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há na lista desses temas, &lt;div&gt;nesse pouco que sobrou, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que me ocupa apenas, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;quase nada do que sou.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-1951855793150634658?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/1951855793150634658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/ocupado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1951855793150634658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1951855793150634658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/02/ocupado.html' title='Ocupado'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-5070266171007002751</id><published>2010-01-27T21:47:00.031-02:00</published><updated>2011-11-17T23:32:33.732-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Três por três</title><content type='html'>Observamos, nos últimos meses, através da imprensa grande brasileira, a cobertura de três tragédias que receberam abordagens semelhantes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Os deslizamentos de terra em Angra dos Reis;&lt;br /&gt;2) As enchentes cada vez maiores em São Paulo; e&lt;br /&gt;3) Os tremores de terra no Haiti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três casos deixaram para trás vários mortos, feridos e situações caóticas, cada qual em sua devida proporção, que exigirão um árduo trabalho de reconstrução para que a vida dos sobreviventes retorne a algo próximo do normal (falar em normalidade agora pode soar até ofensivo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abordagem oferecida pela imprensa em cada um dos casos, embora muito parecida nos três, terminou se mostrando superficial. Como de costume, prevaleceu a tendência de culpar a Natureza, e quase somente ela, pelos desastres. A Natureza, suas chuvas e seus terremotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos jornalistas teriam se aproximado um pouco mais da realidade e informado melhor os consumidores de notícias se tivessem considerado, em todos os casos, os fatores sociais, predominantemente humanos, que potencializaram cada um dos acidentes. Nos três casos, seria preciso levar em conta os deslocamentos populacionais motivados pela busca de oportunidades e pela tentativa de fuga da pobreza, que resultam em áreas com enorme aglomeração de pessoas e na intensificação do processo de favelização, como consequência do desemprego e do limitado acesso à educação, à saúde e ao saneamento básico; a falta de planejamento urbano nas regiões atingidas; a não utilização das informações científicas disponíveis a respeito da sujeição dessas regiões aos tipos de ocorrência observados, o que poderia ter orientado a ocupação dos espaços; o despreparo das autoridades frente ao ocorrido; a ausência de normas e técnicas de engenharia nas construções, que poderiam torná-las adequadas às áreas nas quais se encontram, como acontece em certos locais do planeta onde a pobreza não é tão grande; entre outros fatores. A lista de irregularidades é tamanha que poderíamos falar, em alguns casos, de "tragédias anunciadas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de São Paulo, há ainda a discreta sugestão, inclusive por parte da mídia, de que a responsabilidade seria dos próprios atingidos, pobres sem educação que atiram entulhos nos rios e nas ruas, como se eles tivessem optado, felizes, pela condição de pobreza e pela falta de acesso à educação de qualidade (ou a alguma educação). Com isso, a mídia ajuda a disseminar na sociedade uma visão equivocada e, algumas vezes, preconceituosa, a respeito dos problemas enfrentados por grande parte de nossos semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, isto é, também nos últimos meses, a imprensa atacou ferozmente três iniciativas do governo e da sociedade civil organizada de regulamentar artigos da Constituição que dizem respeito aos meios de comunicação. Essas iniciativas encontram-se descritas nos seguintes documentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Relação das propostas da 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom);&lt;br /&gt;2) Documento-base da 2ª. Conferência Nacional de Cultura; e&lt;br /&gt;3) Texto do 3º. Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o motivo do ataque? A grande mídia acusa o governo de tentar implantar a censura e, segundo matérias que circularam em importantes jornais, iniciar um "regime de força", ou seja, ditadura (ou mole, quero dizer, "branda", como preferem alguns). Chegou-se ao absurdo de a Abert (Associação Nacional de Emissoras de Rádio e Televisão) dizer em nota que a 1ª. Confecom "atentava contra princípios constitucionais caros à democracia brasileira". Surgem, então, algumas questões: Como uma lei que pretende regulamentar artigos da Constituição pode estar ferindo princípios constitucionais? Como um programa que objetiva fortalecer os direitos humanos pode dar início a um regime ditatorial, isto é, o exato oposto de seus objetivos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agindo como se isso não bastasse, a imprensa ainda se aliou aos setores mais conservadores da sociedade, que também se opõem a certos pontos do 3º. PNDH, como ruralistas, militares e a Igreja, e passou a disseminar suas críticas como se estas fossem a opinião da sociedade como um todo. Sem contar que propostas muito parecidas estavam presentes também nos dois PNDHs anteriores, o primeiro de 1996 e o outro de 2002, e não geraram tanto calor como agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante ressaltar que todas as propostas são isso mesmo: propostas, que teriam que ser votadas e aprovadas nas casas legislativas para que se tornassem leis. A fim de tornar as coisas mais claras, vejamos os artigos constitucionais que carecem de regulamentação. Sua leitura é suficiente para que se compreenda o comportamento da imprensa, que é também parte interessada, dado seu modelo de operação, o que acaba por comprometer sua característica mais importante: a credibilidade. