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27 de outubro de 2011

Dez excelentes filmes de terror


Não gosto de filmes muito violentos. Acho que esta postagem tem de começar assim, para que não pensem que o gênero foi escolhido devido a uma predileção especial. Pretendo fazer listas de alguns gêneros - já fiz uma geral e outra sobre guerras - e gostaria, desde já, de livrar-me do terror... digo... dos filmes de terror.

Minha aversão a grande parte das obras do segmento - e "aversão" é uma ótima palavra neste contexto - é resultado óbvio de minha repulsa a qualquer tipo de violência. Creio que seja antinatural o ato de gostar de ver outros indivíduos da mesma espécie - ou mesmo outros seres vivos - sendo vítimas de violência extrema. E isso não significa que ignoro o fato de que há muita violência na realidade. Há mais crueldade no mundo do que qualquer ser humano é capaz de suportar. O problema é que muitos dos recentes filmes do estilo têm sido feitos não para causar sustos e medo, o que poderia resultar em um bom tipo de entretenimento, mas nojo e repulsa, através da exposição de muito sangue, vísceras, torturas e formas cada vez mais criativas de matar, mutilar e destroçar seres humanos, ultrapassando todos os limites da sanidade. Se você afirmar que aprecia ver pessoas inocentes sendo trucidadas, mesmo que em simulações, não espere que os outros aceitem isso com naturalidade. Convenhamos que é um gosto, no mínimo, estranho. Sob este aspecto, concordo com as palavras de Carlos Heitor Cony:

Os que gostam de filmes violentos acusam os que não gostam de avestruzes, que mergulham a cabeça na areia para fugirem da realidade. (...) Acontece que, queiramos ou não, somos consumidores e muitas vezes vítimas dessa realidade. Não precisamos estetizá-la nem maquiá-la de obra de arte, com boa iluminação, boa interpretação, boa produção, enfim. Ela é melhor - se é que a violência pode ser melhor e mais real - na vida diária que vivemos. (...) Esta violência é que nos devia ensinar alguma coisa e motivar a sociedade seriamente.

Não quero, aqui, julgar as predileções daqueles que admiram os filmes violentos. Estes devem servir-lhes como forma de dar vazão a certos sentimentos ou vivenciar experiências, de algum modo, estimulantes. Espero que os que dizem que tais obras não influenciam atitudes violentas estejam certos.

Prefiro as películas capazes de despertar reflexões e causar emoções, inclusive as mais chocantes, a partir de elementos mais tácitos e subentendidos, pois estes revelam grande capacidade de seus criadores, dada a maior destreza requerida na manipulação de sutilezas, em contrapartida a imagens de sexo ou violência explícitos, as quais também são difíceis de serem dosadas, mas costumam se aproximar mais do ato de simplesmente apontar algo já bem conhecido na realidade.

É claro que há grandes obras entre os filmes de terror. Caso contrário, a presente lista não teria sido feita. Aqui estão filmes que, além de assustar, surpreendem, divertem e levantam interessantes questionamentos.


10.
Linha Mortal
(flatliners - EUA, 1990)
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Peter Filardi
- Ao desafiar a morte, cinco jovens vêem-se forçados a encarar seu passado.

9.
Os Outros
(the others - Espanha, EUA e França, 2001)
Direção: Alejandro Amenábar
Roteiro: Alejandro Amenábar
- Admitir a possibilidade de se estar errado pode tornar as coisas mais fáceis.

8.
Os Pássaros
(the birds - EUA, 1963)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Daphne Du Maurier (enredo), Evan Hunter (roteiro)
- Os maiores medos surgem quando as coisas mais simples tornam-se grandes ameaças.

7.
Anticristo
(antichrist - Alemanha, Dinamarca, França, Itália e Suécia, 2009)
Direção: Lars von Trier
Roteiro: Lars von Trier
- Obra densa, consegue abarcar vários temas sem perder a coesão, da dor da culpa à depressão, o caos humano e o ginocídio.