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;§ 3º. - Compete à lei federal:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;§ 5º. - Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;§ 2º. - A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;§ 4º - O cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo, depende de decisão judicial.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vejamos agora se um dos trechos do documento-base da conferência sobre cultura que têm causado mais polêmica diz algo diferente disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Os fóruns de cultura e de comunicação devem unir-se na luta pela regulamentação dos artigos da Constituição Federal de 1988 relativos ao tema. Entre eles o que obriga as emissoras de rádio e televisão a adaptar sua programação ao princípio da regionalização da produção cultural, artística e jornalística, bem como o que estabelece a preferência que deve ser dada às finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, à promoção da cultura nacional e regional e à produção independente (art. 221).&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a ação mais condenada proposta pelo PNDH?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar um ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios de Direitos Humanos, assim como os que cometem violações.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No caso do rádio e da televisão, é preciso lembrar que se trata de concessões públicas, e que, portanto, estão sujeitos a regras que visam proteger os interesses da sociedade, e não apenas de seus proprietários.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao invés de lutar contra censuras inexistentes, como fez no caso dos três conjuntos de propostas, a imprensa grande brasileira deveria livrar-se da autocensura, esse filtro sujo que impede que ela se aprofunde adequadamente nos assuntos tratados, como o das três tragédias. O esforço foi empregado na tarefa errada: teria sido muito melhor se tivéssemos tido três coberturas decentes ao invés de três reclamações corporativistas e tendenciosas. Os leitores e telespectadores se sentiriam mais bem informados se tivessem contextualização e análises que considerassem a grande pluralidade de pontos de vista existentes. Enquanto a mídia e a sociedade (não necessariamente nesta ordem) continuarem culpando a Natureza e os pobres (ou as vítimas) pelos problemas, estes continuarão existindo e piorando. Os grandes meios de comunicação, condutos que alcançam praticamente toda a população, deveriam tomar para para si a tarefa de iniciar e manter a discussão que nos conduziria a uma visão mais clara dos problemas que precisamos solucionar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;==##==&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 1: Este texto não tem a intenção de criticar os ruralistas, os militares ou a Igreja em sua totalidade, mas apenas a atitude exagerada tomada por alguns de seus membros frente às propostas do PNDH. Afinal, trata-se de um conjunto de medidas reconhecidas internacionalmente, várias adotadas nos países mais desenvolvidos, que visam ao fortalecimento dos direitos humanos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 2: O mais importante jornal televisivo brasileiro voltou a criticar o MST, requentando uma notícia de cerca de três meses atrás, através da divulgação de um "novo" vídeo. Além de passar uma imagem extremamente negativa do movimento, a matéria veiculada procurou relacioná-lo ao PT, exibindo declarações de algumas pessoas ligadas ao partido (o tipo de coisa que não se costuma ver quando os partidos são outros, principalmente se considerarmos que a sigla foi repetida à exaustão, como uma espécie de mensagem a ser incutida na mente do espectador, atrelada a irregularidades). Não sou petista, mas vale a pena requentar uma certa postagem sobre laranjas. Que laranjas? &lt;a href="http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/as-laranjas-ora-as-laranjas.html"&gt;As laranjas, ora, as laranjas&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 3: O mesmo jornal, na mesma edição, criticou a suspensão da transmissão de algumas redes de tevê a cabo na Venezuela por parte do presidente Hugo Chávez. Até aqui tudo bem: este blogueiro também discorda de várias medidas tomadas por aquele presidente. (Se bem que um bom jornal deve informar, e não opinar. Se for opinar, deve exibir a posição das mais variadas vertentes, o que não deixa de ser uma tarefa informativa.) O problema é que, logo em seguida, entrou no ar uma matéria de opinião comparando as diferentes atitudes do governo brasileiro frente à recente crise em Honduras e esta agora na Venezuela, como se fossem a mesma coisa (parece que a imprensa sabe contextualizar informações quando lhe convém, embora o faça de modo tendencioso). Foram exibidas as opiniões de dois entrevistados (os famosos "especialistas") escolhidos pelo jornal, ambos concordando com o posicionamento da matéria. Por que não um concordando e outro discordando? Por acaso não existem diversas visões sobre o assunto, inclusive dentro da própria Venezuela? Creio que seja importante considerar que, naquele país, os órgãos de comunicação são praticamente partidos políticos, e que são eles as fontes de grande parte das informações que vemos reproduzidas em nossa mídia. Qual seria o grau de distorção resultante desse fato? Para uma imprensa que anda se assustando muito fácil com iniciativas de regulamentar artigos constitucionais que lhe concernem, qualquer denúncia de censura pode acabar assumindo proporções maiores que as reais.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-5070266171007002751?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/5070266171007002751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/tres-por-tres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5070266171007002751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5070266171007002751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/tres-por-tres.html' title='Três por três'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-135310377719400609</id><published>2010-01-18T21:31:00.007-02:00</published><updated>2010-02-24T22:32:24.365-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Diálogos irreversíveis</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1Tw_2FGfuI/AAAAAAAAACA/P7O3LxyJLDQ/s1600-h/Haiti.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 123px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1Tw_2FGfuI/AAAAAAAAACA/P7O3LxyJLDQ/s400/Haiti.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428228430527626978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Em tempo:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As sinalizações dos valores por parte dos países citados ocorreu alguns dias após a tragédia. Passado mais algum tempo, a União Européia anunciou que pretende tornar disponível um valor muito maior. No entanto, antes do anúncio, o tom da crítica era esse mesmo, como se o Brasil estivesse fazendo algo terrível, e não algo louvável e, acima de tudo, necessário, humanitária e politicamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-135310377719400609?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/135310377719400609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/dialogos-irreversiveis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/135310377719400609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/135310377719400609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/dialogos-irreversiveis.html' title='Diálogos irreversíveis'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1Tw_2FGfuI/AAAAAAAAACA/P7O3LxyJLDQ/s72-c/Haiti.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-1654963984511857591</id><published>2010-01-18T21:28:00.004-02:00</published><updated>2010-02-24T23:32:27.265-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><title type='text'>Parcerias imaginárias</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Quando criança, inventei um amigo imaginário que fazia parar minha dor de barriga. Não nos relacionávamos com a frequência comum com a qual as crianças normalmente se relacionam com seus amigos imaginários. Não. Eu o chamava apenas quando tinha dor de barriga. Então ele vinha, uma espécie de homenzinho que percorria meus intestinos, colocando ordem onde possivelmente havia uma enorme bagunça. Mas por que um companheirinho com uma função tão específica? Bom, em primeiro lugar, a verdade é que uma criança não costuma ter muitos problemas além de dor de barriga. E também porque a parceria (eu lhe dava existência e, em troca, ele me dava alívio) funcionava.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais tarde, durante a pré-adolescência, os problemas eram outros. Com tantas notícias assustadoras a respeito da criminalidade crescente, passei a temer assaltos enquanto caminhava pelas ruas, a passeio ou no trajeto até a escola. Então, criei um novo salvador: um pequeno ser azul, vigilante, que me alertaria com antecedência sobre algum perigo. Até hoje lamento o dia em que, retornando da escola para casa, esqueci-me de invocá-lo e acabei sendo assaltado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estas amizades fantásticas não cuidaram apenas de problemas menores e específicos. Um pouco mais velho, frente à complexidade cada vez maior dos problemas que apareciam cada vez em maior quantidade, passei a invocar as Leis Precisas Universais, uma entidade um pouco mais abstrata. O princípio básico dessa nova amizade estava no fato de que existem leis que mantêm todo o Universo no caminho certo. Essas mesmas leis poderiam ser usadas para manter a minha vida, enquanto parte do Universo, no mesmo caminho. As Leis Precisas Universais intervieram em momentos cruciais que definiram o destino da minha vida, seja aproximando-me de pessoas que são muito importantes para mim, seja auxiliando-me a entrar na universidade ou a conseguir algum emprego.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje já não mais conservo esse nível de misticismo e tudo isso me parece muito engraçado, coisa de criança. Mesmo assim, por que decidi revelar coisas tão pessoais e até certo ponto constrangedoras? Apenas para poder dizer que o relato de experiências pessoais não serve de modo algum como prova da existência de divindades. Os feitos que muitos religiosos atribuem a Deus eram por mim atribuídos a essas entidades, do mesmo modo que, em certas religiões, são atribuídos a outros deuses, como Shiva ou Baal. Não há como relacionar seguramente um feito real a uma determinada entidade que supostamente existe fora do mundo físico, seja ela Deus ou as Leis Precisas Universais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Confesso que abusei da liberdade literária e que as coisas não aconteceram realmente desse modo. Ainda assim, o relato de um