6.
Carrie, a Estranha
(carrie - EUA, 1976)
Direção: Brian De Palma
Roteiro: Lawrence D. Cohen, baseado em romance de Stephen King
- Uma educação conservadora e fundamentalista transforma um dom especial em uma tragédia.


5.
Alucinações do Passado
(jacob's ladder - EUA, 1990)
Direção: Adrian Lyne
Roteiro: Bruce Joel Rubin
- Um mistério envolvente, repleto de imagens perturbadoras e com um final à altura: surpreendente.

4.
Extermínio
(28 days later - EUA, França e Inglaterra, 2002)
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Alex Garland
- Em vinte e oito dias, quase toda a população foi transformada em zumbis, mas este não é o único problema.

3.
Psicose
(psycho - EUA, 1960)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Joseph Stefano, baseado em romance de Robert Bloch
- Um ótimo roteiro, excelentes personagens, direção magistral e um grande segredo.

2.
O Nevoeiro
(the mist - EUA, 2007)
Direção: Frank Darabont
Roteiro: Frank Darabont, baseado em conto de Stephen King
- Um grupo de pessoas escondido em um pequeno mercado descobre que seu comportamento pode ser pior do que que as criaturas que se escondem no nevoeiro que tomou conta da cidade.

1.
O Iluminado
(the shining - Inglaterra, 1980)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick e Diane Johnson, baseado em romance de Stephen King
- Imagens marcantes e ambientes amplos, porém claustrofóbicos, de um cenário que se torna protagonista, trazem à tona o pior lado da loucura.

21 de julho de 2011

Cinco excelentes filmes de guerra


A classificação dos filmes em gêneros serve para orientar o espectador em sua busca do que assistir, mas não deve, de modo algum, limitar as obras, enclausurando-as em compartimentos isolados e intransponíveis. Não gosto muito desses rótulos, mas confesso que eles são úteis em algumas situações, como na elaboração de uma lista como esta. Alguns gêneros indicam o formato ou técnica de produção do filme (documentário, animação, etc.), outros evidenciam o teor do enredo (drama, comédia, etc.). Há também aqueles que refletem, simplesmente, o tema do filme, isto é, aquilo de que ele trata. É o caso dos chamados "filmes de guerra". Esse tipo possui fãs cativos, e grande parte deles apreciam o estilo porque adoram ver muita ação, explosões, sangue e o triunfo de um exército do bem contra os soldados do mal.

Não faço parte desse grupo. Pelo que podemos perceber ao longo da história da humanidade, não existem exércitos totalmente do bem. Guerras são acontecimentos bárbaros, repletos de interesses secretos e questionáveis de grupos que desejam manter ou ampliar seus domínios, e que, para tal, promovem o massacre de seres humanos tão inocentes quanto aqueles que são induzidos a exterminá-los. Ainda há mais guerras que o tolerável para sociedades que se dizem civilizadas.

"Mas alguns conflitos são necessários", dirão alguns, "ao menos para conter ameaças como Hitler ou Bin Laden". Posso concordar em parte, desde que não nos esqueçamos de que tais ameaças não surgem do nada, mas das próprias disputas injustificadas que dominam as relações entre os povos, em nome do interesse de poucos, que nunca sujam as próprias mãos e mantêm uma distância segura de qualquer risco.

A
qui estão filmes que expõem os fatos que são tão comuns em guerras. Há tiros e sangue, triunfo e sofrimento. Mas eles vão um pouco além e questionam a brutalidade e a necessidade de conflitos tão desumanos.