religioso é tão embasado quanto o meu - ou da personagem que assumi neste texto. Pense bem: para alguém que não considera esse tipo de intervenção fantástica possível, um religioso que tenta apresentar experiências pessoais como prova dessas intervenções está simplesmente relacionando fatos reais (ou não, pois nunca se pode descartar o erro ou a mentira) a seres que existem apenas dentro de sua mente. O ateu que ouve o relato pessoal de um religioso é como o religioso que lê este texto. Portanto, até um relato falso de experiências pessoais serve para refutar a validade desse tipo de "prova", o que demonstra a completa fragilidade da estratégia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Continue lendo apenas se você for o homenzinho do intestino, o vigilante azul ou as Leis Precisas Universais:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Prezados amigos, diferente do que foi mencionado no texto, ainda conto com sua costumeira ajuda. Espero que o fato de eu ter revelado sua existência a outros humanos e ainda ter mentido sobre o fim de nossos contatos não afete o relacionamento vantajoso que mantemos há tanto tempo. Peço perdão por qualquer deslize que tenha cometido. Por favor, continuem por perto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-1654963984511857591?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/1654963984511857591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/parcerias-imaginarias.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1654963984511857591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/1654963984511857591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/parcerias-imaginarias.html' title='Parcerias imaginárias'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-4291693548445079369</id><published>2010-01-04T23:55:00.005-02:00</published><updated>2010-01-18T21:27:54.032-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Meu amigo machão</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Meu amigo machão, muito esperto,  se diverte com seus companheiros machões, também espertos, em um puteiro, enquanto sua esposa dorme tranquila, pensando que ele está em uma  inocente confraternização com os colegas de trabalho. Lá eles pegam, esfregam e beijam lindas mulheres ao longo da noite.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu amigo machão faz isso com a consciência tranquila. Tão tranquila que, no dia seguinte, conta tudo, cheio de orgulho, a outros amigos, alguns machões, outros não. Mas sua consciência está tranquila não porque ele aceite que sua jovem esposa faça o mesmo. Não, ele não conseguiria sequer imaginá-la rodeada de rapazes mais jovens e bonitos, com mais cabelo, a pegar, esfregar, beijar. Não, de jeito nenhum. Também não é porque ache que sua esposa seria capaz de fazer a mesma coisa. Ele sabe que ela não chegaria nem perto disso. A consciência está tranquila por outros motivos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu amigo machão não gosta muito dessa alcunha: machão. Não concorda com ela. Prefere deixá-la para aqueles brutamontes briguentos que conhece de longe, independente se estes respeitam ou não suas parceiras. Ele é civilizado, educado, trabalhador honesto, um homem de palavra, que honra seus compromissos. Mal sabe que ele é, sim, o verdadeiro machão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu amigo machão, ao fazer o que faz, desrespeita o compromisso mais importante que firmou com a pessoa que ele mesmo escolheu para dividir a maior parte de seu tempo livre. Perceba, porém, que não há aqui nenhuma incoerência. Ele continua sendo um homem de palavra. Acontece que esse compromisso tão importante foi firmado com um indivíduo do sexo feminino e, por isso, é claro, não tem tanto valor. Se você é homem, não se preocupe: meu amigo não vai lhe deixar na mão. Machões gostam de outros machões. E os respeitam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;==##==&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 1: O termo "puteiro" não foi empregado de forma pejorativa, obviamente. As lindas mulheres citadas no texto merecem todo o respeito. Bem como machões que gostam muito de outros machões.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 2: Não concordo com a comparação entre o casamento e uma prisão, aliada às tentativas constantes de promover pequenas escapadas desse suposto cárcere. Prisão voluntária não é prisão de verdade. Na grande maioria dos casos, casa-se por decisão própria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 3: Como o assunto dessa postagem não é nem de longe religião, decidi não mencionar no texto que meu amigo machão se diz religioso, temente a Deus. Como bem lembrou um amigo não machão, isso significa que, ao se casar, além de fazer um compromisso com sua esposa, ele também reforçou esse compromisso junto a seu deus. Pelo visto meu amigo machão é mesmo muito esperto, ou então acredita em um deus muito fácil de tapear.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-4291693548445079369?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/4291693548445079369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/meu-amigo-machao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/4291693548445079369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/4291693548445079369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2010/01/meu-amigo-machao.html' title='Meu amigo machão'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-7204148674049256091</id><published>2009-12-20T22:11:00.013-02:00</published><updated>2011-05-19T23:20:07.175-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Escolhidos'/><title type='text'>Os melhores álbuns de 2009</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Listas são sempre polêmicas. Ninguém gosta delas, mas todos adoram fazê-las. Aqui está a minha, com os melhores discos de 2009. Como a rotina não deixa tempo livre suficiente para ouvir tanta música quanto eu gostaria, a lista terá apenas cinco discos de comprimento.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/Sy6-84npHHI/AAAAAAAAAAk/aPS6RRE6eDg/s320/Junior.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 57px; height: 57px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417477354973371506" /&gt;&lt;div&gt;5º.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Junior&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Röyksopp&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acessível, irregular, leve, dançante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/Sy6_kYN_ijI/AAAAAAAAAAs/-K_kRj1hD40/s320/Veckatimest.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 57px; height: 57px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417478033470622258" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4º.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Veckatimest&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Grizzly Bear&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem trabalhado, maduro, complexo, romântico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/Sy7AJHYA96I/AAAAAAAAAA0/vpD9L-RCwPA/s320/Beacons+of+Ancestorship.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 57px; height: 57px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417478664604415906" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3º.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Beacons of Ancestorship&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Tortoise&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abrangente, inovador, meticuloso, triunfal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/Sy7BfaiNWvI/AAAAAAAAAA8/LS7J6gFcWeg/s320/xx.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 57px; height: 57px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417480147216194290" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2º.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;xx&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;The xx&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Belo, contagiante, emotivo, (aparentemente) simples.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/Sy7B8p8eB7I/AAAAAAAAABE/PImaqUmAVYk/s320/Fever+Ray.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 57px; height: 57px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417480649569077170" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1º.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Fever Ray&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Fever Ray&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primitivo, escuro, misterioso, visual.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ano que vem tem mais.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-7204148674049256091?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/7204148674049256091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/12/lista-os-melhores-albuns-de-2009.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/7204148674049256091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/7204148674049256091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/12/lista-os-melhores-albuns-de-2009.html' title='Os melhores álbuns de 2009'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/Sy6-84npHHI/AAAAAAAAAAk/aPS6RRE6eDg/s72-c/Junior.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-5210718902072287819</id><published>2009-11-29T00:55:00.004-02:00</published><updated>2010-02-24T23:32:27.265-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vácuo'/><title type='text'>Gênesis revisitado</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;No princípio era o caos.&lt;div&gt;Disse Deus: "Faça-se luz!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A luz se fez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E pôde Deus, então, enxergar o caos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-5210718902072287819?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/5210718902072287819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/genesis-revisitado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5210718902072287819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/5210718902072287819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/genesis-revisitado.html' title='Gênesis revisitado'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-6437819008747388684</id><published>2009-11-24T20:37:00.005-02:00</published><updated>2009-11-25T19:53:01.510-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jogos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vácuo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Unidos pelo colóquio</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Pontuava: Ali havia habilidade.&lt;div&gt;Ponto: Avalia a viabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-6437819008747388684?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/6437819008747388684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/unidos-pelo-coloquio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6437819008747388684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6437819008747388684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/unidos-pelo-coloquio.html' title='Unidos pelo colóquio'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-8827724612518388059</id><published>2009-11-04T23:32:00.008-02:00</published><updated>2010-02-24T22:31:01.107-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboço da Criação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>O Brasil tem solução</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Desenhei estes quadrinhos por volta de 1994 para o jornal do colégio. Estava, então, em minha adolescência. Publico-os aqui com alguns poucos retoques. Os textos foram todos mantidos.