5.
Sem Novidade no Front (ou Nada de Novo no Front)
(all quiet on the western front - EUA, 1930)
Direção: Lewis Milestone
Roteiro: Erich Maria Remarque (peça - im westen nichts neues), Maxwell Anderson (adaptação), George Abbott (roteiro), Del Andrews (adaptação)

4.
Leões e Cordeiros
(lions for lambs - EUA, 2007)
Direção: Robert Redford
Roteiro: Matthew Michael Carnahan

3.
Valsa com Bashir
(valse avec bachir - Alemanha, França e Israel, 2008)
Direção: Ari Folman
Roteiro: Ari Folman

2.
Nascido para Matar
(full metal jacket - EUA, 1987)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick (roteiro), Gustav Hasford (roteiro e romance - the short timers), Michael Herr (roteiro)

1.
Apocalypse Now
(apocalypse now - EUA, 1979)
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: John Milius (roteiro), Francis Ford Coppola (roteiro), Joseph Conrad (romance - hearth of darkness), Michael Herr (narração)

19 de maio de 2011

Dez excelentes filmes (de todos os tempos)


O título original deste texto seria "Os dez melhores filmes de todos os tempos". Mas me dei conta de que estaria exagerando, visto que, para início de conversa, só posso escolher os melhores filmes dentro de um universo bem limitado: o daqueles aos quais assisti. É inegável, no entanto, que, com o passar do tempo, acabamos desenvolvendo um tino que nos ajuda a perceber se determinada película poderá valer a pena ou será uma completa perda de tempo, mesmo antes de assisti-la, o que delimita de forma positiva esse universo. As referências e a própria publicidade do filme também ajudam.

O critério que utilizei foi a listagem das obras que vieram mais rapidamente à minha memória quando tentei puxar o que vi de melhor. O resultado, em minha modesta opinião, é uma sequência que transcende a simples experiência de distrair-se frente a uma tela com imagens em movimento, pois cada um deles possui grande potencial para incentivar reflexões e transformar pontos de vista. Além, é claro, de proporcionar momentos prazerosos. Bom divertimento!

10.
Vanilla Sky
(vanilla sky - EUA, 2001)
Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Cameron Crowe, baseado em filme de Alejandro Amenábar e Mateo Gil (abre los ojos - Espanha, França e Itália, 1997)
- A vida e as consequências das pequenas e grandes escolhas.

9.
Trainspotting - Sem Limites
(trainspotting - Inglaterra, 1996)
Direção: Danny Boyle
Roteiro: John Hodge, baseado em romance de Irvine Welsh
- Polêmico sem ser raso. As drogas e a artificialidade da vida.


8.
Amnésia
(memento - EUA, 2000)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan, baseado em conto de Jonathan Nolan
- História sobre vingança, invertida devido à condição do protagonista.

7.
Festim Diabólico
(rope - EUA, 1948)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Patrick Hamilton, Hume Cronyn, Arthur Laurents, Ben Hecht
- Suspense e tensão em uma sequência "aparentemente" sem cortes.

6.
Sangue Negro
(there will be blood - EUA, 2007)
Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson, baseado em romance de Upton Sinclair
- À frente, petróleo. Ao fundo, uma crítica ao sistema e à religião.


5.
Laranja Mecânica
(a clockwork orange - Inglaterra, 1971)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick, baseado em romance de Anthony Burgess
- A banalização da violência e os limites do combate à mesma.

4.
Clube da Luta
(fight club - EUA e Alemanha, 1999)
Direção: David Fincher
Roteiro: Jim Uhls, baseado em romance de Chuck Palahniuk
- Crítica contundente aos mecanismos que limitam os indivíduos.


3.
Dogville
(dogville - Alemanha, Dinamarca, EUA, França e Holanda, 2003)
Direção: Lars von Trier
Roteiro: Lars von Trier
- Primeiro da trilogia sobre os Estados Unidos e o comportamento humano.


2.
Doze Homens e uma Sentença
(12 angry men - EUA, 1957)
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Reginald Rose
- A importância da dúvida contra certezas infundadas.


1.
2001: Uma Odisséia no Espaço
(2001: a space odyssey - EUA e Inglaterra, 1968)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke
- A deslumbrante jornada do homem através do espaço-tempo.