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/SvItIC52obI/AAAAAAAAAAU/nH9hZbaTaHk/s1600-h/O+Brasil+tem+Solu%C3%A7%C3%A3o.jpg" style="text-decoration: none;"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand; width:415px; height: 574px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/SvItIC52obI/AAAAAAAAAAU/nH9hZbaTaHk/s400/O+Brasil+tem+Solu%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400428519412375986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#0000EE;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-8827724612518388059?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/8827724612518388059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/o-brasil-tem-solucao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/8827724612518388059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/8827724612518388059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/o-brasil-tem-solucao.html' title='O Brasil tem solução'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/SvItIC52obI/AAAAAAAAAAU/nH9hZbaTaHk/s72-c/O+Brasil+tem+Solu%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-3857329399271409632</id><published>2009-11-01T21:45:00.010-02:00</published><updated>2010-11-04T16:03:17.107-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>As laranjas, ora, as laranjas</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é bom assumir posições radicais quanto a nenhum fato. Encontraremos coisas boas e ruins em praticamente tudo o que existe. A demonização dos movimentos sociais, por exemplo, não faz bem à sociedade. Creio que o melhor seja um discurso consciente, atento, construído a partir de uma análise que considere todas as variáveis envolvidas e que pese todos os lados da questão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há fortes indícios, nas próprias matérias publicadas, de que a grande imprensa brasileira é ideologicamente posicionada e que costuma defender os interesses políticos e econômicos de seus proprietários e de pessoas ligadas a eles. Ela procura disseminar uma opinião uniforme, que não admite múltiplos pontos de vista. Por isso, o comportamento ideal do cidadão que deseja ter uma boa visão das forças que atuam sobre a sociedade seria procurar se informar através dos mais diversos meios, lendo o maior número possível de opiniões divergentes, sempre em busca da desejada pluralidade, o caminho para a verdadeira democracia. O indivíduo realmente crítico acabará por conseguir formar de modo cada vez mais independente a sua própria opinião.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O jornalismo televisivo, em relação a posicionamentos políticos, tem melhorado nos últimos anos, mas ainda continua muito tendencioso em alguns aspectos, principalmente em época de eleição. Conheço pelo menos um estudo que aponta que ele costuma favorecer os candidatos preferidos pelas emissoras. Um outro aspecto que ainda não evoluiu diz respeito à manutenção de uma visão negativa a respeito de alguns movimentos sociais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As reportagens sobre esses movimentos são um exemplo de falta de ética e profissionalismo, pois não seguem um princípio básico do jornalismo: ouvir o outro lado. Quase nunca são entrevistados os membros e dirigentes do movimento, mas o espaço está sempre aberto para os grandes empresários, latifundiários, alguns juristas ideologicamente alinhados com a opinião que se pretende difundir, políticos da direita e as "vítimas" dos protestos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao assistir essas reportagens, tem-se a impressão de que o movimento social é o problema, e não aquilo que ele denuncia. O caso do MST é emblemático. O grande problema não é o movimento, e sim a alta concentração de terras, o latifúndio improdutivo que não cumpre a função social determinada pela Constituição e a forma criminosa como a terra foi distribuída - ou melhor, concentrada - ao longo da história do país. Mas não é o que se observa nas matérias veiculadas. As atitudes do movimento são criticadas, mas não se diz uma única palavra a respeito do problema fundiário histórico. O conhecimento e a contextualização necessários à compreensão do assunto dificilmente são encontrados na grande imprensa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É claro que há um interesse muito grande por parte de alguns setores em extinguir certos movimentos sociais. É fácil perceber, no entanto, que um país sem movimentos sociais que clamem por justiça seria o paraíso para aqueles que detêm o poder; a carta branca para passar de vez por cima dos anseios dos discriminados e excluídos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Chegará o dia - escreve Washington Araújo, mestre em Comunicação e escritor, no Observatório da Imprensa - em que em que o leitor mediano, ao comprar uma publicação, irá se perguntar:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Qual a contrapartida que a empresa que edita essa revista está levando com essa matéria?"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"A quem interessa essa campanha contra esse movimento social?"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Induzir a população a ser a favor ou ser contra este ou aquele governo... interessa, mesmo, a quem?"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Quem está por trás dessa reportagem?"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apenas para constar (e justificar o título e várias considerações feitas neste texto):&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Existem informações de que a propriedade recentemente ocupada pelo MST e sobre a qual a mídia criou o episódio do escândalo das laranjas pertence à União. Ela teria sido ilegalmente ocupada por uma empresa que comanda um cartel e monopoliza o setor da produção dessa fruta. As laranjas plantadas seriam, portanto, uma tentativa de legitimar a "grilagem", evitando a retomada das terras por parte da administração federal. Os donos da empresa seriam réus em processos por formação de cartel e posse ilegal de armas e a empresa teria sido autuada mais de uma vez por poluição e impactos ao meio ambiente. Estas informações são verdadeiras ou falsas? O fato é que não foram mencionadas nos veículos que noticiaram a ocupação destas mesmas terras pelo MST em sinal de protesto contra... contra... exatamente contra o teor destas informações! Se tivessem sido mencionadas (com um destaque significativo, proporcional à gravidade das mesmas), independente dos excessos cometidos pelo movimento, a visão transmitida ao espectador teria sido bem outra, e não aquela na qual os possíveis-falsos-proprietários posam de bons moços vitimados pelos malvados invasores. A crítica aqui é quanto à qualidade da imprensa, que simplesmente passa por cima de elementos relevantes devido a interesses que desconhecemos, mas os quais suspeitamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-3857329399271409632?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/3857329399271409632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/as-laranjas-ora-as-laranjas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/3857329399271409632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/3857329399271409632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/11/as-laranjas-ora-as-laranjas.html' title='As laranjas, ora, as laranjas'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-225508971411165316</id><published>2009-10-29T23:34:00.006-02:00</published><updated>2010-02-03T23:58:31.795-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jogos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vácuo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Minha oca, oca minha</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Em minha oca cabeça&lt;div&gt;não há minhocas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É pena!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não vejo o caminho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-225508971411165316?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/225508971411165316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/10/minha-oca-minhoca-oca-minha-o-caminho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/225508971411165316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/225508971411165316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/10/minha-oca-minhoca-oca-minha-o-caminho.html' title='Minha oca, oca minha'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-6211624369115736112</id><published>2009-10-29T22:44:00.007-02:00</published><updated>2010-02-24T23:32:27.266-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><title type='text'>Um certo muro</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Recentemente recebi este texto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Havia um grande muro separando dois grandes grupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado do muro estavam Deus, os anjos e os servos leais de Deus. Do outro lado do muro estavam Satanás, seus demônios e todos os humanos que não servem a Deus. E em cima do muro havia um jovem indeciso, que havia sido criado num lar cristão, mas que agora estava em dúvida se continuaria servindo a Deus ou se deveria aproveitar um pouco os prazeres do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem indeciso observou que o grupo do lado de Deus chamava e gritava sem parar para ele: 'Ei, desce do muro agora! Vem pra cá!'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o grupo de Satanás não gritava e nem dizia nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar a Satanás: 'O grupo do lado de Deus fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do lado deles. Por que você e seu grupo não me chamam e nem dizem nada para me convencer a descer para o lado de vocês?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande foi a surpresa do jovem quando Satanás respondeu: 'É porque o muro é MEU.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se esqueça: Não existe meio termo. O muro já tem dono."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Então, decidi continuar a história e retirar uma outra "moral":&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande muro, separando dois grandes grupos. De um lado aqueles que se dizem servos de Deus. Do outro, aqueles que optaram por aproveitar um pouco os prazeres do mundo. Em cima do muro, um jovem indeciso, cheio de dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após trocar algumas palavras com as pessoas que cercavam o muro, o jovem continua em dúvida, pois, além de não saber em quem confiar, prefere buscar suas respostas de uma maneira mais cautelosa, observando, investigando, a fim de chegar o mais próximo da verdade. As dúvidas são tantas que ele passa a olhar ao redor, analisando cada detalhe. Para conseguir um maior número de informações, ele se põe a caminhar sobre o muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na medida em que caminha, percebe alguns dos autoproclamados servos de Deus se permitindo aproveitar a vida e aquilo que o mundo lhes oferece. Percebe ainda que, do outro lado do muro, existem pessoas preocupadas com o próximo, comprometidas em conduzir suas vidas baseadas em princípios que permitem uma boa convivência social, o que acaba sendo muito bom para todos que ali se encontram. As figuras demoníacas poderiam ser apenas projeções daqueles que estavam do outro lado, num momento em que ainda não compreendiam que é possível buscar novas possibilidades. Enfim, o jovem descobre que não existem apenas duas opções e que muitas vezes é possível chegar a um meio termo. Quanto mais se distancia do ponto de onde partiu, mais percebe semelhanças entre os dois grupos. Ele pensa, então, no fato de ser esta a única vida certa que temos. Qual a melhor forma de vivê-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande surpresa se dá quando o sempre curioso e persistente jovem chega ao fim do muro. Sim, o longo muro termina. E, para além dele, todos estão reunidos. Alguns continuam com o intuito de servir a Deus e, para estes, sua figura é tão forte que até parece que ele vaga por entre eles. Mas ali também estão Alá, Brama, Shiva, Oxalá, Tupã, Zeus e muitas outras figuras que se fazem presentes para aqueles que decidem manter seu respeito por elas. Há ainda aquelas pessoas para as quais essas representações são desnecessárias; pessoas que vivem de modo independente de qualquer crença mística, para as quais as duas opções que o jovem conhecera no começo de sua jornada eram muito pouco, algo muito pequeno diante da grandeza do universo. E todos vivem da maneira mais pacífica possível, pois a bondade ou maldade de cada um nada tem a ver com os seres nos quais decidiram crer ou não. Os problemas existem, conflitos são abundantes, mas muitos anseiam e trabalham pelas soluções, apesar das diferenças inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem poderia continuar adiante, pois já consegue avistar ainda mais transformações à frente, mas o caminho se torna mais difícil e, a partir de agora, ele precisa seguir um pouco mais devagar, sempre ao lado daqueles com quem vive agora. Na cabeça, a conclusão de que não importa quem era o dono do muro. O importante é que não existam muros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-6211624369115736112?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/6211624369115736112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/10/um-certo-muro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6211624369115736112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/6211624369115736112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/10/um-certo-muro.html' title='Um certo muro'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7019983940285863259.post-315971632943221961</id><published>2009-10-29T21:58:00.010-02:00</published><updated>2010-02-24T23:32:27.267-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ceticismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linhas Tortas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><title type='text'>Mensagens saídas do limbo</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Decidi abrir este blogue para publicar mais facilmente na rede mundial os textos que eu antes publicava com dificuldade no sítio virtual do Limbo. Porém, diferentemente do que decretou o Papa Bento XVI, o Limbo ainda existe, mesmo que congelado no tempo há cerca de dez anos. Sim, faz dez anos que não escrevo nada para publicar na rede (e qual a importância disso, afinal?). Quase tudo me parece muito óbvio para ser escrito. Óbvio e redundante, pois sempre parece que já tem muita gente escrevendo o que quero escrever. Então, por que mais um? Ah, porque é mais fácil publicar num blogue. O Limbo existe e eu estou escrevendo a partir dele.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;==##==&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 1: O Vaticano realmente decretou o fim do limbo (o lugar para onde iam os bebês que morriam antes de serem batizados) em 2007. Não sei que destino foi dado às pequenas almas que nele habitavam até então.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 2: Desde o momento em que construí o Limbo até o dia em parei de atualizá-lo (não sei se definitivamente ou não), nunca fui ateu. Portanto, o ceticismo não influenciou na escolha do nome. Afinal, eu não era tão cético. Hoje sou muito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S. 3: &lt;a href="http://limbo.vilabol.uol.com.br/"&gt;limbo.vilabol.com.br&lt;/a&gt; é o endereço do Limbo. Você pode visitá-lo mesmo se tiver sido batizado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7019983940285863259-315971632943221961?l=dolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dolimbo.blogspot.com/feeds/315971632943221961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/10/mensagens-saidas-do-limbo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/315971632943221961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7019983940285863259/posts/default/315971632943221961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dolimbo.blogspot.com/2009/10/mensagens-saidas-do-limbo.html' title='Mensagens saídas do limbo'/><author><name>Pedro Henrique Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600946968582950422</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_dH1hTZtNjEk/S1N50BQkWeI/AAAAAAAAABQ/qBtg6y7iEzs/S220/Pedro+H.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
